Cemitério de Vale de Zebrinho. Créditos: José Rafael Nascimento

Três anos depois encontra-se em construção uma proposta vencedora do Orçamento Participativo de 2017 de Abrantes: uma casa-de-banho no cemitério de Vale de Zebrinho. Mas a obra está a causar alguma polémica, visível nas redes sociais, devido ao local escolhido pela Câmara Municipal para a instalação do W.C.. O assunto foi levado à última reunião de executivo pelo vereador do Bloco de Esquerda com o presidente Manuel Jorge Vlamatos (PS) a explicar ser aquele o único local possível, devido à fossa séptica, lembrando que Vale de Zebrinho não tem rede de esgotos.

“Fui alertado nas redes sociais pela situação” e deslocou-se ao local onde está a ser construída uma casa-de-banho a um metro da entrada principal do cemitério de Vale de Zebrinho, começou por dizer Armindo Silveira. “Uma má escolha!”, afirmou o vereador eleito pelo Bloco de Esquerda considerando “a nível estético” uma escolha “incompreensível”.

Na última reunião de Câmara Municipal de Abrantes, na terça-feira, 4 de agosto, o vereador questionou o executivo socialista sobre a escolha do local “havendo terreno público em frente ao cemitério e até possivelmente ter sido feito um projeto de requalificação e ter encontrado uma outra forma para o W.C.”, disse, propondo a suspensão das obras no sentido de “ser estudada outra forma”.

Cemitério de Vale de Zebrinho. Créditos: José Rafael Nascimento

Em resposta, o presidente da Câmara desvalorizou a questão “estética” destacando a importância da obra por “dar resposta e continuidade aos projetos do Orçamento Participativo” municipal e também por dar uma resposta inexistente “em sítios essenciais”, quer no cemitério de Vale de Zebrinho, quer no cemitério de São Facundo.

“Faz todo o sentido que estas duas estruturas tenham casas-de-banho de apoio à atividade do próprio cemitério e fundamentalmente porque estão muito distantes dos aglomerados urbanos. Se ficam do lado direito ou do lado esquerdo é uma questão estética”, defendeu.

No entanto, o presidente justifica a escolha daquele local em Vale de Zebrinho como sendo “a única alternativa” devido à necessidade de colocação de uma fossa séptica lembrando que Vale de Zebrinho não tem rede de esgotos.

“A posição da fossa séptica e sobretudo a limpeza” da mesma “obrigava a escolher um sítio de frente para o cemitério, ou do lado direito ou do lado de esquerdo. Do ponto de vista funcional não nos parece que o edifício em construção possa ter algum problema. É uma decisão técnica! E a nossa decisão é construir as casas-de-banho. Do ponto de vista técnico, da avaliação, quer do vereador João Gomes, quer dos técnicos [da Câmara Municipal] é a melhor solução”.

Cemitério de Vale de Zebrinho. Créditos: José Rafael Nascimento

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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