Um açude similar ao açude Insuflável no rio Tejo, em Abrantes, pode vir a ser replicado a jusante, na zona de Praia do Ribatejo. Foto arquivo:: CMA

O açude insuflável de Abrantes vai começar a ser intervencionado esta quinta-feira, dia 5 de julho, com a operação de colocação de uma ensecadeira que permitirá intervir e reparar o rombo na borracha do açude, atualmente desinsuflado. O investimento é de algumas centenas de milhar de euros e o rombo é atribuído a atos de vandalismo.

“Vamos começar a fazer um intervenção que é prioritária e que cria condições para podermos efetivamente intervir nomeadamente com a colocação da ensecadeira e dia 23 começa a intervenção propriamente” avançou Maria do Céu Albuquerque, durante a última sessão da Assembleia Municipal, a 22 de junho.

As ensecadeiras são dispositivos utilizados para a contenção temporária da ação das águas em superfícies escavadas, normalmente onde se pretende executar obras sem a interferência da água.

A presidente lamentou ter sido o Executivo municipal “surpreendido ao longo do processo por questões que ultrapassavam aquilo que conhecíamos” dando conta que contrariamente ao inicialmente comunicado “não foi um ato de vandalismo” mas “vários” .

Em março último, durante uma reunião de Câmara Municipal o vereador João Gomes já havia informado que a “ensecadeira tem um valor de 150 mil euros. Arrancaremos com a intervenção assim que estejam reunidas as condições climatéricas”.

Relativamente à intervenção nos vãos “o valor de 170 mil euros para a execução dos trabalhos” sendo uma obra que está “quantificada e balizada em tempo e em valor”. O vereador socialista informou ainda que o valor do projeto situou-se nos 43 mil euros.

Açude insuflável de Abrantes. Foto: DR

A par desta intervenção estará “a alteração da escada passa-peixe, nomeadamente para fazer face aos caudais diminutos que o rio Tejo apresenta e facilitar a passagem dos peixes” explicou, com a introdução de “um sistema de monitorização da passagem dos peixes, condição fundamental para o licenciamento daquela infraestrutura”.

A empreitada iniciada, esta quinta-feira 5 de junho, consta da construção de um aterro, a partir da margem direita do rio Tejo, para colocação de ensecadeiras, a montante dos vãos a reparar. É uma intervenção preparatória para uma 2ª intervenção que constará de trabalhos de inspeção e reparação das comportas insufláveis dos vãos 3 e 4 do açude, tendo em vista a resolução de fugas de ar na comporta do vão 3 e a reparação do rombo ocorrido na comporta do vão 4.

O aterro de acesso aos vãos 3 e 4 e colocação de ensecadeira nos mesmos é uma obra por ajuste direto, adjudicada à empresa Construmação – Construções e Terraplanagens, Unipessoal, Lda, pelo valor de 146.600,00 euros, com um prazo de execução de 90 dias.

Em 2005 foi noticiada a construção do açude, com um custo global de dez milhões de euros, numa obra por dois anos, com o objetivo de criar um extenso espelho de água no Tejo, constituindo a base do Aquapolis, o parque urbano ribeirinho que se estende pelas duas margens do rio.

Açude insuflável permite criar um espelho de água permanente na zona de Abrantes. Foto: DR

O açude foi inaugurado a 16 de junho de 2007 pelo então primeiro ministro José Sócrates.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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