O município de Alcanena vai integrar um projeto-piloto de territórios inteligentes da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, que prevê a instalação de equipamentos e plataformas digitais em 11 áreas de intervenção, com o objetivo de melhorar a gestão dos serviços públicos e reforçar a capacidade de resposta às necessidades da população.
A iniciativa inclui soluções tecnológicas para a mobilidade, ambiente, proteção civil, eficiência energética e ação social, contemplando também ferramentas de acompanhamento da população idosa que vive isolada.
Segundo informação divulgada pela Câmara de Alcanena, o projeto pretende disponibilizar dados que permitam fundamentar as decisões municipais, otimizar a utilização de recursos como a energia e a água e melhorar a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos.
Entre as medidas previstas encontram-se sistemas de gestão dos transportes e estacionamento, monitorização dos fluxos de pessoas e turistas, acompanhamento de indicadores ambientais e soluções de apoio à proteção civil.
Na área da eficiência energética, estão contempladas ferramentas para monitorizar os consumos dos edifícios municipais e da iluminação pública, bem como sistemas de rega inteligente e gestão dos resíduos urbanos.
O projeto abrange ainda a georreferenciação de equipamentos e ativos públicos, permitindo identificar a sua localização e apoiar a respetiva gestão e manutenção, além de ferramentas para registar e acompanhar ocorrências em instalações municipais.
Tecnologia para apoiar idosos e gerir recursos
Uma das componentes previstas está relacionada com a saúde e o bem-estar, através de ferramentas de monitorização da população idosa isolada, numa área em que a tecnologia poderá contribuir para identificar necessidades e apoiar a intervenção dos serviços municipais.
Estão igualmente previstas soluções de gestão dos apoios sociais e de monitorização da qualidade do ar no interior dos edifícios, permitindo recolher informação relevante para o funcionamento dos equipamentos públicos.
No domínio da mobilidade, a autarquia esclarece que o equipamento destinado à contagem de tráfego não fará qualquer gravação de imagens de pessoas ou veículos.
Segundo o município, o processamento será realizado no próprio equipamento, sendo transmitidos apenas os dados das contagens e os respetivos indicadores estatísticos.
O objetivo é disponibilizar informação sobre a circulação rodoviária sem recorrer ao armazenamento de imagens, contribuindo para um melhor conhecimento das necessidades de mobilidade do concelho.
Projeto regional financiado pelo PRR
A participação de Alcanena enquadra-se no projeto “Médio Tejo + Inteligente – Plataforma de Gestão Urbana”, promovido pela CIM Médio Tejo, com um investimento global aprovado de 1,641 milhões de euros, financiado a 100% pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
A candidatura, apresentada em novembro de 2024 e aprovada no início de 2025, prevê o desenvolvimento de uma plataforma intermunicipal de gestão urbana, associada a diferentes ferramentas digitais especializadas, com uma média de dez áreas de intervenção por município.
O sistema pretende integrar informações provenientes de sensores, equipamentos e serviços municipais numa plataforma comum, permitindo acompanhar indicadores, identificar situações que necessitem de intervenção e apoiar decisões sobre a gestão do território.
A iniciativa insere-se na Estratégia Nacional de Territórios Inteligentes (ENTI), aprovada pelo Governo em dezembro de 2023, que procura promover a utilização de dados e tecnologias digitais para uma administração pública mais eficiente, sustentável e próxima das populações.
A estratégia nacional conta com um investimento de 60 milhões de euros do PRR e abrange áreas como mobilidade, ambiente, energia, economia e qualidade de vida.
No Médio Tejo, a modernização digital integra também a estratégia regional de desenvolvimento, procurando reforçar a cooperação entre municípios e a partilha de soluções tecnológicas.
Com a participação no projeto, Alcanena pretende melhorar a capacidade de analisar as necessidades do concelho e fundamentar as decisões municipais com recurso à informação recolhida pelas novas ferramentas digitais, tendo como objetivos uma gestão mais eficiente dos recursos públicos e a melhoria da qualidade de vida da população.
