Os protestos do último fim de semana contra os maus cheiros em Alcanena, que chegaram através de uma corrente de emails dirigidos a várias instituições nacionais e de um bunizão noturno, mexeram com os ânimos na Câmara de Alcanena. A presidente, Fernanda Asseiceira (PS), classificou a corrente de emails iniciada pelo movimento SOS Alcanena de “terrorismo social”. “Estou cá em 2021 para assistir às verdadeiras motivações destas pessoas”, comentou na reunião camarária de segunda-feira, 3 de agosto.
O tema foi abordado pela oposição com Gabriel de Oliveira Feitor a questionar a presidente na reunião de executivo sobre a nova onda de maus cheiros da última semana. A presidente ainda começou a ler a ata da anterior reunião camarária, onde explicara o problema ocorrido com a ETAR de Alcanena, mas acabou por resumir, explicando que “o problema do biológico demora tempo a recuperar”.
Fernanda Asseiceira frisou a importância da recuperação da rede de coletores e reiterou que parte do problema dos maus cheiros reside no facto dos industriais de curtumes não cumprirem muitas das medidas para o seu controlo. Adiantou ainda que há cerca de 30 processos de contra-ordenação a decorrer, a maioria dos quais graves.
A presidente acabaria por concluir que não faz sentido continuar a ser ela a porta-voz desta questão, uma vez que é a AQUANENA a entidade responsável pela fiscalização à indústria de curtumes.

Criticaria assim a corrente de emails que encheu as caixas de correio de deputados, jornais e agências governamentais e ambientais apelando ao fim da poluição, considerando que “há movimentos que estão claramente a fazer terrorismo social”, os quais nunca terão pedido uma reunião com a presidente ou a AQUANENA.
“Estou cá em 2021 para assistir às verdadeiras motivações destas pessoas”, concluiu.
