Para garantir uma maior eficácia no terreno em caso de incêndio, a Câmara de Abrantes criou um piquete em permanência constituído por operadores de máquinas e mecânicos, juntando-se ao dispositivo preparado para esta época, anunciou a autarquia.

“O combate inicial a um fogo nascente é muito importante e entendemos ser necessário ter uma equipa permanentemente contactável e disponível no terreno 24 horas por dia, tendo sido sistematizado um serviço que já existia com o apoio de particulares, com a atribuição também de telefones de serviço, ultrapassando um problema das pessoas terem os telefones pessoais desligados ou estarem num local sem rede”, disse à Lusa a presidente da Câmara de Abrantes, no distrito de Santarém.

A decisão resultou do rescaldo feito aos incêndios ocorridos no concelho nos dias 16 e 17 de junho, e após reunião do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) no concelho de Abrantes, tendo sido feita uma “análise exaustiva do problema dos incêndios”, disse Maria do Céu Albuquerque, relativamente a um município com cerca de 60% de área florestal e um território com 714 quilómetros de área.

Na reunião de trabalho, que contou com a presença de Mário Silvestre, Comandante Operacional Distrital do Comando Distrital de Operações de Socorro de Santarém (CDOS), Mário Silvestre, foi feito um ponto de situação relativamente às notificações que são feitas junto dos proprietários em incumprimento, tendo Maria do Céu Albuquerque destacado que “há quem limpe os seus terrenos” mas que “subsistem muitas propriedades por cuidar porque os seus herdeiros e proprietários estão longe ou não habitam no território”.

A autarca destacou à Lusa o trabalho desenvolvido ao nível da “prevenção, combate e sensibilização ambiental” no município de Abrantes, tendo alertado para “a importância da limpeza dos terrenos, em cumprimento da lei que obrigada à limpeza de uma faixa não inferior a 50 metros à volta de habitações”.

Em matéria de recursos humanos, a responsável disse que “estão disponíveis 24h/dia 4 equipas de combate a incêndios, cada uma com 7 elementos, a que acresce mais uma viatura que se vem juntar aos veículos já existentes”, equipas que atuam por determinação do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Santarém.

A par deste dispositivo, o concelho de Abrantes encontra-se organizado através de uma rede que inclui serviços públicos, contando com a colaboração de entidades privadas, empresariais e associativas (logística), que atuam em conjugação de esforços através da disponibilização dos seus meios ao serviço da comunidade, para proteção dos cidadãos e dos seus bens.

Em comunicado, a autarquia dá conta que o território concelhio está organizado em “três zonas de pré-posicionamento para facilitar a distribuição dos meios disponíveis, quer do serviço municipal de proteção civil, quer externos”, estando identificadas nas 13 freguesias estruturas de apoio logístico.

“No norte do concelho está disponível um dispositivo de primeira intervenção (viatura) com a colaboração da equipa técnica da ZIF de Aldeia do Mato e, no sul, mantém-se o estacionamento de veículos dos bombeiros na base dos Sapadores Florestais, em Rossio ao Sul do Tejo”, sendo servidos por cinco pontos de abastecimento de água, com a colaboração de várias empresas. “O norte do concelho é servido por tanques específicos”, pode ler-se na mesma informação.

Como em anos anteriores, há um conjunto de entidades que estão organizadas para efetuar a vigilância e, em caso de incêndio, procederem a uma primeira intervenção, nomeadamente as equipas de sapadores, equipas da AFOCELCA, associações de caçadores, kits das juntas de freguesia e vários privados. As forças de segurança colaboram no patrulhamento e nas ações informativas e dissuasoras.

“Tendo em conta as constantes alterações climatéricas (…) e na sequência dos infaustos acontecimentos ocorridos a semana passada em Pedrógão Grande, foram feitas referências à importância da vigilância (…) e, “independentemente de estar incumbida às forças de segurança, foi feito um apelo para que os cidadãos assumam também esse papel”, tendo apelado a que, em caso de avistamento de incêndio, seja de imediato contactado o 112 (chamada gratuita) ou as forças de segurança.

Na reunião de trabalho, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Abrantes, António de Jesus, apresentou os dados estatísticos relativos ao número de incêndios ocorridos no concelho entre 1 de janeiro e 14 de junho do corrente ano.

“Junho é o mês que regista mais ocorrências (14), antecedido do mês de abril (8). A área ardida nesse período é de 84,77 ha, sendo que 80% dessa área se reporta a ocorrências verificadas no presente mês. Outros dados reportam-se ao elevado número de falsos alarmes que continuam a verificar-se e o facto de, em relação a períodos iguais, ter aumentado o número de ignições noturnas”, pode ler-se no relatório.

“Acabámos de ver aprovadas duas novas ZIF e a Câmara de Abrantes quer ser exemplo no reordenamento da floresta e incentivar o cidadão na limpeza dos seus terrenos, pelo que vamos acentuar o nível da ações educativas e comportamentais ao nível da cidadania, e da sensibilização para a responsabilização de cada um pela sua segurança”, concluiu.

C/LUSA

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