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As extensões de saúde de Mouriscas e de Alferrarede vão ter reforço de médicos de família a partir desta terça-feira, anunciou o presidente da Câmara de Abrantes, tendo Manuel Jorge Valamatos manifestado preocupação com o serviço aos utentes em Rio de Moinhos, Aldeia do Mato e Souto.

Num concelho com perto de 40 mil habitantes e onde em janeiro eram oito mil os utentes sem médico de família, a situação desanuviou um pouco com o recurso a prestadores de serviços em Alvega e Pego, em fevereiro, sendo que, com a entrada de uma médica para fazer algumas horas em Mouriscas e reforçar o serviço alguns dias por semana em Alferrarede, o número total baixou para menos de cinco mil utentes sem médico atribuído.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

“O ponto de situação neste momento é que vamos, a partir de terça-feira, dia 8 de março, ter uma médica, vai ser colocada uma médica no Centro de Saúde em Mouriscas, vamos ter também uma nova médica à segunda, quarta e sexta, para reforçar o Centro de Saúde de Alferrarede, e estamos com esta preocupação do Centro de Saúde de Rio de Moinhos, que queremos ver as horas do médico reforçadas, porque, como sabem, também o Centro de Saúde de Rio de Moinhos faz apoio à União de Freguesias de Aldeia do Mato e Souto, e sabemos que o médico também está numa fase quase de aposentação”, disse Valamatos.

“Aquilo que desejamos obviamente é que haja um reforço de horas disponíveis para o serviço destas freguesias, por forma a responder àquilo que são as necessidades dos seus utentes e a todo o tempo estamos com a ACES do Médio Tejo a procurar uma resposta objetiva e concreta para que os cuidados à nossa população seja o mais correto possível”, acrescentou o autarca.

Tendo feito notar que a atual solução não resolve o problema de fundo, no caso concreto do défice de médicos de família no concelho de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos disse o que pensa que o governo deve fazer, tendo em conta que é um problema a nível nacional.

“Este é de facto um problema a nível nacional, o Governo terá que, e é expectável que nos próximos tempos o Governo tenha que tomar iniciativas, tendo em conta esta escassez de médicos, sobretudo em algumas regiões do país, diria mais no interior do país do que propriamente no litoral”, afirmou.

Dando conta da expectativa “que sejam tomadas medidas capazes de resolver esta situação”, o presidente da Câmara lembrou a estratégia do município, em sintonia com as autoridades de saúde, para criar condições para enfrentar o problema, a par de outras condições, como seja o “criar e valorizar as respostas em termos de redes de transporte, quer públicos quer redes de transportes específicos. Isto com o apoio das Juntas de Freguesia para conseguirmos dar resposta, sobretudo em lugares onde há mais dificuldade de deslocar os profissionais”.

“Nós criámos na cidade uma Unidade de Saúde Familiar, a D. Francisco de Almeida, que tem uma composição e uma linguagem de funcionamento diferente, com maior capacidade de atrair médicos jovens para o nosso concelho. Criámos também, na margem sul, a Unidade de Saúde Familiar Beira Tejo, também com esse dispositivo, com essa nova lógica de organização enquanto unidade de Saúde Familiar a sul, e, precisamos, obviamente, a norte, e estamos a trabalhar com o Ministério da Saúde, para a norte conseguir ter uma nova Unidade de Saúde Familiar”, afirmou.

Segundo notou Valamatos, “a organização e a estrutura das Unidades de Saúde Familiar tem uma capacidade de atração, e nós inclusivamente temos um programa de apoio aos médicos que se organizam nas unidades de saúde familiar, e é nisso que estamos a apostar. Nós neste momento estamos a trabalhar num bom ritmo com o Ministério da Saúde para estruturar e ter um novo projeto para uma nova Unidade de Saúde Familiar a norte do concelho, mais concretamente em Alferrarede, para conseguir dessa forma, com essa estratégia, encontrar melhores soluções para servir melhor a comunidade naquilo que diz respeito à saúde primária dos nossos cidadãos”, tendo feito notar que o Governo terá que lançar “medidas objetivas, concretas e corajosas para fixar os médicos mais no interior do país”.

“Terá que haver vontade que todos os anos possam haver mais médicos de saúde familiar. Seguramente terá que haver mais incentivos a que os médicos possam escolher essa área de intervenção. E depois criar condições, valorizar aqueles que vêm para estas zonas do país, em vez de optarem por ficar no litoral. Eu julgo que tem que haver um conjunto de medidas corajosas e sobretudo determinadas para criar as melhores condições para que os jovens médicos, sobretudo os jovens médicos e os menos jovens, possam ter motivos para poder estar nestas regiões”, concluiu.

Em fevereiro, as freguesias de Alvega e Pego, com 1100 e 1970 utentes, respetivamente, começaram a ter resposta ao nível de cuidados de saúde primários, fazendo baixar o número de utentes ‘a descoberto’ de oito mil para cinco mil, em Abrantes. “Sendo esta situação alternativa e provisória o número de horas de prestação de serviços médicos é atribuída de acordo com as disponibilidades dos próprios médicos em causa e do número de utentes em cada polo”, notou, na ocasião, fonte oficial do ACES Médio Tejo.

A mesma fonte informou também que o ACES Médio Tejo e a UCSP de Abrantes “disponibilizam ainda consulta de recurso na sede de segunda a sexta-feira”, ou seja, na sede da Unidade Cuidados de Saúde Personalizados de Abrantes.

Questionado na ocasião o coordenador das Unidades de Cuidados de Saúde Primários (UCSP) de Abrantes, Constância, Mação e Sardoal, António Novais Tavares falou numa situação “muito critica”, em termos do ACES Médio Tejo, no que diz respeito à colocação de médicos. Os clínicos agora colocados são “médicos contratados, que hoje estão e amanhã podem não estar. Muito longe de serem médicos de família”, esclarece.

Portanto, por questões de organização, “a médica que será colocada em Mouriscas – não estará lá a tempo inteiro – terá de dar consultas também em Alferrarede”, referiu.

Mais esclareceu que, apesar de terem cuidados médicos um dia por semana, os utentes de Alvega poderão marcar consulta na extensão de Saúde do Pego ou continuar a recorrer às consultas de recurso, agora já com marcação por telefone, a partir das 08h00, ou presencialmente, como tem acontecido.

No concelho de Abrantes são cerca de cinco mil os utentes sem médico de família, ao dia de hoje. Questionada sobre o número de médicos de família em falta na região do Médio Tejo, a diretora executiva do ACES, Diana Leiria, respondeu no final de fevereiro que, para garantir cobertura total de médico de família à população servida pelas unidades funcionais do ACES Médio Tejo, precisaria de mais 29 médicos de Medicina Geral e Familiar.

O posto da freguesia de Alvega e Concavada ficou sem médico no final do ano de 2021 e Mouriscas no início do ano 2022, por aposentação do clínico que ali prestava cuidados médicos.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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