Antigo cinema volta à agenda perante degradação do centro histórico de Alferrarede. Foto arquivo: mediotejo.net

A degradação de antigos edifícios industriais e outros imóveis no centro histórico de Alferrarede voltou à discussão na Câmara de Abrantes, com alertas para situações que podem afetar a segurança e a saúde pública e o município a anunciar que pretende retomar contactos para tentar adquirir o antigo cinema.

O assunto foi levantado pelo vereador do PSD João Morgado, que disse ter sido abordado por moradores preocupados com o estado de antigas infraestruturas industriais, algumas das quais, afirmou, apresentam um nível de degradação que pode colocar em causa a via pública e propriedades vizinhas.

“Vários cidadãos que residem naquela zona têm demonstrado a sua preocupação por várias vezes pelo estado de degradação de algumas infraestruturas industriais”, afirmou o vereador na reunião do executivo municipal de 08 de setembro.

Segundo Morgado, há imóveis devolutos que estarão a colocar “em perigo a propriedade privada e a saúde pública” de moradores das imediações, tendo questionado a Câmara sobre as medidas tomadas junto dos proprietários e sobre a estratégia municipal para devolver população e atividade ao centro histórico de Alferrarede.

O presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos (PS), reconheceu a existência de problemas, atribuindo parte das dificuldades à propriedade privada dos imóveis e à capacidade de intervenção sobre património que não pertence ao município.

“Alferrarede padece daquilo que outros centros históricos padecem. Temos muitos problemas de privados na gestão dos seus patrimónios”, afirmou.

Valamatos reconheceu existirem situações que podem afetar as condições de vida em comunidade, a saúde pública e, nalguns casos, a segurança, defendendo que estas devem ser comunicadas ao serviço municipal de Proteção Civil para que os proprietários possam ser notificados.

Cinema continua por resolver

No centro da discussão voltou a estar o antigo cinema de Alferrarede, edifício emblemático situado no coração da zona histórica e cuja recuperação é discutida há vários anos sem que tenha sido possível ao município chegar a acordo para a sua aquisição.

João Morgado recordou anteriores intenções de “requalificar, reconstruir, dar uma nova vida ao cinema de Alferrarede”, considerando que a recuperação do equipamento poderia funcionar como impulso para a revitalização de toda aquela área.

Valamatos afirmou que o município pretende voltar a tentar desbloquear o processo, depois das dificuldades encontradas devido à multiplicidade de proprietários.

“Tivemos dificuldade de chegar a uma abordagem a este propósito. A lei também mudou, promove aqui alguma facilidade na articulação. Vamos novamente iniciar esse processo de contactos”, anunciou.

O presidente utilizou a multiplicidade de proprietários para ilustrar a dificuldade de chegar a acordo numa aquisição, salientando que basta a oposição de um dos envolvidos para inviabilizar uma solução consensual.

A intenção municipal de recuperar o antigo cinema não é nova. Já em 2018, a então presidente da Câmara, Maria do Céu Albuquerque, confirmava negociações para a aquisição do imóvel, inaugurado em dezembro de 1950 por iniciativa de um grupo de cidadãos, com o objetivo de o integrar num projeto mais vasto de regeneração do centro histórico de Alferrarede.

Em 2020, Manuel Jorge Valamatos voltava a considerar o edifício uma peça “histórica e emblemática” de Alferrarede e defendia a sua recuperação como elemento estruturante para devolver dinâmica àquela zona. O autarca recordava então que o largo do cinema tinha sido um espaço intensamente vivido por várias gerações.

A recuperação do imóvel acabou por ser incluída como possibilidade na estratégia municipal para a Área de Reabilitação Urbana (ARU) de Alferrarede, juntamente com a requalificação do Largo do Teatro e da Rua do Comércio, o reordenamento da estação ferroviária e outras intervenções destinadas a promover a regeneração daquela área.

Atualmente, Alferrarede já dispõe de uma ARU, através da qual os proprietários podem beneficiar de incentivos fiscais e financeiros para recuperação de imóveis. O município tem defendido este instrumento como forma de estimular o investimento privado em edifícios degradados e devolutos.

Apesar dos problemas identificados, Valamatos considera que o centro histórico de Alferrarede é uma das zonas do concelho com maior potencial de transformação, apontando o Parque de Ciência e Tecnologia – Tagusvalley e a futura instalação da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes naquela área como fatores que poderão impulsionar a regeneração.

“O centro histórico de Alferrarede é das zonas do concelho […] onde o futuro é mais promissor”, afirmou o presidente da Câmara, defendendo que a Escola Superior de Tecnologia e o Parque de Ciência e Tecnologia podem impulsionar o desenvolvimento daquela zona.

A instalação da nova Escola Superior de Tecnologia está definida para o complexo do Tagusvalley, através da reconversão de antigos pavilhões industriais, num projeto que o município integra na estratégia de regeneração urbana de Alferrarede.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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