A freguesia de Santa Margarida da Coutada, no concelho de Constância, mantém-se em situação de precariedade no acesso a cuidados de saúde primários. A localidade, que esteve sem médico quase desde o início do ano, conta agora com uma prestadora de serviços apenas um dia por semana.
“É um problema que se arrasta há demasiado tempo. Santa Margarida tem estado sem médico, apenas com enfermeiro. Agora foi possível, através de uma clínica, que vai fazer um dia por semana, o que é manifestamente insuficiente”, afirmou Sérgio Oliveira ao mediotejo.net.
A carência de médicos em Constância é um tema recorrente na última década. De acordo com o histórico, o concelho tem sofrido sucessivos períodos de falta de clínicos, ora por aposentações, ora por dificuldades em fixar profissionais em zonas de baixa densidade, apesar dos incentivos municipais.
“Aquilo que nos preocupa é que já nem a questão dos incentivos que nós temos, que dá mais de mil e tal euros por mês em cima do salário, já nem isso atrai médicos. Há municípios que dão mais do dobro e estão com a mesma dificuldade”, lamenta o autarca.

ÁUDIO | SÉRGIO OLIVEIRA, PRESIDENTE CM CONSTÂNCIA:
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo tem procurado gerir as escalas para evitar o fecho total de extensões de saúde, mas a solução definitiva para Santa Margarida parece depender de uma médica que concorreu recentemente para o quadro. No entanto, o início de funções está previsto apenas para o final do verão..
Perante o cenário de falta de clínicos, soluções tecnológicas como as teleconsultas têm sido apresentadas como alternativas pela tutela. Contudo, Sérgio Oliveira mostra-se cético quanto à eficácia desta medida junto de uma população que exige proximidade e humanização no tratamento.
“Não fecho a porta a isso, mas a teleconsulta não resolve o problema de quando a pessoa precisa de ser auscultada. Temos uma população envelhecida que gosta do contacto pessoal. A solução não pode ser robôs nem um ecrã”, defendeu.
Para o autarca de Constância, a resolução do impasse que afeta o Serviço Nacional de Saúde (SNS) nas zonas rurais exige medidas de fundo e maior coragem política no âmbito nacional, ultrapassando a gestão paliativa de recursos que tem marcado os últimos anos na região do Médio Tejo.
“Acho que uma solução seria obrigar os médicos, quando saem da faculdade e tiram a especialidade, a prestar X anos de serviço para o Estado no lugar onde o Estado entenda que há falta de médicos”, sugeriu Sérgio Oliveira, reforçando que este é um problema que transcende a cor política do atual governo.
