Centro Hospitalar do Médio Tejo abriu em abril de 2020 um centro de colheita de análises para doentes não covid no Estádio Municipal de Abrantes. Foto: CMA

O Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) instalou um Centro de Colheita de Análises para doentes não Covid-19 no Estádio Municipal de Abrantes, um espaço cedido pela autarquia fora de contexto hospitalar numa medida que visa transmitir confiança à população na realização de análises. “Há doenças que matam muito mais em Portugal do que a covid-19”, disse o médico responsável pelo Serviço de Patologia, tendo feito notar que as pessoas “não podem adiar” as suas consultas, apelando a que vão fazer as suas análises e exames.

“As pessoas não podem deixar de ir às suas consultas de especialidade e, neste espaço e neste local [longe do contexto hospitalar] os doentes podem vir fazer os seus exames e colheitas de sangue em perfeita segurança, porque os circuitos e os espaços de circulação estão bem definidos e os próprios profissionais estão exclusivamente dedicados a doentes e utentes que nada têm a ver com a covid-19”, disse hoje o diretor do Serviço de Patologia Clínica do CHMT.

Em causa está o “medo” das pessoas da covid-19 e da relutância em se dirigirem às unidades hospitalares do Médio Tejo, em Abrantes, Tomar e Torres Novas, nomeadamente ao Hospital de Abrantes, por esta ser a unidade referência na região para acolhimento e internamento de doentes infetados pelo novo coronavírus, tendo Carlos Cortes afirmado que este novo espaço, a funcionar desde o dia 21 de abril entre as 08:00 e as 16:00, tem registado entre “15% a 25% de pessoas a faltar aos exames”.

O novo Centro de Colheitas “é dedicado a utentes com patologias cardiovasculares, patologias oncológicas e diabetes, doenças que matam muito mais em Portugal do que a covid-19”, disse aquele responsável, tendo feito notar que as pessoas “não podem adiar” as suas consultas.

Carlos Cortes, diretor do Serviço de Patologia Clínica do CHMT. Foto: mediotejo.net

Segundo deu conta o diretor do Serviço de Patologia, a área de abrangência populacional do CHMT reflete uma “população mais idosa e portadora de mais patologias”, tendo insistido que essas pessoas “têm de ser seguidas e, por isso, têm de fazer análises”, para depois serem consultadas por via telefónica ou presencial, neste último caso apenas nas situações de saúde mais complicadas.

Sendo o local habitual para os doentes fazerem análises o Centro de Colheitas do Serviço de Patologia Clínica do Hospital de Abrantes, unidade que está mais vocacionada neste momento para os doentes da covid-19, o CHMT decidiu, “de modo às pessoas estarem protegidas”, solicitar à Câmara de Abrantes um “local para dar segurança aos doentes e poderem ceder o seu sangue, a sua urina, os seus produtos biológicos para serem analisados”, notou, tendo afirmado serem “excelentes” as instalações do Estádio Municipal.

Centro Hospitalar abriu um centro de colheita de análises para doentes não covid no Estádio Municipal de Abrantes. Foto: mediotejo.net

“Infelizmente estamos a perceber que as pessoas não estão a vir, estão a faltar muito mais do que o habitual”, deu conta Carlos Cortes, tendo estimado entre “15% a 25% de pessoas a faltar” às marcações de exames, situação que potencia os fatores de risco ou agravamento de patologias.

[As pessoas], apelou, “não podem ter medo e devem vir fazer as suas análises para poderem ser tratados, sob pena do risco de agravamento das suas patologias”.

Carlos Andrade Costa, presidente do Conselho de Administração do CHMT, destacou, por sua vez, a importância do apelo para as pessoas não deixarem de fazer os seus exames complementares de diagnóstico, para que possam ser seguidas pelos médicos nas consultas, seja por telefone, seja presencial. “As análises são um aspeto fulcral neste momento”, vincou, tendo feito notar as “milhares de consultas por telefone” e reforçando o apelo a que as pessoas não deixem de fazer os seus exames, seja análises, eletrocardiogramas, ecografias ou radiografias porque sem os meios complementares de diagnóstico complementares não é possível os doentes serem seguidos pelos seus médicos.

“As pessoas aqui estão fora do meio hospitalar, estão mais seguras e confortáveis, por isso, não deixem de vir fazer os seus exames”, insistiu, tendo dado conta que a ida das pessoas às Urgências de Abrantes deve apresentar uma descida na ordem dos 50% do final de abril, comparativamente com o mês homólogo do ano passado.

Números que dão que pensar, tendo o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, reforçado a ideia que o posto médico instalado na cidade desportiva proporciona aos cidadãos um espaço seguro, com ampla capacidade de acolhimento, num sítio bem localizado e com bom parque de estacionamento. O pedido feito pelo CHMT à autarquia foi prontamente respondido tendo em conta estas questões e a importância da realização de exames e colheitas de sangue, tendo o autarca assegurado que a Câmara de Abrantes vai continuar a acompanhar as necessidades na área da saúde e que tudo continuará a fazer para contribuir para a melhoria das condições de saúde dos cidadãos.

Têm agora os doentes a palavra, ou melhor, a responsabilidade de irem fazer as suas análises, para bem da sua saúde individual e coletiva.

c/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.