Regressa o debate sobre a necessidade de um aeroporto na região centro. Foto: D.R.

Encontra-se a decorrer online uma Petição Pública para abrir a Base Aérea de Monte Real à aviação civil, atualmente com cerca de 968 assinaturas. A petição, remetida via email pelo município de Caldas da Rainha e pelo município de Castanheira da Pêra, distrito de Leiria, foi brevemente discutida durante a reunião camarária de Alcanena de 6 de março, sendo lembrado pelo conjunto do executivo que esta já é uma discussão antiga e com diferentes entendimentos.

O texto da petição faz alusão à proximidade de Fátima e como a cidade do concelho de Ourém beneficiaria com os voos “charter” a aterrarem em Monte Real. Na reunião de câmara de Alcanena de 6 de março, o tópico levou o vereador Artur Rodrigues a lembrar a problemática e as potencialidades para a região, defendendo que a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo deveria apostar mais na valorização do aeródromo de Tancos. O tema foi brevemente corroborado pelo executivo socialista, lembrando-se os muitos anos de discussão em torno de um aeroporto na região de Fátima.

A petição, dirigida ao Presidente da República, Presidente da Assembleia da República e Primeiro Ministro, começa por pedir que “a Base Aérea Nº5 (BA5) de Monte Real seja dotada das infraestruturas necessárias para permitir a regular utilização por parte de aviões civis e comerciais”.

Continua lembrando que “os sucessivos governos têm protelado a celebração de contratos efetivos para viabilizar esta pretensão antiga e justificada da população, entidades e instituições da Região Centro de Portugal, inviabilizando uma possível complementaridade à aviação militar que, apesar de se assumir como estratégica para o país e para a NATO, oferece escassos benefícios à economia da nossa região”.

“Existe um universo de 2,4 milhões de habitantes e mais de 73.000 empresas que podem beneficiar diretamente deste equipamento”, salienta. “No centro de Portugal existe uma forte dinâmica social, cultural, religiosa, académica e empresarial que é transversal a vários setores de atividade que vão desde a agricultura, à indústria, dos serviços, ao turismo, passando pela gastronomia. Esta dinâmica consolidada e ascendente só poderá ser acompanhada por investimento público na região!”, refere.

Lembra deste modo que as “mais de 50.000 camas disponíveis na região mostram que o setor da hotelaria, por exemplo, “agradeceria” a chegada de aviões “charter” com regularidade, sobretudo porque a BA5 em Monte Real fica tão próxima de um dos destinos mais procurados pelos estrangeiros em Portugal, Fátima, que chega a atrair seis milhões de visitantes ao ano”.

“A aviação civil em Monte Real pode assumir-se como uma alternativa séria ao Aeroporto de Lisboa ou mesmo do Porto, em caso de necessidade”, argumenta. “A atrativa Região Centro do país necessita de infraestruturas, de forma a alicerçar o crescimento sustentável a médio e longo prazo, num território em que está localizada boa parte das empresas nacionais que revelam maior vocação exportadora”, termina

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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