O Festival de música de rua – Brass It – promovido pela Associação Improviso Divergente e que teria lugar a 3 de outubro, foi cancelado após um desentendimento entre a coletividade e a Câmara Municipal de Alcanena. O tema passou pela Assembleia Municipal, mas foi novamente discutido esta terça-feira, 6 de outubro, em reunião camarária, com a oposição a pedir mais explicações à presidente, Fernanda Asseiceira (PS). O montante com que o município ia apoiar o Festival foi reduzido quando faltavam duas semanas para o evento. A oposição apontaria uma situação onde falhou a comunicação.
O tema foi levantado pela vereadora dos Cidadãos por Alcanena, Maria João Rodolfo, questionando o que sucedera com a associação Improviso Divergente. Fernanda Asseiceira (PS) começou por explicar que, face a um programa inicial que contemplava 10 bandas e vários dias de festival, apoiado inclusive por outros municípios, num orçamento de 22 mil euros, o município se dispôs a apoiar com 5 mil euros. Entretanto entrou a pandemia e a realização do evento ficou em aberto.
O município acabaria por ser informado que o Brass It se iria realizar, mas em condições diferentes, nomeadamente em itinerância. Fernanda Asseiceira explicou que manteve o apoio de 5 mil euros, mas não se apercebeu de imediato que a programação havia sido completamente alterada.
Só posteriormente, afirmou, decidiu esclarecer a situação e pediu mais informação. Ficou assim a saber que o festival ficara reduzido a um dia e apenas com três bandas, tocando apenas no concelho de Alcanena. O orçamento fora reduzido a 5 mil euros, ou seja, seria financiado totalmente pelo município, que era afinal o único parceiro do evento.
Face à constatação das grandes alterações efetuadas ao programa do festival, decidiu-se diminuir o apoio municipal para 3 mil euros. Quando recebeu esta informação, a associação decidiu cancelar o festival.
Fernanda Asseiceira manifestou estar de consciência tranquila quanto à atuação do município e que não entendia a polémica, uma vez que com 3 mil euros ainda seria possível encontrar condições para fazer o festival. Maria João Rodolfo concluiria que terá havido um problema de comunicação entre as partes.
Na página de facebook do festival, a associação Improviso Divergente explica que “não foi possível reunir os apoios necessários para a realização do Brass iT 2020. Foram propostos formatos que davam cumprimento às restrições em vigor no território nacional, bem como formatos que permitiam realizar o evento em segurança e com um orçamento muito modesto, tendo em conta as condições excepcionais que vivenciamos. Mas, nem assim, foi possível garantir as condições financeiras para o Brass iT 2020 sair à rua”.
“A organização agradece às bandas que já estavam contratadas por entenderem a situação e assume todos os custos incorridos até ao momento em que recebeu confirmação oficial da falta de apoio necessário. A motivação da AID em transformar o Brass iT num dos principais festivais de música de rua do país, mantém-se intacta. No entanto, compete-nos avaliar todos os cenários que o permitam concretizar de forma sustentável”, conclui.
O mediotejo.net contactou os dirigentes da associação, que ficaram de enviar um comunicado de imprensa nos próximos dias com a posição oficial da coletividade sobre os acontecimentos que rodearam o cancelamento do Brass It.
