Num dia repleto de emoções, brindou-se à história, ao presente e ao futuro da aldeia, numa dinâmica que promete continuar a dar frutos em São Miguel do Rio Torto. Foto: Fernando Baio/CM ABT

O dia de sábado foi de grande festa em São Miguel do Rio Torto com a inauguração da requalificação da Praça Central, agora Praça Eduardo Catroga, e do Ringue Polidesportivo da Casa do Povo de São Miguel do Rio Torto, num investimento global na ordem dos 570 mil euros.

A cerimónia, muito participada pela população local, teve a presença do secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel, que partilhou os discursos com Eduardo Catroga, Fernando Catroga, com o presidente da União de Freguesias, Luís Alves, da presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, e pela presidente da Casa do Povo de São Miguel, Raquel Alves. (ver vídeo)

O povo saiu à rua e celebrou os melhoramentos efetuados na aldeia de São Miguel do Rio Torto. Foto: Fernando Baio/CM ABT

Estes melhoramentos na freguesia de São Miguel do Rio Torto decorreram através de uma comissão ad-hoc de conterrâneos, dinamizada por Eduardo Catroga, ex-ministro das Finanças e um filho da terra, à qual se juntaram a Câmara Municipal, a União de Freguesias de S. Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo (que foi a entidade executante da obra de requalificação da Praça) e a Casa do Povo de São Miguel o Rio Torto, que adquiriu um terreno contíguo às suas instalações e projetou a realização de novo polidesportivo.

Requalificação da Praça Central e inauguração de novo polidesportivo implicou investimento na ordem dos 570 mil euros. Foto: Fernando Baio/CM ABT

Por detrás destes homens, mulheres e entidades, esteve uma equipa, mais ou menos anónima, composta por mecenas, empresários e população. E a Comissão de Melhoramentos, composta por Luís Alves (Junta de Freguesia), Manuel Cabaço (ex-presidente da Casa do Povo), Nascimento Cardoso e Eduardo Catroga, este último ex-ministro e natural de São Miguel do Rio Torto, e que contribuiu com a fatia mais significativa do investimento para a sua terra natal.

Eduardo Catroga, filho da terra, foi o principal dinamizador deste projeto duplo, projetando novas ideias para o futuro da aldeia. Foto: Fernando Baio/CM ABT

As duas novas infraestruturas agora colocadas ao serviço da comunidade local foram realizadas graças a uma parceria envolvendo investimento privado e público, tendo a Câmara Municipal de Abrantes apoiado as duas intervenções, assegurando financeiramente 20 % do total do investimento que rondou na ordem dos 570 mil euros, sendo 80% do investimento garantido por mecenas, empresas privadas e contributos da população local.

O professor Fernando Catroga, irmão de Eduardo, num discurso sentido junto à casa onde cresceram. Foto: mediotejo.net

A Eduardo Catroga e ao irmão, Fernando Catroga, ilustres filhos da terra, juntou-se o povo em clima de festa e alegria, tendo, juntos, inaugurado um busto, uma praça, um polidesportivo e uma pedra na entrada da rua da Fonte a indicar que naquela rua nasceram o Dr. Eduardo Catroga e o Professor Fernando Catroga, tendo este último proferido um sentido discurso na ocasião, amparado por Antero de Quental (ver video).

“Pode-se ter dúvidas sobre o sentido da vida, mas elas diminuem quando existe um diálogo sadio com as nossas raízes. A “terra dos pais” é a nossa primeira pátria e alicerce da nossa “Pátria Grande”. E não se pode esquecer que ter pátria é ter memória, pois cada ausente traz consigo, colado à sola dos sapatos, o pó do solo sobre o qual aprendeu a cair, para se levantar do chão e caminhar de novo. E quem fica a amar a terra que o fez nascer nunca sai, verdadeiramente, do sítio de onde partiu.

De certo modo, ele é a nossa “mátria”, significado que a simples, densa e telúrica expressão a “minha terra” bem exprime. Daí que, mesmo nos casos em que esta foi ingrata para muitos dos seus filhos, perdure uma sensação de dívida e de gratidão para com um lugar simultaneamente físico e simbólico, revivificado pela sucessão das gerações, mas também pelas lições de futuro que podem ser bebidas na evocação do melhor do seu passado.

Por tudo isto, ao deambular por estas ruas, e ao olhar para as marcas do tempo inscritas nas rugas das casas e nos rostos de quem as habita, também vejo o invisível, e, seguindo o magistério de Antero de Quental, dou por mim a perguntar:

Os que amei, onde estão? Idos, dispersos,

arrastados no giro dos tufões,

levados, como em sonho, entre visões,

na fuga, no ruir dos universos…

Mas se paro um momento, se consigo

fechar os olhos, sinto-os a meu lado,

de novo. Esses que amei: vivem comigo,

vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,

juntos no antigo amor, no amor sagrado,

na comunhão ideal do eterno Bem”.

Eduardo Catroga foi nomeado como sendo o 1º sócio honorário da Casa do Povo de São Miguel. Aqui ladeado por Raquel Alves, presidente da Casa do Povo, e Luís Alves, presidente da União de Freguesias. Foto: Fernando Baio/CM ABT

Num dia repleto de emoções, brindou-se à história, ao presente e ao futuro da aldeia, numa dinâmica que promete continuar a dar frutos em São Miguel do Rio Torto.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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