Foto: Arlindo Marques

O ambientalista Arlindo Marques estava ontem a filmar mais um episódio de poluição na Ribeira da Boa Água, em Torres Novas, quando terá sido subitamente agredido no peito e a sua viatura fortemente danificada, após ter sido abalroada por outro carro.

Arlindo Marques disse ao mediotejo.net que as agressões serão “represálias” pela sua atividade de denúncia de problemas ambientais no rio Tejo e seus afluentes e assegura que o caso “vai seguir para o Ministério Público”.

Arlindo Marques abraçou a causa da luta contra a poluição do Tejo. Foto: DR

O relato do ativista foi hoje tornado público na sua página pessoal do Facebook. Ali, relata que no dia 25 julho, pelas 11 horas, ao estar junto ao seu carro estacionado na beira da estrada que liga Torres Novas à Meia Via, e estando no interior o seu filho de 10 anos a observar mais uma grande descarga de poluição que corria na Ribeira da Boa Água, uma viatura parou e, sem perguntar nada, um dos seus ocupantes agrediu Arlindo Marques no peito.

Tal como o mediotejo.net confirmou junto da PSP de Santarém, a ocorrência envolveu três pessoas: Arlindo Marques e outros dois homens (pai e filho), donos da Fabrióleo, já por diversas vezes apontada pela Agência Portuguesa do Ambiente como fonte poluidora na região, tendo chegado mesmo a ser proibida de fazer descargas.

“Claro que eu reagi mas com palavras e não do mesmo modo. Estando eu a falar com o senhor, e já mais calmo, passa uma carrinha Volvo em alta velocidade do sentido de Torres Novas-Meia Via, e qual não é o meu espanto quando essa carrinha faz marcha atrás a toda a velocidade e destrói-me a parte da frente do meu carro, ao ponto de este quase cair para a ribeira”.

O acontecimento, que terá posto em perigo a vida de uma criança, além da do próprio ativista, foi reportado à polícia e irá avançar para tribunal.

Defensor acérrimo da liberdade do rio e do combate aos interesses económicos de quem polui o Tejo “de todos nós”, Arlindo Marques, 50 anos, guarda prisional de profissão, é tratado pela comunidade piscatória e ambientalistas como “O Guardião do Rio” (reveja a nossa entrevista). Diz que foi há três anos que a luta ganhou outros contornos em termos de consciencialização ambiental e exercício de cidadania pelo agravar dos episódios de poluição e baixos caudais.

“Hoje chamam-me ‘o guardião do rio’ e fico orgulhoso por um rio que não é só meu mas de todos nós. Até as crianças já me reconhecem e perguntam-me se a água está boa para banhos, antes de mergulharem no Tejo.”

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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