O deputado do PCP na Assembleia da República, António Filipe esteve esta segunda-feira em Tomar e Abrantes a ouvir os empresários de micro, pequenas e médias empresas, no âmbito do seu trabalho parlamentar e no contexto da pandemia em curso, tendo afirmado que, na maioria dos casos, os relatos transmitidos é de que os apoios do Estado não chegam aos comerciantes e que a grande maioria destas empresas está a braços com uma situação deveras preocupante.
Depois do contacto com os comerciantes no centro histórico das cidades de Abrantes e Tomar, o deputado do PCP relatou testemunhos de uma “situação muito complicada” em relação às micro, médias e pequenas empresas, que lembrou serem “um dos grandes motores da economia nacional”, e um panorama generalizado de “muita preocupação” e enormes dificuldades, nomeadamente na obtenção de apoios do Governo, que não chegam a muitos dos pequenos e médios empresários que necessitam de aceder a estes incentivos.
“Com a aprovação do Orçamento Suplementar, apesar de insuficiente”, o deputado destacou “a não exigência dos pagamentos por conta” e a “devolução antecipada dos pagamentos especiais por conta”, que considerou como “um balão de oxigénio” para as empresas, além da “implementação do apoio aos sócios gerentes”, uma “falha também muito apontada nestas visitas”, e que será implementado.
“Há outro problema que é o acesso aos créditos para que as empresas possam ter maior liquidez, e aí tem de haver uma maior flexibilidade por parte do Estado na regulamentação desses apoios, sob pena de não chegarem a quem devem”, defendeu, uma medida que, afirmou, “poderá fazer a diferença para milhares de empresas”.

“Há registo de grandes lamentos com as dificuldades na obtenção dos apoios prometidos pois muitas empresas não puderam recorrer aos apoios uma vez que tinham acordos de regularização de dívidas ao Fisco ou à Segurança Social e que, apesar desses acordos de regularização, foram considerados devedores e não lhes foi permitido ter acesso a quaisquer apoios”, notou.
António Filipe destacou ainda a “falta de apoio” das autarquias na divulgação e promoção dos comerciantes instalados nos centros históricos, a par o cancelamento de eventos, nomeadamente dos casamentos, e que teve impactos nos mais variados ramos do comércio.
O deputado António Filipe começou o dia cedo, tendo dedicado toda a manhã a uma ação de visita e contacto com os empresários instalados no centro histórico de Tomar, culminando com uma reunião com a Associação Comercial e Industrial dos Municípios de Tomar, Ferreira do Zêzere e Vila Nova da Barquinha (ACITOFEBA).

A tarde tórrida de segunda-feira foi passada no centro histórico de Abrantes e deveria ter culminado com um encontro de trabalho com a Associação Comercial e Empresarial (ACE) de Abrantes, Constância, Sardoal, Mação e Vila de Rei, o que não veio a suceder, tendo o deputado referido que os dirigentes da associação não estavam disponíveis para o efeito, prometendo tentar reunir em breve com a associação representativa do setor. O dia culminaria com uma audição pública na Biblioteca Municipal do Cartaxo, às 20:30, com uma reunião onde se debateu o impacto da pandemia nos pequenos produtores de vinho.
