Foto: mediotejo.net

Os últimos dias têm sido de denúncia e partilha de imagens nas redes sociais referentes ao estado em que se encontra o rio Tejo, coberto de uma camada de um verde quase fluorescente, no que aparenta ser um misto de algas, limos e lodo. Situação que se tem verificado nomeadamente na zona de Belver e praia fluvial do Alamal, concelho de Gavião, bem como junto à Barragem de Belver e praia fluvial de Ortiga, concelho de Mação.

O movimento ambientalista proTEJO reconhece que o fenómeno não é novo, e que é até usual nesta altura do ano, mas culpa Espanha pelo esvaziamento das barragens e critica a má gestão dos caudais em prol da produção hidroelétrica e sem respeito pela bacia hidrográfica do Tejo.

Devido ao incumprimento da Convenção de Albufeira, o proTEJO pondera avançar com queixa à Comissão Europeia por má gestão Portugal/Espanha dos caudais e mostra-se contra a construção de mais barragens, crendo que essa não é uma solução.

Esta quarta-feira, dia 15, esta película verde já se verifica a acumular-se nos cantos e recantos das margens do rio, flutuando com ao sabor do vento e consequente movimentação das águas.

Porém, ainda é muito visível o cenário denunciado pelo proTEJO e por diversos cidadãos que ao caminharem nos passeios pedestres junto ao rio, questionaram sobre este manto verde.

VÍDEO de Arlindo Consolado Marques, o “Guardião do Tejo” e membro do movimento ambientalista proTEJO, realizado a 14 de setembro

O proTEJO afirma que este lodo verde “vem diretamente de Espanha da barragem de Alcântara como era de calcular e consta das denúncias das associações ecologistas e dos jornais da Estremadura”, apontando que a culpa é do “esvaziamento das barragens de Alcântara e Valdecañas em julho para produzir energia hidroelétrica por parte da Iberdrola”.

“Ainda acham que a energia hidroelétrica é verde? Só se for da cor do lodo que cobre o rio Tejo”, critica o movimento em comunicado.

Por outro lado, o proTEJO sublinha a inércia por parte da tutela, que não tem feito cumprir com a lei e com a Convenção de Albufeira.

“O Senhor Ministro do Ambiente e Ação Climática João Pedro Matos Fernandes também deve fazer cumprir a Convenção de Albufeira quanto à qualidade das águas vindas de Espanha de modo a existir um bom estado ecológico das massas de água do rio Tejo.
O Tejo merece melhor!”, afirmam os ambientalistas.

O mediotejo.net entrevistou Paulo Constantino, porta-voz do proTEJO que abordou este fenómeno e reconheceu que nada disto é novidade, tendo vindo ao longo dos últimos anos o movimento ambientalista a chamar a atenção para a necessidade de defender a saúde do rio, quer em termos de quantidade, quer em termos de qualidade da água disponível.

ÁUDIO | Paulo Constantino, porta-voz do movimento ambientalista proTEJO

Na senda destes acontecimentos, o proTEJO admite que pondera avançar com queixa à Comissão Europeia devido à má gestão da bacia hidrográfica do Tejo.

O movimento acusa a “gestão puramente económica” para a produção de energia hidroelétrica em Espanha, e critica a gestão de Portugal e Espanha da bacia hidrográfica do rio Tejo.

“Não estão a ser acautelados os valores ecológicos da bacia hidrográfica e, nomeadamente, o cumprimento da Diretiva Quadro da Água que prevê que se faça tudo para se assegurar o bom estado ecológico de todas as massas de água da bacia do Tejo”, conclui Paulo Constantino.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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