Há mais de uma década que a região acompanha a luta de Beatriz Morgado, a “Pipoca”. Agora, aos 14 anos, a jovem enfrenta novos desafios de saúde, enquanto os pais procuram reunir apoios para garantir tratamentos especializados e superar dificuldades financeiras e familiares.
A luta de Beatriz Morgado, a “Pipoca”, continua a mobilizar a solidariedade no Médio Tejo. Aos 14 anos, a jovem de Vila Nova da Barquinha precisa de tratamentos intensivos de fisioterapia, mas as dificuldades financeiras obrigaram a família a adiar para dezembro uma intervenção prevista para outubro.
O tratamento especializado, com um custo de 5.908 euros por ciclo, deverá ser realizado três vezes por ano, segundo o pai, Nuno Morgado. São mais de 17 mil euros anuais apenas para assegurar esta componente dos cuidados de saúde de Beatriz, um encargo que ultrapassa largamente as possibilidades económicas da família.
A jovem enfrenta um quadro clínico complexo, que inclui paralisia cerebral, distonia e uma doença rara, a que se junta uma escoliose grave. Não consegue andar nem alimentar-se sozinha e necessita de assistência permanente nas atividades mais básicas do quotidiano.

Segundo Nuno Morgado, a fisioterapia intensiva é fundamental para aliviar as dores da filha e procurar evitar o agravamento dos problemas na coluna e de possíveis complicações nos órgãos internos.
“Neste momento, estamos a correr contra o tempo”, afirma o pai, que voltou a contactar o mediotejo.net para dar conta das dificuldades da família e renovar um apelo à solidariedade.
Um tratamento adiado e novas dificuldades familiares
O tratamento estava inicialmente previsto para outubro, mas a família não conseguiu reunir o montante necessário, tendo sido obrigada a adiar a deslocação para dezembro.
À insuficiência de recursos financeiros juntam-se outras dificuldades. Zélia Galvão, mãe de Beatriz, terá de ser submetida a uma intervenção cirúrgica, numa altura em que a família depende do seu acompanhamento diário para assegurar os cuidados à jovem.
Para prestar assistência permanente à filha, Zélia deixou de trabalhar. Nuno Morgado, funcionário do Município de Tomar, onde exerce funções numa escola, é atualmente o único elemento do agregado familiar com rendimentos profissionais.
“Com apenas um rendimento em casa e os custos de cuidados permanentes, é-nos totalmente impossível suportar os encargos deste tratamento especializado”, explica.

Como se não bastassem as dificuldades de saúde e financeiras, a família foi ainda confrontada com um ato de vandalismo que danificou a cadeira elevatória utilizada para transportar Beatriz para o exterior da habitação.
A família reside no concelho de Vila Nova da Barquinha, num segundo andar de um prédio sem elevador, pelo que a cadeira elevatória é essencial para permitir que Beatriz saia de casa.
Uma década de solidariedade que não pode parar
A história de Beatriz Morgado não é desconhecida dos leitores do mediotejo.net. Em outubro de 2016, o jornal publicou uma reportagem sobre a então pequena “Pipoca”, que estava prestes a completar cinco anos, e sobre o esforço dos pais para assegurar os tratamentos necessários ao seu desenvolvimento.
Desde muito cedo, a família enfrentou um quotidiano exigente, dividido entre consultas, terapias, deslocações e a procura de recursos para suportar os custos dos cuidados especializados.
Foi dessa necessidade que nasceu o movimento “Todos Juntos Pela Pipoca – Beatriz Morgado”, que ao longo dos anos mobilizou familiares, amigos, associações, empresas, artistas e cidadãos de vários concelhos do Médio Tejo e de outras regiões.
Concertos solidários, atividades desportivas, aulas de yoga, campanhas de recolha de tampinhas e caricas e donativos individuais ajudaram a construir uma rede de apoio que acompanhou Beatriz durante a infância.

A mobilização mantém-se ativa. Ainda em maio deste ano, o Agrupamento de Escolas de Tomar deu conta de uma nova entrega de tampas de plástico no âmbito do projeto “Tampas Solidárias, Grandes Caminhadas”, associado à campanha de apoio à jovem.
Em agosto, a família voltou a lançar um apelo público para reunir os 5.908 euros necessários ao tratamento previsto para outubro. Quase dois meses depois, a realidade tornou-se mais difícil: o dinheiro não foi suficiente, o tratamento teve de ser adiado e surgiram novos obstáculos no quotidiano familiar.

Apoiar hoje para garantir os tratamentos de amanhã
Para Nuno e Zélia, o desafio não termina quando é possível assegurar uma deslocação à clínica ou pagar um ciclo de fisioterapia. A necessidade de tratamentos é continuada e os encargos repetem-se ao longo do ano, a par das despesas inerentes aos cuidados permanentes da filha.
É essa continuidade que torna especialmente importante a manutenção da rede solidária construída ao longo dos últimos anos.
A família procura apoios financeiros, mas também a colaboração de associações, coletividades, empresas e cidadãos que possam ajudar a organizar iniciativas solidárias, contribuindo para dar visibilidade à situação de Beatriz e reunir verbas para os tratamentos.
Nuno Morgado sublinha que o objetivo é proporcionar à filha as melhores condições de saúde e qualidade de vida possíveis, apesar das limitações e das dificuldades que enfrentam diariamente.
A “Pipoca”, que cresceu acompanhada pelo carinho de tantas pessoas, continua a precisar dessa solidariedade. Não apenas para ultrapassar a dificuldade mais imediata, mas para que os tratamentos e os cuidados necessários não fiquem dependentes, a cada novo ciclo, da capacidade financeira de uma família que não desiste de procurar o melhor para a filha.
Como ajudar a Beatriz “Pipoca”
A família de Beatriz Morgado mantém ativa a campanha solidária “Todos Juntos Pela Pipoca – Beatriz Morgado”, apelando à colaboração de particulares, empresas, associações e coletividades para assegurar a continuidade dos tratamentos especializados de que a jovem necessita.

Os interessados podem contribuir através de transferência bancária ou MB WAY, utilizando os seguintes dados disponibilizados pela família:
Conta CGD: 0035.0876.00013521700.90
MB WAY – Zélia Galvão (mãe): 918 351 188
MB WAY – Nuno Morgado (pai): 917 149 019
A campanha pode também ser acompanhada através da página de Facebook Todos Juntos Pela Pipoca – Beatriz Morgado, onde são divulgados os apelos e as iniciativas solidárias.
Mais do que uma ajuda pontual, os pais procuram garantir que Beatriz continue a receber os tratamentos essenciais à sua saúde e qualidade de vida. A “Pipoca” cresceu. As dificuldades também. Mas há algo que Nuno e Zélia nunca perderam: a determinação de proporcionar à filha a melhor vida possível. E é para que essa luta continue que Beatriz volta a precisar da solidariedade de todos.

