Biblioteca Municipal Dr. Carlos Nunes Ferreira, em Alcanena. Foto arquivo: mediotejo.net

A Biblioteca Municipal de Alcanena integrou a Rede das Bibliotecas Associadas à Comissão Nacional da UNESCO. Na reunião camarária de 16 de março a informação foi transmitida ao executivo, conduzindo a um conjunto de observações da oposição. Segundo Maria João Rodolfo (Cidadãos por Alcanena), a Rede da UNESCO perdeu qualidade e não teve em conta todo um conjunto de problemas estruturais da Biblioteca de Alcanena.

Maria João Rodolfo começou por felicitar a integração da Biblioteca na Rede da UNESCO. “No entanto, para não sermos intelectualmente desonestos, não podemos deixar de registar uma série de factos que nos causa estranheza no processo desta integração”, notou.

“Em primeiro lugar, dizer que, hoje, o processo de integração das bibliotecas na rede UNESCO não é o mesmo de há uns anos. Houve uma significativa quebra na exigência dos critérios de admissão; e mesmo a definição do modelo de biblioteca para a UNESCO mudou consideravelmente para pior (verificar as várias alterações às edições de “The Public Library Service: IFLA/UNESCO”). São vários técnicos portugueses, aliás, que já o denunciaram tornando públicas as suas discordâncias”, referiu.

A vereadora deu como exemplo a Biblioteca de Torres Novas, que integra a mesma rede há alguns anos, destacando ser uma espaço que “tem como objectivo a democratização, inclusão e disseminação de conhecimento com uma programação exigente e realista, bem como o adequado tratamento  dos documentos”.

“Apesar de a Biblioteca Municipal ter pontualmente iniciativas interessantes do ponto de vista cultural, não podemos deixar de denunciar e avisar as más práticas e condições que continuam a estar presentes e que nos deviam preocupar a todos: não há trabalho de conservação e restauro dos livros em mau estado; não é feito o expurgo e desinfestação; o depósito está a rebentar pelas costuras e não oferece condições de segurança; não existe ar condicionado (temperatura e humidade adequados), o que põe em causa as condições de conservação; entre outros aspectos”, alertou.

A vereadora lembrou ainda a política de aceitação de ofertas de documentos, comentando que há uma tendência para “aceitar tudo”, tornando difícil uma boa gestão.

“Como nota lamentamos a censura de publicações, como já aconteceu com um jornal A Barca”, publicação gratuita, que por diversas ocasiões chegou a ser entregue presencialmente, e não foi disponibilizada aos utentes da Biblioteca”, acrescentou.

“Não pode ser só tirarmos uma fotografia para as redes sociais para mostrar que entramos na rede da UNESCO. É necessário, e isso sim, pôr em prática bons exemplos. E, como se percebe, na Biblioteca Municipal há trabalho a fazer”, terminou.

O executivo socialista não gostou das críticas. A vereadora Maria João Gomez (PS) considerou que a oposição estava a minimizar toda a dinâmica da biblioteca com as suas observações.

Já a presidente Fernanda Asseiceira adiantou que estão em vista um conjunto de visitas a espaços no concelho para um novo plano de intervenções, que deverão ser concluídas ainda neste mandato. A Biblioteca de Alcanena, frisou, é um deles.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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