A Direção Regional de Agricultura e Pescas emitiu um alerta sobre a contaminação pela bactéria Erwinia amylovora, que gera a doença ‘fogo bacteriano’ em árvores de fruto como a macieira, pereira, marmeleiro e algumas espécies ornamentais, e que poderá custar caro em pomares e ao pequeno produtor. Atualmente estão identificadas freguesias com zonas contaminadas na zona do Oeste, Lisboa e Vale do Tejo, sendo que na região do Médio Tejo estão sinalizados os concelhos de Sardoal e de Ferreira do Zêzere, na sua totalidade, e no concelho de Abrantes verifica-se a existência da bactéria nas freguesias de Bemposta, Tramagal, e União de freguesias de São Facundo e Vale de Mós.
Num aviso que tem sido divulgado pela DRAP, refere-se que devem ser tomadas “medidas adicionais de proteção fitossanitária destinadas ao controlo, no território nacional do contágio pela bactéria Erwinia amylovora (Burr.) Winsl. et al., o agente que causa a doença denominada por «fogo bacteriano» e que afeta várias espécies vegetais, em particular da família das rosáceas, designadamente pereiras, macieiras, marmeleiros e algumas espécies ornamentais”.
Esta contaminação poderá provocar “importantes danos económicos e, no limite, levar a total perda de produção e dos pomares”.
A DGAV divulgou por despacho nº 27/G/2022 as freguesias com zonas contaminadas com Erwinia amylovora, afetando sobretudo freguesias nas regiões do Oeste, Lisboa e Vale do Tejo.
Na região do Médio Tejo estão, para já, afetados os concelhos de Sardoal, Ferreira do Zêzere e Abrantes.

Em declarações ao mediotejo.net, o presidente da Associação de Agricultores de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação explicou que esta doença tem como vestígios o facto de parecer que a árvore “ardeu” e “as folhas e os ramos começam a ficar todas secas”.
“Só há um procedimento: cortar e enterrar ou queimar. E não transportar nenhum material destes”, adverte, acrescentando que “até as tesouras utilizadas neste corte, têm depois de ser desinfetadas”.
Apesar de as culturas mais afetadas, de macieira e pereira, não existirem com muita expressão no território da região do Médio Tejo, Luís Damas alerta que se irá verificar esta contaminação também nas hortas e quintais dos pequenos produtores.
Outra situação impedida pela contaminação por esta bactéria é o impedimento de transumância de colmeias, introdução ou movimentação de apiários, sob pena de estas poderem ser portadoras do fungo.
O responsável aconselha a que se esteja particularmente atento às árvores a partir de agora, altura em que começam a aparecer as primeiras folhas, e que se vá seguindo as informações emanadas pela DRAP.
ÁUDIO | Luís Damas, presidente da Associação de Agricultores de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação

Segundo a DGAV deverão ser tomadas as seguintes medidas de contenção, tornando as mesmas obrigatórias nas zonas contaminadas:
a) Arranque e destruição imediata, por queima ou enterramento, de todos os vegetais hospedeiros com sintomas no tronco, sem necessidade de análise para confirmação;
b) Remoção e destruição, por queima ou enterramento, de partes de vegetais hospedeiros com sintomas com o corte efetuado, pelo menos, 50 cm abaixo das zonas visivelmente atacadas, sem necessidade de análise para confirmação;
c) Desinfeção do material utilizado na poda, após a realização da operação, em cada vegetal hospedeiro;
d) Proibição de transporte para fora da zona contaminada de vegetais ou partes de vegetais hospedeiros, salvo autorização expressa dos serviços de controlo fitossanitário da respetiva DRAP;
e) Proibição de introdução e movimentação de apiários no interior dos pomares infetados no período desde 1 de março a 30 de junho de cada ano civil.
