O Alto de Santo António, na cidade de Abrantes, voltou a ganhar vida ao final da tarde desta sexta-feira, 4 de setembro, com o arranque de mais uma edição do Festival ao Alto. Durante dois dias, o espaço verde junto à Torre de Telecomunicações transforma-se num ponto de encontro para famílias, amigos e visitantes, numa celebração que pretende fechar o verão na cidade florida antes do regresso às rotinas e às aulas.
“Vai ser um festival ao exemplo dos últimos anos, com um cartaz fortíssimo, com artistas que atraem muita gente aqui à nossa cidade”, afirmou Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, na abertura do evento, descrevendo aquele lugar como “um sítio fantástico” e, acima de tudo, como “um espaço de família” e “um espaço da nossa comunidade”.
A ideia, explicou, é que durante estes dois dias o Alto de Santo António seja vivido como um lugar de encontro: “Encontros de amigos, encontros da comunidade e daqueles que nos visitam”.
Um propósito que acompanha o crescimento do próprio festival, que tem vindo a envolver progressivamente mais entidades e atividades.

“Temos vindo de forma progressiva a aumentar o grau também de complexidade deste grande evento num espaço extraordinário”, referiu, numa edição que volta a assumir-se como o momento de encerramento das festas de verão em Abrantes.
Mas há outra transição que acontece por estes dias. O Festival ao Alto surge também como uma espécie de intervalo entre o verão e o regresso à normalidade. Quase um “pré-regresso às aulas”, nas palavras de Valamatos, pensado para que os últimos dias de férias sirvam também para “resfriar” e “desacelerar” os ânimos.
“Foi ideia, uma das ideias de quando pensámos o Festival do Alto de Santo António, foi também permitir que a juventude começasse a resfriar aqui um bocadinho os ânimos, ou melhor, começasse a desacelerar no processo das festas do verão, das férias”, explicou.




O festival acontece no Alto de Santo António, espaço guardado na memória da cidade e dos abrantinos: “Houve algumas décadas atrás” em que aquele lugar era “conhecido por todos”, recordou. Entretanto, mudaram os hábitos, mudou a cidade e as pessoas deixaram de percorrer tanto os seus espaços a pé.
“Hoje as pessoas já não andam tanto a pé e já não têm esta ligação de percorrer o espaço da cidade”, observou.
É nesse afastamento que encontra uma das razões para a realização do festival. Levar novamente pessoas até ao local é, também, uma forma de “reavivar memórias” e de redescobrir um espaço que continua a considerar especial.
“É um espaço verde fantástico, que tem um conjunto de infraestruturas que agarra as pessoas e as traz aqui a este espaço”, referiu.





A presença do Clube de Ténis de Abrantes, dos espaços de street food e de outros operadores ajuda a construir essa diversidade. “Temos cada vez mais pessoas envolvidas no Festival do Alto Santo António”, destacou, vendo nessa participação crescente uma forma de juntar diferentes dimensões da comunidade.
“É isso: juntar todos, fazem parte de uma comunidade inteira e ter aqui um espaço absolutamente extraordinário num sítio magnífico da cidade, do concelho, dos abrantinos, das nossas famílias, dos nossos jovens.”
A revitalização daquele espaço não passa, contudo, apenas pelo festival. O Alto de Santo António tem vindo a receber outras intervenções e está também prestes a ganhar uma nova resposta social. Uma antiga escola do primeiro ciclo, que estava desativada, está a ser convertida numa creche com capacidade para 107 crianças, num projeto que deverá representar também a criação de mais de 25 postos de trabalho.
“Estamos nas vésperas também de inaugurar uma creche aqui bem junto a este espaço ao Alto de Santo António”, referiu, vendo nesta transformação “o dinamismo de uma cidade” e a importância de manter ativos espaços que, de outra forma, poderiam perder a ligação à população.


Há ainda uma outra dimensão que o Festival ao Alto procura construir: a ligação entre os nomes já afirmados e os artistas que procuram conquistar espaço no panorama musical. “Os artistas mais nacionais e os mais locais têm aqui também um propósito”, explicou.
A experiência das edições anteriores serve de argumento. “Todos os artistas que têm passado por aqui no Alto de Santo António tornaram-se em grandes vedetas. Essa é que é a grande verdade.”
Daí a imagem que utiliza para definir o papel do festival: uma “rampa de lançamento”, uma “escada de lançamento fantástica para os artistas”.
“Todos os artistas nacionais que têm passado por aqui têm vingado no panorama musical nacional e internacional”, afirmou, defendendo que basta olhar para os cartazes das diferentes edições para perceber quantos nomes que passaram por Abrantes acabaram por ganhar projeção.
A aposta deverá continuar. Mesmo antes de terminar esta edição, já existem ideias para a próxima. Há nomes a surgir e melhorias a considerar, embora a reflexão fique para depois destes dois dias.

“Eu acho que ainda não começámos este e já há na ideia alguns nomes e algumas melhorias que temos que fazer para o próximo ano”, admitiu. Mas, por agora, a prioridade é outra: “Temos que deixar acabar estes dois dias. E depois, sim, a partir daí, começar a refletir sobre aquilo que podemos fazer melhor.”
Se há uma característica que atravessa o evento é precisamente a sua capacidade de juntar públicos diferentes. “É sobretudo um espaço das nossas famílias, dos amigos, dos abrantinos e depois de todos aqueles que vêm conviver connosco, que têm ligações com Abrantes.”
Há, acrescentou, “uma universalidade muito grande”. “Percebemos que o festival é feito desde os mais pequenos até aos mais velhos e, portanto, é um espaço de todos e para todos.”
É também essa mistura que considera diferenciadora. O Festival ao Alto tem vindo a afirmar-se naturalmente, à medida que a própria comunidade o foi agarrando. “Sinto que cada vez mais as pessoas de Abrantes o agarraram de coração”, afirmou.

Mas a atenção não chega apenas de dentro do concelho. Também quem vem de fora parece reconhecer no festival e no lugar onde acontece algo diferente. “Sentimos que há muita gente fora que olha para este festival e o sítio onde ele é feito como absolutamente extraordinário e diferente.”
No Alto de Santo António, durante dois dias, a música cruza-se assim com o espaço verde, o ténis, a comida, as famílias e os encontros. Um cenário que pretende recuperar a ligação da cidade a um dos seus lugares mais emblemáticos e, ao mesmo tempo, fechar o verão com a comunidade reunida.
A edição de 2026 decorre esta sexta-feira e sábado, 4 e 5 de setembro, no Jardim do Alto de Santo António. O programa reúne artistas nacionais e nomes locais, mantendo a aposta na diversidade que tem marcado o festival.
Para esta noite, o cartaz inclui Ivo Ramad, Bia Caboz e Mamma Mia. No sábado, a programação prossegue com Gabriel e NAPA, além de Joana Perez e MC Sara Sá.
Dois dias de música e convívio que procuram prolongar os últimos momentos do verão e, simultaneamente, devolver ao Alto de Santo António uma centralidade que ultrapassa os próprios concertos.
