As transmissões em direto nas redes sociais das reuniões de executivo da Câmara de Abrantes vieram para ficar mas geraram discussão na última sessão de trabalho. Foto: mediotejo.net

As transmissões em direto nas redes sociais das reuniões de executivo da Câmara de Abrantes vieram para ficar mas geraram discussão na última sessão de trabalho entre o vereador do ALTERNATIVAcom e o presidente da Câmara Municipal, tendo este último afirmado que as reuniões e respetivas transmissões não são um programa televisivo nem são talk shows.

A reunião do dia 17 de junho começou às 9h30, como habitualmente, mas o período de Antes da Ordem do Dia só terminou cerca de uma hora depois, como também é normal, altura em que foi dada a palavra ao vereador do ALTERNATIVAcom que lavrou logo ali o seu desagrado. Vasco Damas referiu ter “pessoas à espera” de ouvir a sua intervenção e pediu “respeito pelas regras”.

“Gostaria de começar com um pequeno tema que é o seguinte, há muita gente que me vai dizendo que gosta de ouvir as minhas intervenções, mas que muitas vezes não têm paciência para lá chegar, precisamente pelo que acabou de se passar. Aquilo que eu queria pedir era que começasse a haver um respeito pelas regras para que eu possa falar, no meu tempo e na altura em que as pessoas estão à espera de me ouvir e, portanto, acho que todas estas discussões que depois se podem encadear, podem ser feitas à posteriori ou na conclusão do período antes da ordem do dia”, afirmou Vasco Damas.

Quem não gostou do que ouviu foi o presidente da Câmara, o socialista Manuel Jorge Valamatos, que respondeu ao vereador da oposição dizendo que a reunião, e a sua transmissão em direto, “não é um programa de rádio nem de televisão”.

“Eu acho que há aqui qualquer coisa que não está a correr bem, eu acho que isto é uma reunião de Câmara e os senhores têm de se dirigir é a mim e temos de fazer a reunião connosco. Nós não podemos, desculpem, nós tivemos muitos anos sem sequer as reuniões serem transmitidas, eu acho que esta reunião é para nós falarmos entre nós, não é para estar a falar para ninguém. Isto é uma reunião de Câmara, não é nenhum programa de televisão. Eu gostava que o vereador Vítor Moura e o vereador Vasco tivessem esta perceção porque, na verdade já há quem discuta a questão da transmissão online, isto é uma reunião de Câmara, não é nenhum programa televisivo e ninguém está aqui a falar para ninguém à espera que alguém vá ouvir”, respondeu Manuel Jorge Valamatos, que fez questão de reiterar que as reuniões de executivo não eram nem um programa de televisão nem de rádio.

ÁUDIO | VEREADOR VASCO DAMAS E PRESIDENTE MANUEL JORGE VALAMATOS:

Em declarações ao mediotejo,net, no final da reunião, o presidente da autarquia disse que não estava em causa a continuidade das transmissões mas que o modelo poderia ter de ser repensado, quicá invertendo a Ordem de Trabalhos, uma situação que disse ter de pensar.

“Fomos nós que implementámos as reuniões transmitidas online com uma vontade imensa que isso acontecesse, que as pessoas possam, digamos, acompanhar de forma direta e transparente as nossas reuniões. Chamo à atenção que não estamos perante um programa de televisão, nem num programa de rádio, não estamos num talk-show, nós estamos numa reunião e a reunião deve ser gerida e organizada dessa forma. As pessoas devem perceber aquilo que está a acontecer numa reunião de Câmara e o que se exige a todos é que tenhamos uma discussão e uma participação, todos os vereadores em espírito de reunião e não em espírito de programa televisivo ou de rádio. Os assuntos devem ser apresentados ao Presidente da Câmara e aos vereadores, naturalmente têm os pelouros distribuídos e devemos fazer verdadeiramente uma reunião de Câmara onde o principal objetivo é discutir os assuntos, que cada um entenda que faz sentido ao serviço da melhoria daquilo que é a vida dos nossos cidadãos, mas que façamos uma reunião com esse sentido e com essa responsabilidade e não com outro propósito qualquer”, afirmou Manuel Jorge Valamatos, tendo destacado a importância das transmissões online e assegurado a sua continuidade.

As transmissões em direto nas redes sociais das reuniões de executivo da Câmara de Abrantes vieram para ficar mas geraram discussão na última sessão de trabalho. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

“As reuniões são transmitidas online e bem, muitas pessoas que não se conseguem deslocar presencialmente, aliás, tivemos primeiro a questão das reuniões online do que propriamente a questão do Covid, mas o Covid também veio nos fazer perceber a importância da transmissão das reuniões online e é isso que pretendemos continuar a fazer, é o que faz sentido nos dias de hoje. A reunião deve ser uma reunião participada e ter uma ação de acordo com os princípios que permanecem ativos, do ponto de vista de discutirmos aquilo que é verdadeiramente essencial e que promove a melhoria da vida dos nossos cidadãos, mas seguramente uma reunião de Câmara não é um talk-show, não é um programa televisivo, nem um programa de rádio, é uma reunião de trabalho, onde discutimos assuntos que tenham interesse à comunidade e que visem a melhoria da vida das pessoas”, concluiu.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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1 Comentário

  1. Não entendo o problema…
    “(…) há muita gente que me vai dizendo que gosta de ouvir as minhas intervenções, mas que muitas vezes não têm paciência para lá chegar, (…)”. As transmissões online na Internet [diferente de Rede Social] das reuniões de Câmara são em direto (e bem) mas podem ser vistas em diferido (igualmente bem), mais tarde, e avançando diretamente para uma intervenção em particular. É dada total de Liberdade de escolha a cada munícipe, não ver ou ver tudo ou parte. Qual é, afinal, o problema ou drama? Não é preciso ser o primeiro (nem faria sentido) a falar para os mais impacientes ouvirem o que dizemos.

    E muito menos fará sentido que se ocupe mais tempo com período antes da ordem do dia do que a reunião propriamente dita…

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