A cerimónia pública de lançamento da empreitada de beneficiação da EN 362 e a apresentação da empreitada de beneficiação da ER 361, em Alcanena e Santarém, decorreu na quarta-feira, dia 24 de outubro, no edifício da Junta de Freguesia de Alcanede, um investimento global da Infraestruturas de Portugal na ordem dos sete milhões de euros.
A iniciativa contou com as presenças do Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, da presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Fernanda Asseiceira, e do presidente da Câmara Municipal de Santarém, Ricardo Gonçalves.
Recorde-se que a Infraestruturas de Portugal já havia lançado, no passado dia 5 de setembro, um concurso para a requalificação da ER 361, entre Amiais de Cima e Alcanena, no valor de 3,5 ME (três milhões e meio de euros). Esta obra, com o prazo de execução de 330 dias, compreende a beneficiação da via entre os quilómetros 61+890, em Amiais de Cima, e 68+910, em Alcanena.
De referir, também, que Câmara Municipal de Alcanena, na sua reunião realizada a 18 de junho, e a Assembleia Municipal, na sessão de 22 de julho também deste ano, deliberaram, por unanimidade, declarar o Interesse Público Municipal da Obra de Requalificação da Estrada Regional 361, no troço Amiais de Cima (Km 61+890) / Alcanena (km 68+910), via que se encontra num avançado estado de degradação, pelo que a requalificação da mesma, no referido troço é uma intervenção prioritária, imprescindível e necessária para garantir o desenvolvimento da região, aos mais diversos níveis, salvaguardando a segurança dos seus utilizadores e a atratividade do território.

Santarém reivindica correção do traçado de estrada que IP quer apenas repavimentar
A Infraestruturas de Portugal (IP) anunciou ainda naquele dia o lançamento da empreitada de beneficiação da estrada nacional 362, em Santarém, obra de 3,3 milhões de euros que “não satisfaz” o município.
“Não somos pessoas ingratas, mas sei que falo em nome de todos os autarcas e da população do norte do concelho quando digo que é manifestamente insuficiente”, disse à Lusa o presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves.
Para o autarca, a reposição de pavimento, “não vai ao encontro dos interesses” do município, pois não prevê a almejada correção do traçado de uma estrada sinuosa que torna morosa a ligação do norte do concelho, onde estão instaladas indústrias “altamente” exportadoras, a Santarém.
“Nenhum Governo percebeu até hoje que esta zona pode ser alavancada com a correção do traçado”, disse Ricardo Gonçalves, recordando que, anualmente, 12.000 camiões saem das pedreiras da região com pedra que é exportada, “em 80% a 90%, para a China, a Europa, os Estados Unidos da América”, além da existência de importantes indústrias de curtumes (que vendem peles para empresas de alta costura internacionais) e de mobiliário.

Ricardo Gonçalves saudou o facto de a IP ter aceitado realizar a cerimónia de lançamento da empreitada de beneficiação da EN362 na sede da Junta de Freguesia de Alcanede, esperando que o contacto com o “ecossistema económico” ajude a perceber como o tecido empresarial da região “pode crescer exponencialmente se existirem vias de acesso com condições”.
Por outro lado, apontou o impacto deste acesso na própria economia de Santarém, já que a cidade acaba por não beneficiar do poder de compra gerado naquela zona do concelho.
Estimando que o custo global da correção da EN362 se situaria nos oito a nove milhões de euros, o autarca defendeu que o valor agora previsto deveria ser atribuído a uma primeira fase dessa obra, qualificando alguns quilómetros, “e ir fazendo de forma faseada”, tendo em conta as “conhecidas dificuldades da IP”.
C/LUSA
