Alcanena aposta na modernização e diversificação dos percursos educativos com investimento de 6,7 ME. Foto: mediotejo.net

A Escola Secundária de Alcanena inaugurou esta quarta-feira, 21 de outubro, a requalificação das suas instalações, num investimento de mais de 6,7 milhões de euros, financiado maioritariamente pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A intervenção decorreu ao longo de dois anos, mantendo-se a escola em funcionamento durante as obras.

A cerimónia contou com a presença do secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, do presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Rui Anastácio, e da diretora do Agrupamento de Escolas de Alcanena, Ana Cláudia Cohen.

Além da renovação dos espaços, a intervenção incluiu dois Centros Tecnológicos Especializados, destinados a reforçar as condições de aprendizagem e a componente prática do ensino profissional. Durante a visita às instalações, foram apresentados equipamentos e projetos ligados a áreas como a robótica, o design de moda e a impressão 3D.

A requalificação representa uma nova etapa para a escola, tanto ao nível das condições físicas como dos recursos disponíveis para a aprendizagem. Os novos equipamentos pretendem reforçar a componente prática da formação e aproximar os alunos de contextos tecnológicos e profissionais.

Na sua intervenção, Alexandre Homem Cristo destacou o compromisso do Estado com a escola pública e a importância de garantir condições adequadas para alunos, professores e restantes profissionais.

O governante salientou o papel da articulação entre a direção do agrupamento e o município, considerando que a qualidade de uma escola não depende apenas das instalações, mas igualmente das pessoas e do trabalho desenvolvido em conjunto.

Durante a sua intervenção, o secretário de Estado defendeu que o ensino profissional deve afirmar-se como uma oferta de “primeira linha”, afastando a ideia de que constitui uma opção secundária. Nesse sentido, considerou que os Centros Tecnológicos Especializados e a renovação da oferta formativa podem contribuir para valorizar esta via de ensino, através de equipamentos mais modernos e de uma formação mais próxima das necessidades dos alunos e do mundo do trabalho.

A aposta nos Centros Tecnológicos Especializados foi também enquadrada na necessidade de reforçar a ligação entre a formação profissional e o ensino superior. A modernização dos equipamentos e a renovação dos cursos surgem como oportunidades para diversificar os percursos disponíveis para os alunos e valorizar diferentes opções formativas, respondendo às exigências de um mercado de trabalho em transformação.

A intervenção do governante abordou igualmente os desafios que se colocam atualmente à educação. Entre os temas referidos estiveram os resultados do PISA de 2025, que considerou preocupantes, em particular no domínio da leitura e no desempenho dos estudantes europeus, bem como a utilização de dispositivos digitais nas escolas e a crescente presença da inteligência artificial.

Sobre estas matérias, destacou a necessidade de refletir sobre as práticas educativas e sobre a forma como as ferramentas digitais devem ser integradas no ensino.

Foto: mediotejo.net

A revisão curricular foi outro dos desafios apontados por Alexandre Homem Cristo, que defendeu a necessidade de dar maior profundidade às aprendizagens essenciais.

A utilização de tecnologias digitais e de ferramentas de inteligência artificial no contexto escolar exige igualmente uma reflexão sobre o seu impacto no ensino, numa altura em que o Governo mantém em discussão orientações para a utilização destes recursos.

Rui Anastácio, presidente da Câmara Municipal de Alcanena, destacou a dimensão da intervenção realizada na Escola Secundária de Alcanena e agradeceu à comunidade escolar o esforço desenvolvido durante os dois anos de obras. O presidente da Câmara sublinhou que a escola continuou a funcionar durante os trabalhos, o que exigiu capacidade de adaptação por parte dos profissionais e dos alunos.

O autarca classificou a intervenção como a maior obra municipal realizada até à data, com exceção de um projeto de habitação avaliado em cerca de 12 milhões de euros. Para Rui Anastácio, o investimento nas escolas deve ser entendido não apenas como uma melhoria dos edifícios, mas também como uma oportunidade para repensar a sua relação com os alunos, as famílias e a comunidade.

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Nesse sentido, apresentou a ambição de transformar os estabelecimentos de ensino em “refúgios bioclimáticos”, ao exemplo do que já acontece em algumas cidades europeias, capazes de proporcionar melhores condições ambientais e de responder aos desafios associados às alterações climáticas. O município pretende também incentivar a mobilidade ativa, promovendo as deslocações a pé e de bicicleta para a escola, e reforçar a utilização dos espaços públicos pelas crianças.

Entre os objetivos apontados pelo presidente da Câmara está ainda a intenção de tornar o agrupamento bilingue, com certificação internacional, numa aposta que pretende alargar as oportunidades educativas dos alunos. Rui Anastácio enquadrou estas ambições numa estratégia mais abrangente para o concelho, que inclui projetos de desenvolvimento económico, habitação e criação de respostas para as famílias.

A diretora do Agrupamento de Escolas de Alcanena, Ana Cláudia Cohen, destacou que a requalificação da Escola Secundária de Alcanena representa mais do que a melhoria das instalações, considerando-a parte de um projeto educativo mais abrangente. Na sua intervenção, sublinhou que a escola deve ser entendida não apenas como um espaço físico, mas sobretudo como um lugar de aprendizagem, inclusão, inovação e transformação, capaz de preparar cada aluno para construir o seu futuro.

A responsável salientou ainda a responsabilidade acrescida do agrupamento, por ser o único do concelho, na garantia de respostas educativas diversificadas e de qualidade para uma comunidade com diferentes necessidades, expectativas e percursos de vida.

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Ana Cláudia Cohen reconheceu os desafios colocados à escola, desde as desigualdades sociais e as dificuldades de aprendizagem à necessidade de reforçar as competências de leitura e escrita, passando pela escassez de recursos humanos e pelas rápidas transformações tecnológicas. Perante esta realidade, defendeu a aposta na inovação, no trabalho colaborativo e em soluções pedagógicas ajustadas aos diferentes ritmos de aprendizagem.

Entre as iniciativas desenvolvidas, destacou os dois planos de inovação do agrupamento e os projetos interdisciplinares, que procuram estimular o pensamento crítico, a criatividade e a resolução de problemas, aproximando as aprendizagens dos desafios do mundo real.

A diretora salientou também a importância da diversidade da oferta educativa, desde o pré-escolar ao 12.º ano, e o contributo dos dois Centros Tecnológicos Especializados para aproximar a escola da tecnologia e do mundo profissional. Referiu, neste âmbito, espaços como o Laboratório de Logística, o Fashion Lab, a Cozinha e o Restaurante Pedagógico, que permitem aos alunos desenvolver competências técnicas e práticas.

Destacou ainda o ensino artístico e a existência de um centro qualificado, orientado para a aprendizagem ao longo da vida, o reconhecimento de competências e a qualificação de jovens e adultos. Ana Cláudia Cohen defendeu que a escola deve reconhecer diferentes talentos, respeitar percursos distintos e proporcionar oportunidades reais a cada aluno.

Na intervenção, Ana Cláudia Cohen valorizou igualmente o envolvimento das famílias, da autarquia, das instituições de ensino superior, das entidades científicas e culturais, das empresas e das associações locais, considerando que o sucesso educativo depende de uma responsabilidade partilhada.

A responsável apontou os resultados dos exames nacionais de 2026, acima da média nacional na maioria das disciplinas, e a conclusão do ensino secundário no tempo previsto por quase todos os alunos como sinais positivos do trabalho desenvolvido, sem descurar a inclusão e o acompanhamento individual.

Olhando para o futuro, destacou a intenção de apresentar um curso de especialização tecnológica de nível 5 e defendeu que a obra agora inaugurada deve ser encarada como uma nova etapa. “Uma escola que acredita nos seus alunos, valoriza os seus profissionais e mobiliza toda a comunidade, não se limita a acompanhar o futuro, ajuda a construí-lo”, concluiu.

A inauguração assinala a conclusão de uma intervenção superior a seis milhões de euros e abre uma nova etapa para a Escola Secundária de Alcanena. Com instalações renovadas e dois Centros Tecnológicos Especializados, o agrupamento passa a dispor de novos recursos para apoiar o ensino e a aprendizagem, num momento em que os responsáveis educativos e políticos apontam também para desafios relacionados com a inovação pedagógica, a valorização do ensino profissional e a ligação da escola à comunidade.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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