A União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede tornou-se a primeira freguesia do país a ficar dotada de cinco kits de primeira intervenção destinados ao reforço da capacidade de resposta em situações de emergência, anunciou esta terça-feira o presidente da autarquia, João Marques, durante a cerimónia de entrega de equipamentos a quatro associações locais.

A iniciativa incluiu ainda a distribuição de quatro geradores, numa aposta na preparação do território para responder a incêndios, apagões e outros fenómenos extremos.

Os equipamentos foram entregues à Sociedade Recreativa de Casais de Revelhos e ao Centro Popular de Cultura e Desporto de Sentieiras, que receberam cada um um kit de primeira intervenção e um gerador. Já a Associação Desportiva, Recreativa e de Melhoramentos do Paúl e a Associação de Caçadores de Alferrarede Velha receberam um gerador cada.

Na sessão, João Marques sublinhou que a iniciativa representa “a prova viva” do compromisso da União de Freguesias com a segurança e o bem-estar da população, defendendo que “ninguém protege uma comunidade sozinho”.

ÁUDIO | João Marques, presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede

“O sucesso da proteção civil assenta no trabalho em conjunto. É na cooperação diária, na partilha de informação e no esforço coordenado entre a Junta de Freguesia, o município, as forças de segurança e socorro, a comunicação social e as associações locais que reside a nossa verdadeira força”, afirmou.

O autarca enquadrou a iniciativa no programa “Freguesia Segura”, lembrando que “todos somos proteção civil” e que cada cidadão e associação desempenham um papel essencial na prevenção e no socorro.

Segundo explicou, os equipamentos agora entregues constituem “ferramentas de capacitação direta”, permitindo uma resposta mais rápida e eficaz perante situações de emergência. João Marques assumiu ainda o compromisso de continuar a reforçar este investimento nos próximos anos.

“Estes são apenas os primeiros equipamentos a serem entregues. Assumimos hoje o compromisso de continuar a investir anualmente na proteção da nossa população”, afirmou, justificando a necessidade de adaptação às alterações climáticas e aos fenómenos extremos que têm afetado a região, como a tempestade Kristin, as cheias do Tejo e os incêndios.

Foi também neste contexto que destacou um dado que considera inédito. “A nossa freguesia é a única do país que fica dotada de cinco kits de primeira intervenção para proteger as nossas pessoas e bens”, afirmou, agradecendo ainda o apoio do município de Abrantes e o trabalho desenvolvido pelas associações locais.

Os kits de primeira intervenção, fabricados na localidade da Barrada por uma empresa do concelho, possuem uma capacidade de 450 litros e estão equipados com motobomba, permitindo captar água diretamente de ribeiras ou poços para apoio inicial no combate a incêndios.

Já os geradores, com potência de 3 kVA, foram pensados sobretudo para responder a falhas prolongadas no fornecimento de eletricidade.

Foto: mediotejo.net

O presidente da União de Freguesias recordou que o recente apagão nacional e a tempestade Kristin demonstraram a importância de preparar as comunidades para este tipo de situações.

Segundo explicou, os equipamentos permitirão, desde logo, carregar telemóveis quando não existir energia elétrica, garantindo que a população mantém meios de comunicação disponíveis. Em caso de cortes de eletricidade mais prolongados, os geradores poderão ainda ser utilizados, de forma rotativa, pelas associações para alimentar frigoríficos e arcas congeladoras dos moradores, evitando a perda de alimentos.

ÁUDIO | João Marques, presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede

João Marques adiantou ainda que a intenção é alargar este tipo de apoios a mais associações e adquirir, futuramente, outros equipamentos, como motosserras e podadoras, reforçando progressivamente os meios disponíveis na freguesia.

Foto: mediotejo.net

“Os recursos mais importantes são as pessoas”

O comandante municipal de Proteção Civil, Paulo Ferreira, felicitou a União de Freguesias pelo investimento realizado, considerando que este tipo de equipamentos é “fundamental”.

Ainda assim, afirmou esperar que nunca seja necessário utilizá-los. “Daqui a dez anos gostava que pudéssemos dizer que os kits continuam na garagem, novos, porque nunca foram utilizados. Isso é que seria o ideal”, referiu.

Foto: mediotejo.net

Para Paulo Ferreira, contudo, “os recursos mais importantes da proteção civil são mesmo as pessoas”, destacando o papel dos voluntários e das associações que aceitaram receber e operar os equipamentos.

ÁUDIO | Paulo Ferreira, Comandante Municipal de Proteção Civil

O responsável deixou igualmente o compromisso de colaboração permanente por parte do Serviço Municipal de Proteção Civil, defendendo que só através do trabalho articulado entre todos os parceiros será possível responder aos desafios que se colocam.

Também o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, considerou que a iniciativa poderá servir de exemplo para outras freguesias do concelho.

Foto: mediotejo.net

“Somos todos agentes de proteção civil”, afirmou, lembrando que a defesa das pessoas, dos bens e do ambiente exige o envolvimento de instituições e cidadãos.

O autarca revelou que acompanhou desde o início o processo de aquisição dos equipamentos e garantiu disponibilidade do município para apoiar a replicação da iniciativa.

ÁUDIO | Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes

“Estaremos disponíveis para, com as outras juntas de freguesia, olhar para esta ação e ampliar este dinamismo”, afirmou.

Valamatos destacou ainda o facto de os kits terem sido produzidos por uma empresa sediada no concelho de Abrantes, valorizando também o impacto positivo do investimento na economia local.

Foto: mediotejo.net

O presidente da Câmara salientou ainda que os equipamentos poderão ter outras utilizações no quotidiano das associações, para além da resposta a incêndios, e enquadrou este investimento na necessidade de adaptação às novas realidades provocadas pelas alterações climáticas.

“Quem é que se lembraria, há dez anos, de falar de geradores por causa dos apagões?”, questionou, lembrando também que hoje é necessário instalar ar condicionado nas escolas, algo que não era sequer equacionado quando muitos estabelecimentos foram construídos.

“Temos de nos adaptar aos dias de hoje. É isso que a Junta de Freguesia de Abrantes e Alferrarede está a fazer, procurando criar melhores condições para defender a nossa comunidade”, concluiu.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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