Foto: CMA

As bandeiras subiram ao mastro ao final da tarde de segunda-feira, na praia fluvial de Aldeia do Mato (Abrantes), perante autarcas, concessionários, nadadores-salvadores e representantes das entidades envolvidas na gestão das praias. O gesto, repetido uma hora depois na praia fluvial de Fontes, simbolizou a renovação de um galardão que distingue a qualidade ambiental, a segurança, a acessibilidade e os serviços disponibilizados aos banhistas.

Além da Bandeira Azul, as duas praias fluviais hastearam a bandeira “Qualidade de Ouro”, atribuída pela Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, galardão que é entregue todos os anos às praias que cumprem com os critérios “qualidade de água excelente” nas últimas cinco épocas balneares.

No caso da praia fluvial de Aldeia do Mato, foi ainda hasteada a bandeira de “Praia Acessível”, uma distinção que certifica que esta praia está preparada para receber pessoas com mobilidade reduzida ou condicionada.

Embora a época balnear já esteja em curso, o hastear da Bandeira Azul constitui um momento simbólico que assinala o compromisso do concelho de Abrantes com a manutenção da qualidade das suas zonas balneares, ambas situadas na albufeira de Castelo de Bode.

Foi precisamente esse simbolismo que o presidente da Câmara Municipal de Abrantes destacou na cerimónia em Aldeia do Mato. O autarca afirmou que estão reunidas “todas as condições” para receber os milhares de visitantes que, todos os verões, escolhem as praias fluviais de Aldeia do Mato e Fontes.

Foto: mediotejo.net

Nas suas declarações, fez questão de agradecer o trabalho desenvolvido pelas juntas de freguesia de Aldeia do Mato e Souto e de Fontes, pelos concessionários, pelos profissionais que ali desenvolvem a sua atividade económica e pelos nadadores-salvadores, sublinhando que o funcionamento das praias resulta do esforço conjunto de várias entidades.

Manuel Jorge Valamatos salientou igualmente o significado das bandeiras hasteadas. Se, por um lado, representam a distinção enquanto praias acessíveis, por outro refletem a excelência da qualidade da água, um dos principais fatores de atratividade da albufeira de Castelo de Bode.

ÁUDIO | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CMA

Para o presidente da Câmara, a crescente procura das praias fluviais do concelho resulta da conjugação entre a divulgação proporcionada pelas plataformas digitais e a experiência positiva dos próprios visitantes. “A melhor forma de fazer publicidade é ter boas condições e quando as pessoas vêm, gostam e voltam”, afirmou, referindo que o número de utilizadores destes espaços tem aumentado nos últimos anos.

Esse crescimento da procura leva o município a olhar para novos projetos ligados à albufeira. O autarca revelou que a Câmara pretende continuar a criar novas praias fluviais junto a Castelo de Bode e recuperar a praia do Aquapolis, no rio Tejo.

Entre os locais que poderão vir a ser valorizados apontou zonas como Matagosa, Bairros e Cabeça Ruiva, esclarecendo, porém, que qualquer intervenção terá de ser compatibilizada com as exigências impostas pela Agência Portuguesa do Ambiente e com as necessidades das populações locais, procurando não descaracterizar os espaços atualmente utilizados pelas comunidades ribeirinhas.

Nas declarações prestadas aos jornalistas, Manuel Jorge Valamatos recordou ainda a importância estratégica da albufeira de Castelo de Bode enquanto uma das maiores reservas de água doce do país, responsável pelo abastecimento da Área Metropolitana de Lisboa e de vários concelhos, incluindo Abrantes.

Considerou que as regras de proteção existentes, aliadas ao investimento realizado nos últimos anos ao nível do tratamento das águas residuais, têm permitido preservar uma qualidade de água que classificou como “de excelência”.

O futuro próximo esteve também em destaque. Confrontado com a descida prevista do nível da albufeira no verão de 2027, devido à intervenção programada na barragem de Castelo de Bode, o presidente da Câmara reconheceu que o próximo ano exigirá uma preparação antecipada.

Segundo explicou, o município já iniciou conversações com concessionários e juntas de freguesia para adaptar as infraestruturas das praias à nova realidade. Além de garantir as condições de utilização dos espaços balneares, a autarquia pretende aproveitar a descida significativa da água para executar intervenções em infraestruturas, nomeadamente nos cais de acesso às embarcações.

“Temos que iniciar este ano, já a partir de agora, um conjunto de ações tendentes a que no próximo verão as condições estejam reunidas da melhor forma possível”, afirmou.

A praia fluvial de Aldeia do Mato hasteou a Bandeira Azul pelo 16.º ano consecutivo, enquanto a praia fluvial de Fontes, a funcionar desde 2018, recebeu a distinção pela oitava vez.

O galardão atribuído pela Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação reconhece critérios como a qualidade da água balnear, a gestão ambiental, a segurança, os equipamentos disponíveis e as ações de educação ambiental desenvolvidas nas zonas balneares.

Ao longo da época balnear, no âmbito do programa Bandeira Azul 2026, serão desenvolvidas diversas atividades de educação ambiental, dirigidas a diferentes públicos e orientadas para a sensibilização e adoção de comportamentos ambientalmente responsáveis: “Ondas de Leitura”, a realizar nos dias 10 e 17 de julho, no CIRA – Centro Interpretativo da Ribeira de Alcolobre; nos dias 6 de agosto, na Praia Fluvial de Aldeia do Mato, e 7 de agosto, na Praia Fluvial de Fontes, realiza-se a iniciativa “Do Rio ao Mar, nenhum lixo a navegar”, uma exposição de trabalhos desenvolvidos pelas Eco-Escolas, com o objetivo de sensibilizar para a proteção dos ecossistemas fluviais e divulgar boas práticas ambientais.

Estará ainda patente, durante toda a época balnear, a ação “Palavras que flutuam” e a atividade participativa “Um rio de memórias”, que pretende recolher e valorizar memórias da comunidade ligadas ao rio e à albufeira, promovendo simultaneamente a sensibilização para a conservação dos ecossistemas fluviais.

A época balnear nestes dois espaços de excelência para o lazer e contacto com a natureza decorre até 31 de agosto.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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