PCP de Abrantes inaugura novo Centro de Trabalho para reforçar intervenção no concelho. Foto: AL/JJ

O PCP inaugurou este sábado, em Rossio ao Sul do Tejo, Abrantes, um novo Centro de Trabalho, numa cerimónia que contou com a presença do secretário-geral, Paulo Raimundo. A mudança, após cerca de 50 anos nas antigas instalações, pretende melhorar as condições de funcionamento e reforçar a intervenção política junto dos trabalhadores e das populações.

O novo espaço substitui as antigas instalações da Rua D. Miguel de Almeida, um edifício envelhecido, situado num primeiro andar em Abrantes, que apresentava problemas de degradação, acessibilidade e falta de espaço. A inauguração reuniu militantes e simpatizantes do PCP e ficou marcada pelo reconhecimento do trabalho coletivo que permitiu adaptar o imóvel às necessidades da organização.

Graça Alves, responsável pela Comissão Concelhia de Abrantes e membro do executivo da Direção da Organização Regional de Santarém do PCP, explicou ao mediotejo.net que a mudança resultou de necessidades práticas, mas também de uma aposta no reforço da estrutura partidária.

«Queremos continuar a reforçar o partido e, por isso, precisamos de um local com melhores condições, com mais espaço para abrigar mais gente», afirmou, acrescentando que existem muitos problemas no concelho que justificam uma intervenção política mais próxima das populações.

As novas instalações, situadas ao nível do rés do chão, permitem melhorar as condições de acesso e acolhimento, realizar reuniões das estruturas partidárias e promover encontros e outras iniciativas abertas à comunidade.

Uma casa construída com o contributo dos militantes

O antigo Centro de Trabalho era propriedade do PCP e foi vendido para permitir a aquisição das novas instalações. A recuperação do espaço contou com uma campanha de fundos e com o contributo de militantes e simpatizantes, através de materiais e trabalho voluntário.

João Damas, dirigente do PCP de Abrantes e um dos responsáveis pelo património, destacou, durante a cerimónia, o esforço coletivo que tornou possível a concretização do projeto.

«Mais do que um espaço físico, este Centro de Trabalho será uma ferramenta ao serviço da organização, da iniciativa e da luta», afirmou, defendendo que as novas instalações devem funcionar como um ponto de partida para intensificar a presença do partido nas empresas, nos locais de trabalho e nas freguesias.

Também Paulo Raimundo valorizou o empenho dos militantes, recordando os trabalhos de recuperação, desde a remoção de alcatifas e colocação de pavimentos até à criação de uma arrecadação e instalação de uma cozinha.

PCP de Abrantes inaugura novo Centro de Trabalho para reforçar intervenção no concelho. Foto: PCP

O secretário-geral considerou a transformação do espaço um exemplo da forma como o PCP se organiza e reconheceu os contributos financeiros, materiais e de trabalho que permitiram concretizar a mudança.

«Agora já não há desculpa», diz Paulo Raimundo

Num discurso marcado pelo apelo à mobilização, Paulo Raimundo sublinhou que a inauguração representa uma conquista para a organização concelhia, mas também uma responsabilidade acrescida.

«Agora acabou a desculpa, agora já não há desculpa. Nunca houve desculpa, mas agora então é que não há desculpa», afirmou, numa referência à necessidade de aproveitar as novas condições para reforçar a atividade política.

Para o dirigente comunista, o novo Centro de Trabalho deve ser uma casa aberta aos trabalhadores, às populações e à juventude, servindo sobretudo para projetar a intervenção do partido para além das instalações.

«Não dentro das quatro paredes, mas para lá das quatro paredes», insistiu, defendendo uma maior organização e participação na resposta aos problemas sociais.

Paulo Raimundo relacionou esse objetivo com a necessidade de reforçar a defesa dos serviços públicos, apontando, nomeadamente, a falta de médicos, enfermeiros e técnicos especializados no Serviço Nacional de Saúde.

PCP de Abrantes inaugura novo Centro de Trabalho para reforçar intervenção no concelho. Foto: AL/JJ

O secretário-geral criticou ainda o aumento do custo dos alimentos, dos combustíveis e da habitação, contrapondo as dificuldades das famílias aos lucros dos grandes grupos económicos, nomeadamente da banca, da distribuição e do setor energético.

Considerou que esta realidade traduz uma situação de «profunda injustiça» e defendeu a mobilização dos trabalhadores e das populações para exigir melhores condições de vida.

PCP quer atrair mais jovens e reforçar presença em Abrantes

Graça Alves revelou que o PCP tem registado a entrada de novos militantes no concelho, incluindo jovens, dando como exemplo a recente adesão de uma militante de 18 anos.

«Já temos novos militantes este ano», afirmou, acrescentando que algumas pessoas têm procurado espontaneamente a organização para participar nas suas atividades.

A responsável identificou como principais preocupações locais a falta de saneamento básico em várias aldeias, as dificuldades no acesso a médicos de família e a insuficiência dos transportes públicos, sobretudo nas localidades mais afastadas.

Manifestou igualmente preocupação com a redução de turnos em algumas das maiores empresas do concelho e com as possíveis consequências para o emprego.

O PCP não tem atualmente vereadores na Câmara de Abrantes, mas conta com representação na Assembleia Municipal, através de Ana Paula Cruz, e com eleitos em assembleias de freguesia, nomeadamente em Mouriscas, Pego e na União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós.

Na cerimónia, Paulo Raimundo evocou ainda o percurso histórico do PCP, desde os anos de clandestinidade até à conquista da liberdade com o 25 de Abril, recordando ataques a centros de trabalho do partido, incluindo o desaparecimento de uma placa em Abrantes.

A inauguração terminou com um apelo ao reforço da organização e da intervenção política, tendo João Damas convocado os militantes para a jornada de luta marcada para 17 de outubro, em Lisboa.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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