A recolha de monos e a gestão dos biorresíduos estiveram entre os temas abordados na reunião do executivo municipal de Abrantes, realizada esta terça-feira, 18 de agosto, depois de os vereadores da oposição questionarem o presidente da Câmara sobre as dificuldades que têm sido registadas nestas áreas.
Manuel Jorge Valamatos reconheceu que a resposta à recolha de monos “não está a ser tão eficaz como nós desejávamos” e revelou que o município está a recorrer à contratação de serviços externos para reforçar a capacidade de resposta às solicitações dos munícipes.
“Estamos neste momento a contratar serviços externos. Nós temos duas equipas, dois camiões, um grande e um pequeno, a fazer recolha de monos todos os dias, mas já estamos a comprar serviços externos para nos ajudar a dar respostas”, afirmou.
O autarca explicou que os serviços municipais recebem atualmente um volume elevado de pedidos, apontando para cerca de 30 solicitações diárias. “Num dia temos 30 chamadas, 30 pedidos”, referiu, dando como exemplo pedidos provenientes de diferentes localidades do concelho, como Esteveira, Casal do Rei, Mouriscas e Tramagal.

Para Manuel Jorge Valamatos, a capacidade existente não permite responder imediatamente a todas as solicitações. O presidente da Câmara defendeu, por isso, que os munícipes devem compreender que poderá existir algum tempo de espera para a recolha, salientando, contudo, que o sistema permite dar resposta mais rápida a determinadas situações.
“Quem vive na zona mais urbana não tem espaço, não tem quintal, normalmente está num apartamento. Normalmente precisa de tirar um sofá. Desde que a pessoa, quando fala com os serviços municipalizados, explique essa situação, nós fazemos isso no dia”, explicou.
Já nos casos em que exista espaço disponível, nomeadamente em habitações com quintal, o autarca considera que os resíduos podem aguardar pela recolha. “Agora quem tem quintal, aguente as coisas um bocadinho no quintal”, afirmou.
Valamatos rejeitou também a ideia de limitar a recolha municipal a um determinado número de objetos, uma prática que, segundo referiu, é adotada por alguns municípios.

“Nós podíamos ter introduzido esta regra, que é o que muitos municípios fazem, vamos buscar um colchão ou um sofá, no máximo três objetos. Nós não restringimos, nós estamos a ir buscar tudo”, disse.
O problema, acrescentou, surge também quando são solicitadas recolhas de grandes quantidades de resíduos de uma só vez. Deu como exemplo o caso de pessoas que mantêm armazéns cheios durante anos e que posteriormente solicitam a retirada de todo o conteúdo num curto espaço de tempo.
O autarca referiu ainda situações em que são solicitadas recolhas de “milhares de garrafões de vidro”, explicando que quantidades dessa dimensão podem exigir “dezenas de camiões”.
Manuel Jorge Valamatos aproveitou a discussão para defender uma maior responsabilidade individual na utilização dos serviços e na gestão dos resíduos. “As pessoas têm que aguardar. Também tem que haver aqui alguma parcimónia, tem que haver cidadania”, afirmou.
Para o autarca, a deposição inadequada de resíduos não deve ser encarada apenas como um problema dos serviços municipais. “Nós fazemos todos parte deste processo”, sublinhou. Nesse sentido, considerou que uma cidade ou concelho que pretende ser “avançado, civilizado e progressista” também deve exigir comportamentos adequados no espaço público.

A intervenção surge depois de, no dia 6 de agosto, Manuel Jorge Valamatos ter publicado nas suas redes sociais uma mensagem sobre a deposição de resíduos volumosos na via pública, acompanhada por fotografias de situações registadas no concelho.
“Estas imagens revoltam-me profundamente”, escreveu então o presidente da Câmara, criticando o abandono de “móveis, colchões, pneus, madeiras, eletrodomésticos, sacos e todo o tipo de resíduos” junto aos contentores, passeios ou bermas das estradas.
Na publicação, o autarca recordou que os Serviços Municipalizados de Abrantes disponibilizam um serviço gratuito de recolha de monos e resíduos volumosos, mediante marcação através da Linha Verde 800 241 360.
Manuel Jorge Valamatos indicou igualmente o Ecocentro da Valnor, na Zona Industrial Norte, em Alferrarede-Olh o de Boi, como alternativa para quem tenha condições para transportar os resíduos. Na mesma publicação, alertou que a deposição ilegal de resíduos constitui uma contraordenação punível com coimas entre os 250 e os 44.890 euros.


O presidente apelou ainda à denúncia de situações de deposição ilegal junto dos Serviços Municipalizados de Abrantes, Município ou autoridades, considerando que denunciar estes comportamentos é uma forma de “defender Abrantes e proteger aquilo que pertence a todos”.
A gestão dos biorresíduos foi outro dos temas abordados durante a reunião, após questões levantadas pelos vereadores do PSD. Manuel Jorge Valamatos considerou que esta é uma matéria cada vez mais relevante no contexto ambiental e defendeu a necessidade de aumentar a separação e a seletividade dos resíduos.

“Os biorresíduos, até no contexto do ambiente global, são um tema central também. Eu acho que temos que cada vez ter uma triagem maior, ser mais seletivo naquilo que já é seletivo, que é o papelão, o vidro e o plástico”, afirmou.
O município está, segundo o autarca, a analisar o funcionamento da recolha de biorresíduos, incluindo comportamentos, atitudes e a própria procura pelo serviço. A resposta, reconheceu, ainda não apresenta os resultados pretendidos.
“Aquilo que lhe digo é, infelizmente, não é tão profícuo e tão eficaz como todos nós desejávamos”, afirmou, acrescentando que a autarquia irá apresentar em breve o trabalho de análise que está a desenvolver.
Manuel Jorge Valamatos procurou explicar a complexidade da recolha de biorresíduos através do exemplo de um contentor castanho. Segundo disse, basta que, entre dezenas de utilizadores que ali depositam restos de comida, alguém coloque uma garrafa de plástico, um garrafão ou outro resíduo indevido para contaminar o conteúdo e comprometer o seu aproveitamento como biorresíduos.
“Há um conjunto de comportamentos que a sociedade começou a ter que nos levam aqui a estudo, a trabalho intenso de coisas”, afirmou.

Apesar das dificuldades, considerou inevitável o reforço da separação dos biorresíduos. “As cidades e os concelhos têm que ter os biorresíduos”, afirmou, defendendo que os cidadãos terão também de assumir uma maior responsabilidade na separação e gestão dos resíduos.
No caso dos monos, o município está igualmente a estudar soluções para aumentar a capacidade de resposta. Uma das possibilidades apontadas por Valamatos passa pela criação de zonas de transferência que permitam facilitar a entrega de resíduos, eventualmente em articulação com as juntas de freguesia.
O autarca reconheceu que a criação de ecocentros em cada freguesia enfrenta dificuldades legais e regulamentares, mas afirmou: “Podemos talvez conseguir ter zonas de transferência, zonas que estejam preparadas de transferência. Nós estamos a trabalhar nisso.”
“É um trabalho de educação, socialização, cidadania altamente complexo que eu espero que todos possamos fazer melhor”, concluiu.
