O município de Abrantes investiu cerca de 850 mil euros, ao longo dos últimos dez anos, em incentivos financeiros destinados a médicos das unidades de saúde familiar do concelho.
O balanço foi apresentado pelo presidente da Câmara Municipal, Manuel Valamatos (PS), que sublinhou que a intervenção do município na área da saúde vai muito além do investimento em edifícios e equipamentos.
Os dados, relativos ao período entre 2016 e 2026, foram apresentados pelo autarca na última reunião do executivo municipal, na sequência de um pedido de esclarecimentos da vereadora Ana Oliveira (PSD), a quem foi entregue o mapa dos incentivos atribuídos ao longo da última década.
De acordo com Manuel Jorge Valamatos, a maior fatia do investimento foi direcionada para a Unidade de Saúde Familiar D. Francisco de Almeida, que recebeu cerca de 464 mil euros em incentivos. Segue-se a Unidade de Saúde Familiar Beira Tejo, com aproximadamente 344 mil euros, enquanto a Unidade de Saúde Familiar dos Plátanos beneficiou de cerca de 41 mil euros.

No total, o município contabiliza assim um investimento próximo dos 850 mil euros exclusivamente em incentivos financeiros a médicos das unidades de saúde familiar.
Para o presidente da Câmara, este esforço integra uma estratégia municipal mais abrangente para reforçar a resposta de cuidados de saúde no concelho e criar condições para a permanência de profissionais. Manuel Valamatos destacou, nesse contexto, a presença atual de 18 médicos que têm trabalhado com o município.
O autarca assumiu ainda que o investimento municipal na saúde não se esgota na componente física, nomeadamente na construção ou requalificação de instalações.
“Há muito mais vida para além disso”, afirmou, defendendo uma intervenção que inclua também mecanismos capazes de contribuir para a fixação de profissionais.

O levantamento apresentado pelo município faz o balanço da última década de apoio financeiro aos profissionais de saúde, num período em que a dificuldade em atrair e fixar médicos tem constituído um dos principais desafios para os territórios do interior e para os municípios que procuram garantir uma resposta de proximidade às populações.
Uma década de combate à falta de médicos
A aposta na fixação de médicos surge num concelho que, ao longo da última década, enfrentou períodos de forte carência de profissionais de medicina geral e familiar. Em 2016, cerca de 11 mil utentes de Abrantes não tinham médico de família atribuído. A situação manteve-se difícil nos anos seguintes, tendo o número de utentes sem médico de família rondado os 10 mil em 2023 e voltado a subir para cerca de 13 mil no início de 2025. Nesse percurso, o município foi conjugando incentivos financeiros à fixação de médicos com o reforço das unidades de saúde e outras respostas destinadas a garantir cuidados de proximidade.
A situação melhorou entretanto de forma significativa. Em 2025, a entrada de novos médicos permitiu atribuir médico de família a cerca de 3.300 utentes e, mais recentemente, a ULS Médio Tejo indicou que apenas 0,5% da população de Abrantes permanecia sem qualquer cobertura de cuidados de saúde primários. Este valor, contudo, não significa que 99,5% dos utentes tenham médico de família atribuído.
A população sem médico de família continua a ter acesso a cuidados através de outras respostas, nomeadamente médicos prestadores de serviços e o projeto Bata Branca, que em Abrantes tem sido utilizado para reforçar o atendimento a utentes sem médico atribuído.

É neste percurso que se enquadra o investimento de cerca de 850 mil euros realizado pelo município, entre 2016 e 2026, em incentivos financeiros a médicos das unidades de saúde familiar. A estratégia municipal tem, assim, procurado atuar em várias frentes: atrair e fixar profissionais, reforçar a capacidade das unidades de saúde e garantir respostas alternativas para quem continua sem médico de família.
O objetivo é aproximar o concelho de uma cobertura total de cuidados de saúde primários, num contexto regional em que a falta de médicos continua a ser um dos principais desafios.
