Equipa de fundadores está motivada e quer dar voz Às necessidades da aldeia do Carvalheiro, nos limites de Alcanena com o concelho de Santarém Foto: mediotejo.net

O Carvalheiro é uma aldeia da União de Freguesias de Malhou, Louriceira e Espinheiro, concelho de Alcanena. Cerca de 80 habitantes, em pleno Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros (PNSAC). Não tem capela nem casa mortuária, apenas um cemitério. Não tem escola, não tem saneamento, as comunicações são fracas ou inexistentes e as estradas de acesso precisam de urgente requalificação. Mas tem uma comunidade jovem que quer dar voz à sua terra. A 23 de maio de 2018 foi fundada a associação “Sol do Carvalheiro”, a primeira coletividade da história desta comunidade, uma ponta algo esquecida nos limites do concelho. Hoje foi eleita a sua primeira direção, presidida por Marco Rafael.

O Carvalheiro é uma daquelas aldeias no cimo das Serras que encontramos quase sem nos apercebermos. A comunidade local terá uma média de idades entre os 30 e os 50 anos, é-nos indicado, trabalhando sobretudo para as industrias de curtumes e mobiliário. Há cerca de duas décadas houve uma tentativa de construir ali uma capela, que acabou por não avançar. Algo estagnada no tempo e a precisar de várias infraestruturas, há muito que necessitava de uma voz que por ela lutasse. Nas últimas eleições, a voz de Marco Rafael fez-se ouvir.

Marco Rafael assumiu hoje a presidência da associação de Carvalheiro, aqui acompanhado das autarcas de Alcanena (Fernanda Asseiceira) e da União de Freguesias de Malhou, Louriceira e Espinheiro (Lina Louro). Foto: DR

Fundada a 23 de maio, a associação “Sol do Carvalheiro” elegeu os seus órgãos sociais este domingo, 10 de junho, data que ficará como o dia da localidade. Marco Rafael, hoje eleito presidente da associação, explicou ao mediotejo.net como a aldeia tem estado estagnada no tempo, tornando-se um ponto perdido no concelho e na freguesia. “Nunca existiu nada” na localidade, para além das próprias moradias e de um cemitério, onde os enterros são feitos de forma rápida e sem uma prática religiosa condigna.

Logótipo da Sol do Carvalheiro Foto: Sol do Carvalheiro

“Houve já um esforço de fazer uma capela” há cerca de duas décadas, recordou, mas o projeto acabaria por não avançar. Neste momento, o grande objetivo desta associação é unir esforços para construir uma pequena Igreja e a casa mortuária.

Marco Rafael integrou as listas do PS à União de Freguesias de Malhou, Louriceira e Espinheiro e recebeu o incentivo da atual presidente, Lina Louro, para avançar com o projeto de uma associação que desse voz a estas necessidades, a primeira a nascer no Carvalheiro. Marco procurou apoio junto do município, tendo acabado por ser encaminhado para a Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura Recreio e Desporto, que ajudou na definição dos estatutos e na organização da instituição.

O “Sol do Carvalheiro” nasce assim como associação cultural, cívica, ambiental, recreativa, desportiva, social e de defesa do património construído. A parte ambiental é uma das mais salientadas pelo recém-formado corpo diretivo, uma vez que o Carvalheiro se encontra em pleno PNSAC, com as potencialidades e desafios que tal oferece.

Este domingo foram plantados junto ao cemitério 20 carvalhos, que marcam assim esta data em memória dos fundadores, primeiros sócios, e das figuras políticas desta época. Foto: DR

Toda a experiência tem sido inédita para o grupo fundador da associação, constituído por Marco Rafael, Marisa Louro (vice-presidente), Simone Duarte (tesoureira), Vítor Canteiro (presidente da Assembleia-geral) e Cristina Alves (secretária da Assembleia-geral). Uma equipa jovem e com grande força de vontade, que expressam ao quererem organizar atividades e iniciativas para reunir fundos que permitam criar estruturas na aldeia.

Para já, apenas se focam na capela e na casa mortuária, querendo oferecer condições mais condignas aos funerais. Mas o Carvalheiro tem outras necessidades, constata-se. Os acessos estão degradados, as comunicação são más ou inexistentes e não há saneamento. “Tem sido uma ponta esquecida da união e do concelho, o que leva também ao abandono dos jovens. Não há qualidade de vida”, salienta Marco Rafael.

Criar um pavilhão para festas ou um pequeno parque são por isso outros objetivos que a associação gostaria de ver concretizados a longo prazo, mantendo o diálogo estreito com o PNSAC. Marco Rafael gostaria também de realizar alguns workshops para a população, como de primeiros socorros.

Este domingo foram plantados junto ao cemitério 20 carvalhos, que marcam assim esta data em memória dos fundadores, primeiros sócios, e das figuras políticas desta época. A equipa garante que está motivada e enquanto se mantiver no Carvalheiro haverá sempre espaço para que a associação continue a trabalhar.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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