Compreender o que significa viver com daltonismo foi o desafio lançado a alunos da Escola Básica de São Pedro, em Tomar, através de uma ação do projeto ColorADD que pretende sensibilizar crianças e comunidade escolar para a importância da inclusão e da comunicação acessível através da cor.
A iniciativa “Ver e Sentir as Cores” decorreu no dia 11 de maio, com o acompanhamento da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, envolvendo 14 alunos do 3.º ano do ensino básico numa experiência prática sobre as limitações provocadas pelo daltonismo e as soluções criadas para ultrapassá-las.
Durante a sessão, orientada por Bárbara Santos, os alunos utilizaram óculos que simulam diferentes formas de daltonismo e trabalharam com lápis identificados através do Código ColorADD, sistema criado para facilitar a identificação das cores por pessoas daltónicas.
O exercício permitiu aos participantes perceber como tarefas simples do quotidiano, como pintar um arco-íris, escolher roupa ou interpretar sinalética baseada em cores, podem tornar-se difíceis para quem vive com esta perturbação visual.





O daltonismo, também conhecido como discromatopsia, afeta cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo. A condição, hereditária e sem cura, dificulta a distinção de determinadas cores devido ao funcionamento anómalo dos cones da retina, sendo mais comum a dificuldade em distinguir vermelho e verde.
Para responder a esta realidade, o designer português Miguel Neiva desenvolveu o Código ColorADD, conhecido como o “alfabeto das cores”, um sistema universal assente em símbolos gráficos simples e intuitivos.
Presente na sessão, Miguel Neiva explicou que o objetivo do projeto passa por criar uma linguagem inclusiva que permita às pessoas daltónicas interpretar as cores de forma autónoma. O responsável destacou ainda a importância das ações nas escolas, considerando fundamental sensibilizar desde cedo a comunidade educativa para esta condição.
Segundo Miguel Neiva, o programa é desenvolvido desde 2012 em mais de 122 municípios, não só em Portugal mas também noutros países, incluindo Espanha, Índia e Moçambique. As iniciativas incluem igualmente rastreios precoces de daltonismo realizados em parceria com óticas locais.




Na sessão participou também Margarida Cotovio, que sublinhou a relevância destas atividades para a deteção precoce de situações que frequentemente passam despercebidas no contexto escolar.
Com esta ação, a Escola Básica de São Pedro juntou-se às 245 sessões “Ver e Sentir as Cores” já promovidas no Médio Tejo desde o ano letivo de 2022/23. No mesmo período foram realizados 3753 rastreios de daltonismo, que permitiram identificar mais de uma centena de casos e várias situações de dificuldades de acuidade visual.
Além das sessões dedicadas ao daltonismo, o projeto inclui também a iniciativa “Bullying, o lado cinzento das cores”, focada na promoção da empatia, da aceitação da diferença e da entreajuda em contexto escolar.
A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo é investidora social do projeto ColorADD no âmbito do programa Portugal Inovação Social, financiado pelo Fundo Social Europeu+ e pelo Portugal 2030, através do Centro 2030.
