O Mercado Ribeirinho de Abrantes arrancou esta quinta-feira, 22 de maio, no Parque Ribeirinho – Aquapolis, em Rossio ao Sul do Tejo, devolvendo animação e atividade às margens do rio Tejo após as recentes cheias que afetaram aquele espaço. O certame prolonga-se até domingo e reúne propostas culturais, gastronómicas, desportivas e recreativas, tendo este ano como principal novidade a recriação de um mercado rural do século XX.
A iniciativa é promovida pela TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, em parceria com o município de Abrantes e a União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo, procurando valorizar a ligação histórica da cidade ao rio Tejo e às atividades tradicionais associadas ao antigo porto fluvial do Rossio ao Sul do Tejo.

Na sessão de inauguração, o vereador da Câmara Municipal de Abrantes, Luís Dias, destacou o simbolismo da realização do evento num espaço que, há cerca de dois meses, esteve submerso devido às cheias.
“Estamos a revitalizar, a fazer renascer um espaço que há dois meses estava debaixo de água”, afirmou, considerando que o Mercado Ribeirinho representa também uma forma de devolver vida ao território ribeirinho através da cultura, do desporto, da atividade económica e do associativismo.
O autarca sublinhou ainda a importância da relação histórica entre Abrantes e o rio Tejo, recordando que aquela zona acolheu “o maior porto fluvial do interior” e defendendo que essa ligação continua a fazer parte da identidade local.

Entre os destaques desta edição, Luís Dias deu particular relevo à recriação do mercado rural do século XX, novidade integrada na programação de domingo e dinamizada pelo Grupo Teatro Palha de Abrantes. Segundo explicou, a iniciativa pretende recriar o ambiente vivido há cerca de cem anos nas margens do Tejo, numa época em que o porto fluvial concentrava intensa atividade comercial.
“Vamos lá tentar recriar” aquilo que era esta zona “há 100 anos”, afirmou o vereador, acrescentando que o objetivo passa por apresentar ao público “uma proposta com algum rigor histórico”. O mercado incluirá venda de flores, produtos hortofrutícolas, artesanato, velharias e representação de antigos ofícios ligados ao rio, procurando recriar os hábitos e dinâmicas comerciais da época.




Luís Dias destacou também a participação das associações locais, dos artesãos e dos talentos do concelho, considerando que o evento traduz “toda a vitalidade associada às dinâmicas das margens ribeirinhas”. “É um dia muito feliz para Abrantes, para o Rossio, para o território e para o Tejo”, afirmou.
A técnica coordenadora da TAGUS, Conceição Pereira, salientou igualmente a importância da valorização do rio Tejo e do património local, considerando que a região possui “uma envolvente paisagística fabulosa”.
A responsável destacou a forte adesão ao certame, revelando que a organização previa inicialmente 20 stands, mas acabou por reunir 34 expositores de artesanato. Conceição Pereira lançou ainda o convite à população para participar no mercado de época de domingo, incentivando os visitantes a vestirem-se “a rigor” para ajudar a recriar o ambiente do século XX.

A coordenadora apelou também a uma maior articulação entre municípios ribeirinhos na promoção do Tejo, defendendo a criação de uma estratégia conjunta de valorização e dinamização do rio.
Já o presidente da União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo, Luís Valamatos, recordou os danos provocados pelas cheias no espaço ribeirinho, considerando que ver o estado em que ficou o parque após a descida das águas foi “um dos dias mais tristes” da sua vida.
Ainda assim, o autarca frisou que “não estamos zangados com o rio Tejo”, defendendo que o rio “é nosso irmão” e que os fenómenos recentes devem servir de alerta para as questões ambientais.

Luís Valamatos agradeceu ainda o trabalho desenvolvido pelas equipas municipais e pela organização para recuperar o espaço em tempo útil, permitindo que o evento pudesse decorrer “numa lógica de voltar à normalidade”.
A inauguração aconteceu na tarde desta quinta-feira, a que se seguiu uma atuação da Tuna da Universidade da Terceira Idade. A noite será dedicada ao fado, com a fadista abrantina Dora Maria, acompanhada por Hugo Faustino, Pedro Pinhal e Luís Mateus.
Um dos principais destaques desta edição é a recriação, no domingo, 24 de maio, de um mercado rural do século XX, evocando o período em que o porto fluvial de Rossio ao Sul do Tejo concentrava intensa atividade económica.





A iniciativa, dinamizada pelo Grupo Teatro Palha de Abrantes, inclui venda de flores, produtos agrícolas, artesanato e velharias, recriando ambientes e ofícios tradicionais ligados ao rio.
Ao longo do fim de semana, o programa contempla um conjunto alargado de oficinas e demonstrações.
No sábado à tarde, crianças a partir dos seis anos poderão participar numa atividade de pintura de peixinhos em cerâmica, dinamizada pela RCA – Restauro, Criação e Arte. No mesmo dia, decorre uma oficina de percussão com instrumentos improvisados, orientada pelo grupo Sons do Douro.


No domingo, estão previstas iniciativas como uma oficina de arranjos florais, uma introdução ao parapente e um atelier de criação de ceras perfumadas.
Haverá ainda demonstrações de arte equestre e batismo a cavalo, bem como a apresentação ao vivo do ofício de calafate, evidenciando técnicas tradicionais de reparação de embarcações do Tejo.
A programação cultural inclui ainda espetáculos de teatro de marionetas, com histórias tradicionais no sábado à tarde, e várias atuações musicais e etnográficas no domingo, com grupos locais e regionais, como a Sociedade de Instrução Musical Rossiense, o Rancho Folclórico de São Miguel do Rio Torto e o Grupo de Cavaquinhos da Pucariça.
No sábado, destaque também para uma sessão de debate subordinada ao tema “Os 3.º Lugares como espaços de comunidade e bem-estar”, promovida pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, no âmbito de um projeto europeu ligado à economia social.




A componente de animação inclui ainda uma performance de dança contemporânea com fogo, música tradicional com instrumentos ligados à vinha e um espetáculo com DJ para encerrar a noite de sábado.
Está igualmente prevista para este dia a chegada do Cruzeiro Religioso do Tejo à margem de Rossio ao Sul do Tejo.
No plano desportivo e de bem-estar, o evento integra atividades como convívio de pesca, padel em família, sessões de yoga e relaxamento sonoro, uma caminhada ao longo das margens do rio e jogos tradicionais.
Para o público infantil, além do teatro de marionetas, haverá insufláveis, pinturas faciais, jogos e atividades lúdicas ao longo do fim de semana.


Durante todo o evento funcionará um mercado de produtos locais, com destaque para produtos agrícolas, agroalimentares, plantas, flores e artesanato.
A oferta gastronómica será assegurada por tasquinhas com pratos regionais e peixe do rio, sendo também promovidos piqueniques junto ao Tejo com cestas preparadas por produtores locais.
A iniciativa pretende, segundo a organização, reforçar a ligação das populações ao rio Tejo, promovendo simultaneamente o património, a identidade local e o desenvolvimento do território.
