O Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, recebe a partir de segunda-feira o ARTEX26, principal exercício de experimentação tecnológica do Exército, que este ano ganha dimensão europeia ao integrar, pela primeira vez em Portugal, uma campanha operacional da Agência Europeia de Defesa.
O ARTEX26 decorre entre 21 de setembro e 14 de outubro e junta militares, indústria, universidades e centros de investigação na experimentação de novas tecnologias em ambiente operacional, procurando avaliar a sua utilidade e integração em futuras capacidades militares.
Entre as áreas em teste estão sistemas aéreos e terrestres não tripulados, inteligência artificial, robótica, sensores, comunicações resilientes, guerra eletrónica e soluções de comando e controlo.
A edição deste ano integra a campanha HEDI-OPEX26, promovida pela Agência Europeia de Defesa (EDA), que escolheu Portugal para acolher uma das suas principais iniciativas de experimentação operacional de tecnologias emergentes.
A campanha europeia pretende acelerar a passagem de soluções tecnológicas já em fase avançada de desenvolvimento para testes em condições próximas da realidade operacional.




Segundo a EDA, os ensaios em Santa Margarida abrangem sistemas autónomos aéreos e terrestres, apoio logístico, reabastecimento, evacuação de feridos, reconhecimento e vigilância, além de testes de munições de permanência e de integração entre várias plataformas.
Um dos destaques será a fase prática do Sentinel Strike Challenge, concurso europeu dedicado a munições de permanência, no qual participam cinco empresas selecionadas pela Agência Europeia de Defesa. Entre elas está a portuguesa UAVision Engenharia de Sistemas, ao lado de empresas da Alemanha, Países Baixos, Eslovénia e Grécia. Os sistemas serão testados em condições controladas e operacionalmente exigentes.
Os testes destinam-se a avaliar não apenas o funcionamento das tecnologias, mas também o seu desempenho ao longo de todo o ciclo de missão, a resistência em ambiente operacional e a capacidade de integração com outras plataformas. A EDA sublinha que estas avaliações não constituem um processo de aquisição, mas procuram gerar informação útil para futuras decisões sobre capacidades militares.
O chefe do Estado-Maior do Exército, general Eduardo Mendes Ferrão, tinha antecipado em julho à Lusa que a realização da campanha europeia em Santa Margarida representava uma afirmação de Portugal nos domínios da experimentação, inovação e investigação militar.
“Vai ser o mês da grande projeção nacional nos domínios da experimentação, da inovação e da investigação no ambiente militar”, afirmou então, destacando a escolha de Portugal pela Agência Europeia de Defesa.
Segundo o responsável, o objetivo do ARTEX26 passa por “experimentar antes de adquirir, aprender antes de implementar e inovar em parceria”, aproximando os utilizadores militares da indústria, universidades e centros de investigação e reduzindo o risco associado à adoção de novas tecnologias.
A escolha de Santa Margarida surge também ligada à intenção de transformar o campo militar num espaço nacional de experimentação regulada, permitindo testar tecnologias emergentes em ambiente controlado e com regras adaptadas à inovação.




A Agência Europeia de Defesa identifica a campanha em Portugal como parte do EU OPEX26, iniciativa que este ano terá também uma segunda fase na Suíça, em novembro. A edição portuguesa procura consolidar uma rede multinacional de experimentação e reforçar a cooperação entre Estados-membros, forças armadas, indústria e investigação.
O Exército admite ainda que a experiência adquirida em 2026 possa abrir caminho à realização, em 2027, de um exercício da NATO dedicado a sistemas terrestres não tripulados, embora essa possibilidade ainda não esteja formalmente confirmada.
