Numa iniciativa do cineclube Espalhafitas, o Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal, recebe esta quarta-feira, dia 26 de abril, pelas 21h30, uma sessão de cinema português alternativo com a apresentação do filme “Objetos de Luz”, de Acácio de Almeida e Marie Carré. Os realizadores estarão presentes e disponíveis para partilhar detalhes e segredos sobre a produção cinematográfica.
A iniciativa desta quarta-feira será “para os amantes de cinema, para os apaixonados por fotografia e imagem, para todos os que querem saber mais sobre uma arte que nos invade a cada momento”.
Os realizadores Acácio de Almeida e Marie Carré estarão presentes na sessão “para partilhar com o público segredos e sonhos da linguagem cinematográfica”.
Acácio de Almeida é diretor de fotografia “com uma participação inconfundível em obras de muitos realizadores portugueses e estrangeiros, e o seu mérito é reconhecido e tem sido amplamente premiado”, destaca o cineclube Espalhafitas.
Neste filme, contando com a sua companheira Marie Carré, conta “a história de amor deste casal, que se funde com os rostos e uma paixão intemporal pelo cinema.”
“Aos 84 anos, o director de fotografia Acácio de Almeida, cuja câmara captou toda a alma do Cinema Novo, em mais de 150 filmes, estreia-se na realização com Objectos de Luz. Um filme que reflecte precisamente a luz do seu trabalho, mesmo que este seja, ao mesmo tempo, um filme sobre todo o cinema. E talvez seja mesmo esse seu lado mais didático que confere a singularidade a Objectos de Luz. Pois essa dimensão de passagem funciona como uma reaprendizagem, uma redescoberta do cinema. Como um miúdo que lê, a certa altura no filme, um texto sobre a Luz no livro da 4ª classe.
Talvez por isso seja inevitável considerar este como um filme profundamente autoral e confessional, feito a quatro mãos. Mas que assume, parece-nos, o comprovativo do ADN onde se inscreve o amor que une este casal e a comum paixão pelo cinema.
É então no centro dessa grande beleza que se partilha a recordação mais singela das imagens icónicas, guardadas em infinitas latas de película – os tais fotões que se encontram e se fundem, produzindo uma luz nova, com essa íntima conotação difícil de afastar, na belíssima analogia que sugere com o amor que produz novos seres. Sejam eles em carne e osso, ou sejam filmes – neste caso será a mesma coisa. Veremos excertos de filmes de todos os grandes co cinema português: de Manoel Oliveira a António da Cunha Telles, António Reis e Margarida Cordeiro, de Paulo Rocha e César Monteiro, João Botelho, Raul Ruiz, Alan Tanner, etc, etc.
Numa das cenas mais surpreendentes do filme, escutam-se vozes aprisionadas da película que reclamam, “vamos ser etiquetados” e se revoltam, chamando a luz: “queremos brilhar”! “Vais-me concertar, não vais?”, implora uma voz. “Sim, claro que vou”, responde o timbre de Acácio.
Por aí se escutam as mais belas palavras de ordem aprendidas a 25 de Abril, no renascimento daquela nação. Ou a presença do rosto de Isabel Ruth (ver quais filmes) e, sobretudo, Luís Miguel Cintra no formidável plano campo-contra campo enfrentando-se a si próprio, qual feitiço do cinema que nos olha da forma mais penetrante. Ou o rosto de Maria Cabral prestes a ilustrar uma geração, em O Recado (1971). Entre muitos excertos (seguramente difíceis de seleccionar) Mas iremos comover-nos sempre com a escutar Zé Mário Branco a cantar “se eu morrer e tu ficares, adora-me o meu retrato”, em Agosto.
Objectos de Luz é essa partilha de um passado feito de imagens e temperado por conversas que se assume como partilha de uma fascinante e apaixonada visão de cinema”, pode ler-se no magazine Insider.

