No âmbito deste protocolo, a partir desta semana, sempre que um utente idoso do Lar da Misericórdia de Abrantes tiver uma alteração do seu estado de saúde, a equipa da Unidade de Hospitalização Domiciliária (UHD) do CHMT “vai ser a primeira linha de resposta de cuidados de saúde e não o Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica de Abrantes”, refere a instituição hospitalar, em comunicado.
“Se estiver em causa doença aguda ou risco de vida iminente, mantém-se a referenciação para o atendimento do Serviço de Urgência através da rede de emergência pré-hospitalar”, lê-se na mesma informação.
Segundo assegura a administração do CHMT, presidida por Casimiro Ramos, através da articulação entre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o setor social, “a qualidade de resposta e de acesso dos cuidados de saúde prestados à população idosa é potenciada”, com a referenciação dos utentes do lar a ser realizada através de “cooperação e canais de comunicação abertos” entre as instituições.
“A grande mais-valia deste modelo é a prestação dos cuidados de saúde personalizados aos idosos que residem nos lares, sem expor os utentes aos diversos riscos associados ao seu internamento hospitalar”, realça Casimiro Ramos.
Por outro, acrescenta, a hospitalização domiciliária destes utentes “liberta a pressão assistencial dos serviços de urgência e do internamento hospitalar da instituição, otimizando recursos para poder aumentar a atividade cirúrgica”.
O protocolo de cooperação no âmbito da hospitalização domiciliária, assinado na segunda-feira, “vai permitir levar este modelo alternativo de hospitalização, com assistência médica e cuidados de saúde diferenciados e de proximidade, aos 105 utentes do Lar da Misericórdia de Abrantes”, numa primeira fase, tendo o CHMT o objetivo de alargar a rede de serviço.

Fátima Pimenta, Diretora do Serviço de Medicina Interna do CHMT, e Coordenadora da Unidade de Hospitalização Domiciliária do CHMT explica a mecânica deste protocolo: “Os cuidados médicos que vamos prestar no lar são idênticos aos que prestaríamos numa enfermaria de hospital, mas com maior proximidade e com toda ou mais segurança associada, já que na Urgência de um Hospital há um grande risco de infeções e qualquer idoso encara estes ambientes como hostis, havendo quadros de desorientação, maiores riscos de quedas, entre outros. Em quatro anos de hospitalização domiciliária do CHMT só temos a reportar elogios e nenhuma queixa”, refere a clínica, com satisfação no trabalho desenvolvido.
Fátima Pimenta recorda que o projeto de alargamento do projeto da Hospitalização Domiciliária à sociedade civil e, nomeadamente, ao terceiro setor, foi uma ideia que se sucedeu praticamente após a sua criação: “Este protocolo é uma ideia que surgiu desde 2019, pouco tempo depois da criação da Unidade de Hospitalização Domiciliária do CHMT. No entanto, a Covid-19, e as limitações que impôs nos lares de terceira idade, impediu-nos de avançar. Aquilo que se pretende é retirar do hospital e sobretudo das urgências hospitalares, os doentes com patologias que precisam de cuidados médicos e de enfermagem diários, mas que não necessitam de ocupar uma cama de internamento de agudos”, explica.
“Na hospitalização domiciliária, o idoso mantém-se no seu ambiente e a equipa médica e de enfermagem está mais presente. São cuidados de proximidade centrados no doente. Se o doente precisa de fazer análises, a equipa da UHD faz a colheita – não precisa de ir ao hospital. Se é preciso realizar determinado exame no hospital, ou ser avaliado por uma especialidade, o CHMT trata do transporte e acompanhamento de ida e de volta. É inegável a mais-valia para todos”, conclui Fátima Pimenta.
Por seu lado, o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, João Manuel Pombo, manifestou o seu agradecimento e orgulho por esta entidade ser a primeira a estabelecer este tipo de parceria com o CHMT: “O nosso objetivo é criarmos condições para que todos os nossos utentes se sintam como se estivessem em casa. Tudo o que seja para melhorar a vida dos nossos idosos estamos disponíveis para colaborar e deixamos o nosso agradecimento ao CHMT para nos desafiar para esta parceria”.
Casimiro Ramos, Presidente do Conselho de Administração do CHMT, partilhou a visão estratégica para 2023: “Estamos a dar início a uma estratégia que exige esforço dos profissionais da equipa da Hospitalização Domiciliária, mas que pretende minimizar a afluência ao Serviço de Urgência da Unidade de Abrantes, resolvendo o problema a montante, sem comprometer o acesso a cuidados de saúde e aumentando a satisfação dos cuidados prestados por parte do utente”, afirmou.
O responsável enalteceu o papel das estruturas residenciais para idosos: “Os lares são famílias de suporte. Temos de atuar em conjunto para enfrentar a realidade demográfica do país – que se reflete na procura das urgências hospitalares também. Este é o primeiro de muitos protocolos que vamos celebrar”, garante Casimiro Ramos, que remata: “A saúde dos nossos utentes faz-se também fora das quatro paredes do centro hospitalar. Prevenção, Proximidade e Acesso são os pilares que queremos para a Saúde do Médio Tejo”.
Constituído pelas unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, separadas geograficamente entre si por cerca de 30 quilómetros, o CHMT funciona em regime de complementaridade de valências, abrangendo uma população na ordem dos 266 mil habitantes de 11 concelhos do Médio Tejo, a par da Golegã, da Lezíria do Tejo, também do distrito de Santarém, Vila de Rei, de Castelo Branco, e ainda dos municípios de Gavião e Ponte de Sor, ambos de Portalegre.
