*atualizada às 18h13
Cerca de meia centena de moradores da Serra de Santo António e Minde foram à reunião camarária de 19 de março, segunda-feira, exigir ao executivo que reabra a estrada que liga as duas localidades. O troço é uma via a pique que sobe/desce a Serra de Santo António e encontra-se em más condições, pelo que, não obstante os apelos dos habitantes, a presidente Fernanda Asseiceira não deixou grande margem para uma eventual reabertura da estrada antes da realização das obras, previstas para este ano. Entretanto, os blocos cimento usados para impedir a circulação continuam a desaparecer.
A decisão de encerrar a estrada que liga Serra de Santo António a Minde, um troço que sobe/desce a pique a serra, foi tomada em janeiro, após as várias tentativas de condicionar o trânsito com elementos amovíveis terem falhado. A estrada, com cerca de 30 anos, apresenta grande perigosidade em tempo de chuva e tendia a ser fechada nessas circunstâncias. No entanto a população continuou sempre a passar, tendo inclusive desaparecido a vedação mais pesada colocada entretanto pelo município, que impedia a circulação, o que resultou numa queixa da Câmara à GNR.
Na reunião camarária de segunda-feira, 19 de março, cerca de meia centena de moradores da Serra de Santo António e Minde foram pedir ao executivo que deixe o troço aberto. O primeiro a intervir foi o morador Rui Capaz, referindo-se como o criador do movimento “Estrada Aberta”, defendendo que a estrada não devia ter sido fechada sem antes se fazer uma sessão pública sobre o tema.
O desvio atual de sete quilómetros, a consciência comum de que se tem que andar devagar na estrada, a falta de obras na via quando há muito é considerada uma intervenção prioritária, o prejuízo causado sobre o comércio local e mesmo para as pedreiras de Fátima (muitos dos funcionários serão utilizadores da estrada) foram algumas das questões levantadas pelos vários presentes. Também a presidente da junta de Serra de Santo António, Marlene Carvalho, se manifestou, afirmando a sua abertura para que haja diálogo.
“A estrada é para ser intervencionada em 2018”, afirmou Fernanda Asseiceira, informação que reiteraria diversas vezes durante a sessão. A autarca reconheceu que a estrada é uma via essencial de acesso entre a Serra e Minde e que causa transtorno o seu encerramento, mas dada a perigosidade da mesma, e face a um parecer técnico que o confirmou, decidiu-se que a atitude mais responsável para com a segurança das populações era interditar a circulação.
Desde 2013, adiantou, houve cerca de duas dezenas de ocorrências naquela estrada, nomeadamente vários despistes. “Compreendam a nossa posição”, apelou, “temos que tomar uma decisão. A estrada está mal” e já não se resolvia com o contínuo tapar de buracos.
Fernanda Asseiceira explicaria ainda que não se avançou antes para a obra porque houve outras prioridades ao longo dos anos, estando esta finalmente prevista para 2018.
As explicações da presidente, porém, não convenceram quem estava presente, manifestando-se dúvidas que as obras de requalificação se realizem efetivamente nos próximos meses, mantendo-se a estrada indefinidamente fechada. O consenso geral foi de que a estrada é necessária e tem que permanecer aberta de qualquer maneira.
Presente na sessão esteve também Ricardo Jorge, que se apresentou como administrador da pedreira de Fátima FILSTONE. O responsável manifestou disponibilidade ao executivo para ajudar, juntamente com outros colegas, na intervenção necessária à estrada, de forma a acelerar o processo, constatando que a obra será eventualmente mais dispendiosa do que se prevê, dadas as características do terreno.
Fernanda Asseiceira acabaria por prometer reanalisar o caso, mas por enquanto a decisão de manter a estrada encerrada ao trânsito é para permanecer. Dos Cidadãos por Alcanena, Gabriel Feitor e Maria João Rodolfo constataram que o que aprovaram em janeiro foi o reforço da sinalética de difícil remoção, face ao parecer técnico que alertava para a perigosidade da estrada, não se tendo especificado na altura que este seria por tempo indeterminado.
Esta terça-feira, 20 de março, o município fez circular um comunicado de imprensa, em que “reforça a deliberação tomada a 8 de janeiro de 2018, considerando as informações técnicas que reportam o grau de perigosidade do troço sujeito a corte de trânsito e a informação da Proteção Civil (Bombeiros Voluntários de Minde) que referem a existência regular de acidentes vários no referido troço” da estrada da Serra-Minde.
Lamenta assim o “vandalismo” que tem ocorrido no local, “de destruição das estruturas e sinalética colocada no local pela Câmara Municipal”. “Lamentamos, ainda mais, os constrangimentos pessoais e/ou económicos que a situação (provisória) possa causar”, refere.
O texto reforça que a decisão de encerramento da via foi tomada no objetivo de “salvaguardar a proteção de pessoas e bens” e que o município “tinha já assumido o compromisso de reabilitar este troço de estrada no ano 2018, estando a diligenciar todos os procedimentos, para que essa intervenção ocorra no mais curto espaço de tempo, prevendo iniciar os trabalhos no mês de abril de 2018”.
