BE lembrou que a democracia não pode prescindir do jornalismo. Foto: DR

O Bloco de Esquerda de Santarém promoveu no sábado, dia 23, na Casa do Brasil um mesa redonda sobre o estado atual jornalismo regional, tendo lembrado que a democracia não pode prescindir do jornalismo. Manifestando-se preocupado com o declínio da imprensa local, o BE juntou à mesa responsáveis por títulos online e em papel, em sessão pública, e de onde saíram propostas de ação para um jornalismo livre, sério e rigoroso, salvaguarda da democracia em tempo de populismos e desinformação organizada.

A iniciativa «Bloco de Esquerda Convida: Media locais» foi a primeira de várias mesas redondas em Santarém que visam estabelecer na região uma linha de diálogo permanente entre os seus habitante, especialistas e atores do tema em discussão, tendo marcado presença responsáveis dos jornais mediotejo.net,  maisribatejo.pt, ribatejonnews.net e do Correio do Ribatejo, o único jornal em papel.  A participada sessão foi moderada pela Professora Raquel Botelho, Jornalista em projetos da Sonae.com, Expresso e Diário de Notícias e docente na Licenciatura em Comunicação Social do Instituto Politécnico de Tomar.

Fabíola Cardoso, deputada eleita pelo distrito de Santarém, enquadrou a sessão, reiterando a preocupação com que o Bloco olha para a crise no setor. “Esta crise expressa-se numa brutal quebra de vendas e receitas publicitárias, na escassez de recursos ou na precariedade das suas redações. Ao Estado exige-se uma intervenção com vista a assegurar, na esfera das suas competências, condições de sustentabilidade da comunicação social, por um lado, e a sua independência face aos poderes político e económico, por outro”, defendeu.

Em comunicado, o BE dá conta que esta preocupação reflete-se no programa eleitoral apresentado às legislativas de outubro e concretiza-se por exemplo nas propostas apresentadas já em sede de discussão de orçamento de estado para 2020, dando o exemplo do reforço do orçamento da Agência Lusa em €1,5M, a criação de Programa de Apoio à Imprensa e Literacia para os Media, o reforço do porte pago para a imprensa nacional e regional e o baixar o teto a partir do qual é obrigatória a afetação de publicidade aos órgãos de comunicação social regionais e locais de 15 mil para 5 mil euros, abrangendo mais eficazmente as campanhas publicitárias de organismos públicos.

Do debate várias propostas sobre como revitalizar o setor, que o BE sintetizou e que passam pela “dedução, em sede de IRS, das assinaturas até um certo montante, por agregado familiar, assinaturas das instituições publicas, como escolas, hospitais, e lares, por exemplo, os apoios dependerem da existência de jornalistas nas redações/direções, descontos da Lusa para a imprensa regional, porte pago, mas com garantias da existência de conteúdos, financiamento dos media através de um programa de apoio com regras claras e fiscalização efetiva, alteração das regras dos apoios das CCDR’s, sobre o lucro necessário para poder concorrer, reforço da fiscalização, por exemplo da utilização de comerciais para o trabalho dos jornalistas, prémios do estado para o jornalismo, uma parte da taxa de radiodifusão para os media locais, e estudo sobre títulos que nascem antes das eleições”.

Foi também defendida uma maior proatividade dos próprios media, com estabelecimento de redes locais de apoio entre os vários títulos, necessidade de uma maior proximidade aos jovens/escolas, para formação de novos púbicos, campanhas de assinaturas, por exemplo como prendas, e conhecer melhor a realidade de outros países.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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