A relação entre a preservação dos vestígios do passado e as necessidades de modernização da cidade vai estar em debate este sábado, 26 de setembro, em Abrantes, num colóquio que apresenta resultados de intervenções arqueológicas recentes realizadas no centro histórico.
“Abrantes, o Tempo e o Tejo: arqueologia urbana ao serviço da comunidade” realiza-se a partir das 10h00 no MAC – Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida e marca o início de um ciclo de cinco edições dedicadas à investigação, promovido pela Câmara Municipal através da Rede de Museus de Abrantes.
A iniciativa pretende aproximar especialistas, técnicos municipais e população e refletir sobre o equilíbrio entre a conservação e estudo dos vestígios arqueológicos e as exigências colocadas pelas intervenções urbanísticas, partindo de trabalhos realizados nos últimos anos em diferentes pontos da cidade.
A conferência inaugural, dedicada à “Arqueologia Urbana ao serviço da Comunidade”, estará a cargo de José de Encarnação, da Universidade de Coimbra, seguindo-se dois painéis que vão percorrer intervenções realizadas na Rua Grande, no antigo Convento de Nossa Senhora da Esperança, no Cineteatro São Pedro e no Convento de São Domingos.
Entre os casos em análise está precisamente o Cineteatro São Pedro, cuja profunda requalificação se cruzou com a história existente no subsolo. Durante a empreitada foram identificados achados arqueológicos e antropológicos, incluindo ossadas, levando à suspensão parcial dos trabalhos para permitir a intervenção dos especialistas. O equipamento foi construído no local onde anteriormente existira a Igreja de São Pedro, datada do início do século XVIII.
Outro dos exemplos é o antigo Convento de São Domingos, hoje parcialmente ocupado pelo Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA). Os trabalhos arqueológicos realizados durante a reabilitação do complexo revelaram vestígios das estruturas mais antigas do convento, parte da necrópole e espaços de armazenamento, incluindo um silo e uma talha posteriormente utilizada como ossário.
O próprio edifício constitui um testemunho das sucessivas utilizações do património da cidade. O atual complexo conventual começou a ser construído no início do século XVI e, ao longo dos séculos, teve funções religiosas, militares, educativas e culturais, acolhendo atualmente, além do MIAA, a Biblioteca Municipal António Botto.
Também o antigo Convento de Nossa Senhora da Esperança integra o percurso de reflexão proposto pelo colóquio. Fundado em Abrantes em 1548 e posteriormente transferido de localização, conserva atualmente, entre outros elementos, o pórtico da antiga igreja e parte do antigo claustro das três cisternas, conjunto classificado como Imóvel de Interesse Público.
O primeiro painel do encontro inclui intervenções de Gertrudes Azambujo e Sandra Lourenço, do Património Cultural, I.P., sobre a salvaguarda do património arqueológico no centro histórico, e da arqueóloga Célia Silva, que apresentará o caso do edifício da Rua Grande.
À tarde, Luís Peri e André Freitas abordam a arqueologia urbana entre o antigo Convento de Nossa Senhora da Esperança e o Colégio de Nossa Senhora de Fátima, seguindo-se Nelson Borges, com uma reflexão a partir da intervenção arqueológica no Cineteatro São Pedro.
O último caso será apresentado pela arqueóloga municipal Filomena Gaspar e pela antropóloga biológica Vânia Janeirinho, numa comunicação intitulada “Um convento, um quartel, uma necrópole. O convento de S. Domingos”.
A abertura do colóquio estará a cargo do presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, e da diretora da Unidade de Cultura da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT), Cristina Pacheco.
O programa termina pelas 16h00 com uma visita orientada ao MAC. A participação é gratuita, limitada à capacidade da sala e sujeita a inscrição prévia junto da Rede de Museus de Abrantes.

