O futuro do ramal ferroviário associado à Central Termoelétrica do Pego voltou a ser discutido em reunião de Câmara, com o PSD a questionar o executivo sobre as diligências realizadas para garantir que aquela infraestrutura continua ao serviço do desenvolvimento económico do concelho. Manuel Jorge Valamatos considera o ramal uma “mais-valia extraordinária” e garante que o município está a trabalhar com o Governo para encontrar soluções que assegurem a sua manutenção.
A questão foi levantada pelo vereador social-democrata João Morgado, que defendeu que a ligação ferroviária poderá assumir um papel determinante na futura zona industrial do Pego. Para o eleito, trata-se de uma infraestrutura diferenciadora, que poderá reforçar a capacidade de Abrantes para atrair novos projetos empresariais e industriais.
João Morgado quis saber que contactos tem mantido o município, não apenas com os proprietários da infraestrutura, mas também junto do Governo, para demonstrar a importância estratégica da ferrovia para o concelho.
Na resposta, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes concordou com a importância atribuída ao ramal e garantiu que essa tem sido também uma preocupação do executivo.
“É uma mais-valia extraordinária para a dinâmica económica do nosso concelho”, afirmou Manuel Jorge Valamatos, defendendo que a futura consolidação daquela área como zona industrial poderá aumentar significativamente o valor da infraestrutura ferroviária.
O autarca explicou que o ramal está integrado numa área com vários proprietários e que o município tem vindo a trabalhar na criação de condições para potenciar aquele território.

Para Valamatos, a conjugação entre uma zona industrial consolidada e a existência da ligação ferroviária poderá abrir novas possibilidades de utilização da infraestrutura. “Criar zonas livres tecnológicas, afirmar aquela zona como uma zona industrial verdadeiramente consolidada é permitir que este ramal ferroviário se otimize e ganhe um exponencial brutal do ponto de vista da sua valorização”, afirmou.
O presidente da Câmara revelou que a questão do futuro do ramal já foi abordada em reuniões com diferentes responsáveis governamentais. Segundo explicou, após o encerramento da atividade a carvão da central, foram mantidos contactos com o Governo para perceber quem assumiria responsabilidades sobre a infraestrutura e sobre os diferentes elementos que integram aquele espaço.
Valamatos referiu ainda que a Tejo Energia continua a manter uma relação com a infraestrutura, apesar da mudança de contexto decorrente do encerramento da central e do processo de desmantelamento de parte das instalações.
Uma das preocupações passa precisamente por garantir que a ferrovia não seja eliminada durante esse processo. “A ferrovia não é tocável”, afirmou o autarca, acrescentando que, apesar de alguns episódios de furto registados quando a linha deixou de estar em funcionamento, a expectativa do município é que possa voltar a ser utilizada.
O objetivo, explicou, passa por colocar novamente a ligação ao serviço de futuras operações económicas e industriais naquela zona.
“Se tirassem de lá a ferrovia, perdíamos ali valor”, sustentou Manuel Valamatos, admitindo que existem já projetos em estudo para os quais a ligação ferroviária poderá assumir uma importância significativa.
Apesar disso, o presidente da Câmara ressalvou que ainda não é possível garantir que um eventual projeto instalado naquela área venha a utilizar diariamente o ramal. “Estamos a trabalhar”, afirmou.
