ER361 tem sido uma preocupação constante para a autarquia de Alcanena e vai agora ser reabilitada. Foto: mediotejo.net

Um troço com perto de oito quilómetros, que atravessa boa parte da freguesia de Monsanto, concelho de Alcanena, está há cerca de uma década a precisar de requalificação, num estado de deterioração que tem vindo a piorar ao longo dos anos. As Infraestruturas de Portugal (IP) referem que a zona possui grande complexidade e terão que ser realizados estudos de impacto ambiental. Mas quem circula de carro desespera, numa estrada onde frequentemente se registam danos graves com automóveis e por onde passam algumas dezenas de camiões de transporte de pedra todos os dias. A requalificação mantém-se prevista para 2017, mas sem datas objetivas para o seu arranque. 

Há algumas confusões com a toponímia. Onde começa o troço da Estrada Nacional (EN) 361 a precisar de requalificação urgente: em Amiais de Baixo ou Amiais de Cima? Há documentos oficiais que atestam os dois nomes, terras a cerca de três quilómetros de distância. O presidente da junta de Monsanto, Orlando Filipe, esclarece: é ao quilómetro 62 (concretamente 61+890), pelo que a referência mais correta será Amiais de Cima, concelho de Santarém, apesar de à zona em causa chamarem de “Arroteia”.

Desde 2013 que se conhece um projeto para requalificação deste troço, mas a obra tarda em chegar. Em julho, um esclarecimento pedido pelos deputados do PS do círculo de Santarém dava conta que “foram introduzidas modificações ao Projeto Inicial de Beneficiação, facto que alterou a data prevista para a sua conclusão. Informa-se ainda que o Projeto encontra-se em fase de revisão e que no final do mês de julho o mesmo deverá estar em condições de ser submetido a procedimento de Avaliação de Impacto Ambiental, uma vez que a beneficiação desta estrada interfere com território abrangido pela Rede Natura”.

Desde então as assembleias municipais têm tido alertas frequentes do estado de degradação da estrada, da possibilidade forte de ocorrerem acidentes graves e de constantes pedidos ao executivo municipal para que interpele a IP, pedindo urgência na intervenção.

Face a um pedido de ponto de situação do mediotejo.net, a IP refere que “está a desenvolver os necessários Estudos prévios para a execução da empreitada que, estando este troço inserido numa zona especialmente sensível, requer uma avaliação de impacte ambiental. Com um custo de investimento estimado em cerca de 2,8 milhões de euros, está previsto o lançamento da obra no próximo ano, após a imprescindível avaliação ambiental favorável”.

Com mais alguns dados sobre o processo, uma resposta da IP foi lida pelo presidente da assembleia municipal de Alcanena, Silvestre Pereira, durante a sessão de 15 de outubro. Segundo o texto exposto, a IP decidiu “questionar a APA quanto ao facto do projeto de requalificação da ER361 ter ou não enquadramento na legislação”, ou seja, se precisa efetivamente de um estudo de impacto ambiental. A situação será abordada com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) a 20 de outubro, numa reunião agendada com a Câmara de Alcanena.

Mas Orlando Filipe tem pouca esperança na celeridade do processo. Ao mediotejo.net o autarca mostrou alguns dos troços mais perigosos desta estrada, salientando a perigosidade do quilómetro 62,5, onde um conjunto de abatimentos e buracos “remendados” junto a uma curva, que criaram algumas lombas, provocam um susto a quem não estiver a contar com a degradação da estrada e venha com alguma velocidade.

“Esta estrada é extremamente importante”, salientou o autarca, e “estava na hora de reavaliarem o ponto de situação”, tendo em conta o grande número de camiões que por aqui passam, sendo esta uma artéria importante a muitas das pedreiras da região de Alcanede. A esta realidade juntam-se os prejuízos materiais, de pneus rebentados a jantes danificadas, que afetam o dia-a-dia de quem circula.

Orlando Filipe admite que a zona tem muitos sobreiros, mas argumenta que muitos deles já foram queimados pelos fogos. “Fala-se num parque ambiental, não sei (…) Penso que estava na hora, que isto é uma vergonha! Deve ser das piores estradas do país”.

Na assembleia municipal de 15 de outubro foi ainda aprovada por unanimidade uma moção para enviar a várias entidades nacionais, por forma a alertar para os riscos que a estrada atualmente acarreta. Assim, apelou-se à IP que desenvolva “as ações que permitam obter a aprovação deste projeto, que contempla a beneficiação e correção do traçado, troço Amiais de Cima-Monsanto – Alcanena; garantir a dotação orçamental que permita o lançamento do Concurso para realização desta empreitada; calendarizar a execução da empreitada para que a sua realização ocorra antes do período de inverno de 2017”.

Para quem passa na EN361 alerta-se para o cuidado. A circulação está perigosa.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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