Filomena Correia leva mostra de pintura à Biblioteca Municipal de Abrantes. Foto: CMA

‘O tempo dos tios’ é o nome da exposição da abrantina Filomena Correia que está patente até abril na Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes. Afetos, a família e memórias estão presentes nesta exposição com trabalhos de pintura realizados a partir de retratos antigos.

Nesta exposição, a artista retrata a sua família, indo buscar inspiração às fotografias antigas que tinha, e onde o visitante poderá encontrar retratada a professora que ensinou o poeta abrantino António Botto a ler e escrever.

A inauguração da exposição “O tempo dos tios” realizou-se no dia 20 de janeiro, com a presença de Filomena Correia que se mostrou “muito grata e honrada na terra do meu coração, na terra das minhas raízes”.

A exposição está patente até ao dia 6 de abril, podendo ser visitada no seguinte horário:

2ª feira: das 14h30 às 19h30

De 3ª a 6ª feira: das 9h às 19h30

Sábado: das 10h às 13h e das 14h às 17h

Sobre Filomena Correia:

Filomena Arcângela Dias Correia nasceu em Abrantes, em 1955, licenciou-se em Medicina em Coimbra, no ano de 1978, tendo exercido como médica de Medicina Geral e Familiar no Bombarral, distrito de Leiria (1983 a 1986) e em Vila Nova de Poiares, distrito de Coimbra (desde 1986). Foi diretora deste Centro de Saúde (1996 a 2009) e aposentou-se em 2011.

Na área das artes, estudou, desde criança, música e dança (com particular destaque para o estudo do piano e do ballet clássico), tendo, enquanto estudante universitária em Coimbra, integrado o Orfeon Académico, o Teatro dos Estudantes e o Grupo de Etnografia e Folclore.

Em 1999 começou a pintar com alguma regularidade, frequentando as oficinas de pintura e escultura do escultor e pintor António Valente (Sala Leonardo, em Coimbra) e dos pintores Hans Georg Schüssler e Tita Costa, tendo participado em diversas exposições coletivas e individuais.

Foto: CMA

‘O tempo dos tios’, na primeira pessoa:

“O perfume antigo e triste residualmente conservado em velhos álbuns de fotografias cheios de retratados desconhecidos e ou por identificar; o pó, feito patine, a acumular-se nas molduras de velhos retratos, a nitrato de prata, que se oferecem em adeleiros e mesmo em alguns alfarrabistas; aquele perfume e este pó são condimentos imateriais deste projeto artístico a que chamei a minha série “Tios”.

Tudo começou com uma fotografia antiga de um tio-avô, pessoa muito querida na minha família, que utilizei numa composição de pintura com elementos contemporâneos. Este meu primeiro trabalho da série viria a ser cedido a um colecionador e a assumir o papel de matriz inspiradora para os restantes trabalhos, todos eles marcados por uma troca de olhares, enamorados e com promessas de futuro, entre o passado e o presente.

Durante cinco anos viajei no tempo, recuando àquele tempo antigo que é sempre o tempo dos tios. Tantas vezes utilizando sépias e ou outras magias que as cores nos oferecem. Algumas vezes utilizando outras linguagens, até mesmo idiomas improváveis, na tentativa de uma comunicação eficaz com o passado. Transformando cada fotografia do meu álbum herdado num verdadeiro e eterno portal do tempo. Num ícone bizantino”.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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