O deputado do PSD, Duarte Marques, eleito por Santarém, defendeu esta terça-feira junto do Ministro da Educação, na sua intervenção na Comissão de Educação e Ciência, a necessidade de investimento no edifício da antiga residência de estudantes do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes em Abrantes.
Recorde-se que este é um objetivo há muito desejado pela comunidade educativa, pela Direção do Agrupamento, pelos alunos e pela respetiva associação de pais que pretendem ver aquela infraestrutura acolher o ensino da música que, pelo sucesso alcançado, tem cada vez mais alunos interessados.
A antiga residência de estudantes pertence à “Parque Escolar” e está fechada sem qualquer utilização por parte da comunidade. O edifício precisa de algumas obras de modo a evitar a sua degradação e para que assim possa ser colocado ao serviço da comunidade escolar que muito necessita de um espaço assim.
Duarte Marques já tinha apresentado uma Pergunta Parlamentar em conjunto com o deputado Jorge Lacão (PS) sobre o mesmo assunto em outubro de 2017, mas que, “até agora, apesar de ser obrigatório por lei, não obteve qualquer resposta por parte do Ministro da Educação”, refere o deputado social democrata, em nota de imprensa.
Duarte Marques considera que “com pouco mais de 150 mil euros o Ministério, em conjunto com a Câmara Municipal de Abrantes, pode evitar que este edifício se degrade por completo, agravando os custos de uma futura reabilitação, e ao mesmo tempo dar condições dignas a estes estudantes para o ensino da música”.
Na mesma nota, o deputado do PSD diz que “há até fundos europeus previstos para a recuperação de edifícios destes” e aqui, afirma, “a autarquia de Abrantes pode ter um papel decisivo. Basta haver vontade política”, defende.
Em meados de junho último, e a pedido da Direção do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes, alguns dos deputados eleitos pelo distrito de Santarém marcaram presença no concerto final do Curso Básico de Música da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes e reuniram com a Associação de Pais, com a autarquia e com o Diretor do Agrupamento para iniciar um processo conjunto para resolver este problema.
Após o concerto o diretor do Agrupamento de Escolas, Alcino Hermínio, reuniu com os deputados presentes, Patrícia Fonseca, do CDS, Carlos Matias, do BE, e Duarte Marques, do PSD, no sentido de “dar conta das dificuldades sentidas para aprofundar o trabalho no curso de música e para podermos crescer mais no futuro” explica. Na reunião participaram ainda os vereadores da Câmara Municipal de Abrantes, Armindo Silveira (BE) e Luís Dias (PS) responsável pela Cultura, onde foi abordada a questão das instalações.
“Temos problemas em aulas que decorrem em instalações que não são adequadas”, as aulas de música “decorrem em salas de aula que foram projetadas para turmas com 25 ou 30 alunos e falamos de aulas de instrumento que são individuais, quando muito em pares”, referiu o diretor, na ocasião.
Ao lado da Dr. Manuel Fernandes e fazendo parte da Escola como propriedade da Parque Escolar desde o início da requalificação da Secundária “temos a antiga residência do colégio que é um edifício em abandono, em degradação, a cobertura tem um buraco com cerca de dois metros quadrados de área onde chove há dois anos”. Segundo Alcino Hermínio, o edifício tem as condições ideais para as aulas de instrumento. “Os quartos da antiga residência têm as dimensões adequadas”, reforça.
“O edifício existe, não era preciso construção, está dentro do espaço escolar e podia ser utilizado para as nossas aulas de música decorrerem ainda melhor e com pouco dinheiro, menos de meio milhão de euros, a cobertura seria substituída, algumas reparações elétricas”, sugere, sentindo-se “revoltado” não só enquanto diretor mas também enquanto cidadão por ver o edifício em degradação.
Nesse sentido, a direção da escola e a associação de pais pedem a reversão do edifício para a Escola “de onde aliás nunca deveria ter saído”.
Esperançado num final feliz, ainda que demore tempo, Alcino Hermínio deu conta ao mediotejo.net que os deputados revelaram sensibilidade nesta questão, “comprometeram-se tentar dentro das suas competências colaborarem com alguma articulação junto do Ministério da Educação” no sentido da situação ser alterada.
Existe, no entanto, “a consciência de não ser uma solução a encontrar amanhã”. Uma “luta” pelos alunos “atuais e futuros” que pode levar o projeto a outras ramificações fora do curso de música. “Aquelas instalações permitiam trabalhar com outros alunos”. Pequenos passos que acredita fazerem a diferença, sem pensar em desistir.
