Pedro Grave, eleito pelo BE para a Assembleia Municipal de Abrantes, pediu renuncia do cargo. Foto: mediotejo.net

O único eleito pelo Bloco de Esquerda (BE) na Assembleia Municipal de Abrantes pediu renuncia de mandato após ter sido criticado pela concelhia bloquista por ter integrado uma lista conjunta com eleitos do PSD e Chega para uma Comissão intermunicipal.

“Confirmo o pedido de renúncia, devido a quebra de confiança política, provocada por minha decisão na Assembleia Municipal”, disse hoje Pedro Grave, 48 anos, e membro da estrutura dirigente do BE no concelho de Abrantes e na coordenadora distrital de Santarém, tendo reconhecido uma falha de comunicação com as estruturas do partido e afirmado manter a convicção que o fez foi a bem da pluralidade democrática.

Pedro Grave, militante do BE e ativista há cerca de 30 anos, lamentou aquela que diz ser uma situação que visava “o reforço de participação democrática plural” e que resultou num problema que assumiu ser de sua “inteira e única responsabilidade”.

Pedro Grave foi o único eleito pelo BE para a Assembleia Municipal de Abrantes. (Foto: mediotejo.net)

ÁUDIO | PEDRO GRAVE, ELEITO BE NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE ABRANTES:

Na base da saída de Pedro Grave do órgão para o qual foi eleito nas autárquicas de 26 de setembro está a decisão de ter aceitado integrar uma lista com dois partidos de direita, o Partido Social Democrata e o Chega, a par dos independentes do ALTERNATIVAcom, para a Assembleia Intermunicipal do Médio Tejo, o que foi criticado, primeiro, pela concelhia do BE, e logo depois pela distrital bloquista, a par de outros partidos.

Em comunicado, a Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda de Abrantes, liderada por Armindo Silveira, afirmou que “condena e distancia-se” da decisão tomada por Pedro Grave, da qual “tomou conhecimento pela comunicação social”, tendo acrescentado que o deputado municipal, confrontado pela concelhia do BE, “assumiu a sua responsabilidade exclusiva por esta decisão e comunicou que renunciará ao mandato”.

Já a Comissão Coordenadora Distrital (CCD) do BE de Santarém, em comunicado, afirmou que “não foi consultada nem se revê em qualquer acordo formal ou informal com partidos de direita, distanciando-se da decisão de integração de listas, ou ações que apoiem ou promovam políticas de direita em qualquer contexto”.

Assembleia Municipal de Abrantes. Deputado Municipal, Pedro Grave, eleito pelo Bloco de Esquerda. Foto: mediotejo.net

Em declarações à Lusa, Pedro Grave disse hoje que esteve “ocupado com a preparação da sessão”, que decorreu no dia 10 de dezembro, e não deu mais importância ao assunto [da lista conjunta], tendo reconhecido não ter dialogado com a concelhia sobre o assunto.

“Não promovi o envolvimento e a discussão do mesmo pela Coordenadora Concelhia de Abrantes do Bloco de Esquerda, ferindo assim os princípios de confiança em mim depositados, pelo partido e pelos votantes”, disse o eleito bloquista, assegurando ter agido com o “superior interesse de todos em mente, nunca por qualquer interesse pessoal”, e reconhecendo que “tanto as ações como a inércia acabaram por causar danos” a quem se propôs representar.

“Apesar da minha justificação, e acrescendo a razões pessoais muito fortes, considero estarem feridos os princípios de confiança política estabelecidos e já comuniquei aos meus pares a decisão de renunciar ao cargo que ocupo na Assembleia Municipal de Abrantes”, disse Grave.

Também a CDU de Abrantes, que “declinou o convite” para integrar aquela “lista conjunta em oposição à maioria PS”, deu conta de “não se rever nesta situação e entender que as populações nada teriam a ganhar com tal acordo para um lugar de segundo suplente”.

Com 30 anos de intervenção política, Pedro Grave fez notar que a iniciativa “foi uma ação democrática de oposição, prevendo, como aconteceu, uma previsível lista do PS só constituída por elementos da sua bancada”, tendo lembrado que a lista que integrou elegeu dois representantes, um do PSD e um da ALTERNATIVAcom, junto com dois da lista do PS, e que a mesma “é muito mais representativa da Assembleia e dos eleitores do que a lista uni-partidária apresentada pelo PS”.

Grave afirmou ter sido num “sentido do aumento da democracia e representação” que acedeu a integrar a lista e votar favoravelmente, “ao contrário do que implica um comunicado oficial da CDU”, que acusa o dirigente bloquista de coligação e compromisso com partidos de direita.

“Não me coliguei com outros partidos, nem assinei nenhum compromisso, nem acedi a participar por um lugar de suplente, mas validei dois lugares de oposição ao poder absoluto do PS em Abrantes e na CIM Médio Tejo. Esta é que é a verdade e a minha justificação para participar na lista”, concluiu.

c/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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