Taça Vale do Tejo reuniu em Abrantes atletas de todo o país na grande festa da natação. Foto: CMA

Foi em clima de festa que 269 atletas em representação de 12 seleções distritais de todo o país participaram nas Piscinas Municipais de Abrantes na XXIX edição da Taça Vale do Tejo, prova organizada pela Associação de Natação do Distrito de Santarém, com o apoio do Município.

Esta prova, única no calendário nacional, caracteriza-se por reunir a seleção de atletas infantis e juvenis de cada uma das associações territoriais da modalidade, incluindo Açores e Madeira, tendo contado nesta edição, realizada a 22 de janeiro, com a presença de atletas de 12 das 13 associações nacionais.

A XXIX Taça do Vale do Tejo foi erguida pela Seleção da Associação de Natação do Norte de Portugal, tendo a seleção da Associação de Natação do Distrito de Santarém conquistado o 6º lugar. O mediotejo.net falou com João Loureiro, presidente da Associação de Natação do Distrito de Santarém, que destacou o clima de festa em que a competição decorreu, tendo avançado desde já que a XXX edição da prova já está a ser preparada e que a mesma vai decorrer em Abrantes, em janeiro de 2023.

ÁUDIO | JOÃO LOUREIRO, ASSOCIAÇÃO NATAÇÃO DISTRITO SANTARÉM:

mediotejo.net – Que balanço faz desta festa do desporto e da natação?

João Loureiro – Esta festa, e podemos mesmo chamar-lhe festa, sendo que é uma única prova anual, em cada uma das épocas desportivas, decorre também em ambiente de seleções das associações, portanto das 13 estiveram 12 presentes, e tem a característica de ser única no panorama nacional ao nível da natação portuguesa. É também uma prova de observação nas categorias de infantis e juvenis, isto para efeitos de possíveis seleções da Federação Portuguesa de Natação. Por isso, e face ao ambiente pandémico que ainda vivemos, e também até por algum receio de possíveis contágios, tomadas as medidas que foram necessárias e aconselhadas, para efeitos deste ambiente que vivemos e com as restrições que tivemos de ter, inclusivamente uma prova sem público, podemos dizer que esta prova foi efetivamente uma lufada de ar fresco no panorama nacional, permitindo que os atletas mais novos pudessem estar a competir num ambiente de total festa e de elevada competitividade entre os mesmos. Digo de elevada competitividade porque, efetivamente, estavam em prova os melhores dos melhores de cada uma das seleções, salvaguardando necessariamente que ainda houve bastantes baixas de atletas que nos últimos dias testaram positivo e não puderam estar presentes e tiveram de ser substituídos. Mas efetivamente é com muito orgulho que a Associação de Natação do Distrito de Santarém orgulha-se que esta 29ª edição tenha sido um êxito e tenha sido objeto de várias energias de várias associações que estiveram presentes. Permita-me também associar a esta festa e a esta associação o apoio incondicional, o apoio imensurável que a Câmara Municipal de Abrantes tem dado a esta prova e no crédito que tem de um reconhecimento no valor da prova em termos competitivos. Um grande agradecimento naturalmente a todos os que trabalham na Câmara Municipal de Abrantes, especialmente na piscina, e ao próprio senhor presidente, por acreditar na existência desta prova.

Tendo em conta este quadro pandémico que afetou também a participação de alguns atletas convocados pelas respetivas seleções, até que ponto a pandemia tem tido reflexos negativos nas participações nos quadros competitivos?

Agradeço até inclusive a pergunta que me faz porque terei a oportunidade de dizer que na época 2021-2022, de uma forma geral, todas as associações, mas eu foco-me naquela de que sou presidente, a de Santarém, têm conseguido cumprir com o seu calendário de atividades e na realização das provas. Naturalmente que essa realização das provas tem sido objeto de muito mais restrições que no antecedente não existiam, e que efetivamente tira alguma cor, algum calor às competições. No entanto salvaguarda-se que aquilo que na verdade se pode dizer é que os atletas têm tido a possibilidade de poderem estar a competir. Se analisarmos que efeitos diretos há, visíveis, nesta época 2021-2022, podemos ver que efetivamente há uma taxa muito grande, muito elevada, de abandono de antigos praticantes de natação sob o ponto de vista da competição. Dizer-lhe que houve uma queda de filiações na ordem dos 40-45% daquilo a que estávamos habituados e que tínhamos como sendo filiações de natação pura, nas associações. No nosso caso concreto esses dados são efetivamente comprovados e são reais, portanto a situação pandémica o que traz desde já é uma grande taxa de abandono dos atletas ao nível competitivo.

Desta edição da Taça Vale do Tejo pergunto se quer destacar alguma prestação, em particular, e qual vai ser o futuro, tendo em conta que a próxima será a XXX edição?

Naturalmente que esta prova já tem praticamente a data marcada para o ano que vem, será em janeiro, previsivelmente no último fim de semana de janeiro de 2023, portanto aí comemoraremos a 30ª edição desta prova e que desde o dia 22, o dia final da prova, que a Associação e a Câmara Municipal começaram já a idealizar como é que faremos esta festa da 30ª edição da Taça Vale do Tejo. Vamos manter a tradição de ter todas as seleções e de efetivamente poder internacionalizar esta prova. É um sonho, uma aspiração antiga, é um sonho que gostaríamos de ver realizado nesta 30ª edição. Será em Abrantes. Enquanto a Câmara Municipal de Abrantes entender que esta prova será realizada no seu concelho, será sempre em Abrantes, e enquanto eu for presidente da associação. Faço um enfoque especial à Associação de Natação do Norte de Portugal que vence esta edição, que já não vencia há cinco, e que o recorde nacional de estafetas de seleção foi batido também por uma equipa juvenil feminina na estafeta 4 por 100 livres. Estes são de facto efetivamente os grandes enfoques desta prova. A Associação de Natação de Santarém pautou-se por situar-se a meio da classificação. Portanto acho que estamos todos de parabéns, acho que a natação portuguesa, nacional e distrital ou regionais, estiveram todas muito bem, e os atletas fizeram efetivamente desta prova uma grande prova, a festa deles, que é a festa da sua competição.

E esta é uma prova com tradição e também que serve de observação eventualmente até para seleção nacional?

Sim, sim, como eu disse há bocado esta prova é inclusivamente de participação obrigatória para infantis e juvenis selecionados pelas suas associações, porque é uma prova de observação para eventuais convocatórias de seleções destas categorias, seleções por parte da Federação Portuguesa de Natação que é quem tutela e que poderá servir então como base de lançamento para serem convocados para seleções da federação.

Pedia-lhe uma palavra para os dirigentes dos clubes de natação do distrito

A maior palavra ou a melhor forma de me dirigir aos clubes e a todos os dirigentes que estão filiados na Associação do Distrito de Santarém, primeiro é uma palavra de agradecimento pela tenacidade, pela resiliência, pelo espírito de sacrifício e de missão que têm tido ao longo destes anos todos e especialmente nestes dois últimos anos de pandemia. É notória, efetivamente, as consequências quer ao nível financeiro quer ao nível de recursos humanos, quer ao nível da competitividade mas que efetivamente todos estes agentes têm-se pautado por uma verdadeira luta para que a natação não se perca por outros caminhos e é nesse sentido que eu gostaria muito de marcar, mais uma vez, o nosso reconhecimento da direção da associação a todos estes dirigentes e dizer-lhes que continuem assim, continuem a lutar, porque efetivamente os nossos jovens, os nossos atletas merecem que todos nós nos empenhemos para que o futuro deles seja muito mais absorvente do ponto de vista competitivo do que outras situações que em nada abonam no crescimento humano. Portanto, mais uma vez, o nosso agradecimento e dizer aos clubes que a Associação estará cá sempre para os ajudar naquilo que for preciso.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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