Foto: mediotejo.net

Ao longo de largos meses, um vasto número de colectividades e milhares de dirigentes associativos, sócios e outros participantes dedicam-se à construção e realização das suas festas anuais. As commumente designadas por “festas de verão” representam um importante elemento de união das comunidades.

As festas são momentos de reencontro. Voltam à terra aqueles que partiram por motivos profissionais ou académicos, muitos deles que emigraram à procura de uma vida melhor – que a terra e o país não têm para oferecer. São momentos de fortalecimento dos laços que nos unem aos nossos vizinhos. Em prol do convívio e fraternidade local, a força de trabalho de cada um é posta ao serviço da comunidade.

Há que valorizar este trabalho colectivo. Os dirigentes associativos e todos os participantes estão de parabéns por continuarem este trabalho, dando a sua força e o seu tempo, muitas vezes abdicando de tempo com a família e de descanso. O trabalho voluntário, sem perspectiva de qualquer retorno financeiro, contraria a lógica do individualismo que é impingida nas várias áreas das nossas vidas.

Quando uma população se une para concretizar um evento desta envergadura, está a resistir ao alheamento que as condições socio-económicas impõem. São demonstrações de que é possível concretizar eventos sem seguir a lógica mercantilista do lucro. São relances da possibilidade de uma sociedade melhor, mais participativa, mais unida.

Acabadas as festas, permanecem várias dificuldades profundas. Existe toda uma actividade regular a manter. Com festa ou sem festa, os apoios são escassos. Tanto a nível municipal, como do Estado Central, os apoios não fazem justiça ao retorno que o Movimento Associativo Popular (MAP) dá à sociedade. Porém, com união é possível obter mais, é possível conseguir uma legislação mais justa.

Numa dessas acções reivindicativas, a Confederação Portuguesa de Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, está a promover um abaixo-assinado (https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT132694). A CPCCRD reivindica para o MAP a aplicação urgente das seguintes medidas:

  1. Linha de apoio plurianual ao funcionamento regular das colectividades, clubes e associações;
  2. Redução do IVA para 6% no gás e electricidade;
  3. Devolução do IVA pago na compra de materiais e equipamentos para actividades culturais e desportivas;
  4. Actualização da isenção de IRC para 35 mil euros;
  5. Linha de apoio à regularização dos edifícios do Movimento Associativo e Popular.

Estas medidas constituem passos importantes para um maior desafogo do MAP. No entanto, permanece a necessidade de fortalecer o poder reivindicativo, nomeadamente com uma Confederação mais forte. A filiação das colectividades na CPCCRD é um importante factor de união do MAP.

A divulgação de acções e outras actividades, como este abaixo-assinado, é uma grande ajuda para que se possa levar avante as reivindicações. É já hora do trabalho dos dirigentes associativos seja reconhecido e valorizado, começando por quebrar barreiras à sua execução.

Natural de Torres Novas (1989), onde vive. É artista visual e doutorando em História da Arte. Licenciado em Filosofia, mestre em Mercados da Arte. Membro da Comissão Concelhia de Torres Novas do PCP e membro da Direção da Organização Regional de Santarém do PCP.

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