Câmara de Abrantes aprovou proposta de distribuição de ecopontos domésticos a toda a população para reforçar hábitos de reciclagem no concelho. Foto ilustrativa: DR

A Câmara Municipal de Abrantes aprovou por unanimidade uma proposta do vereador Vitor Moura (PSD) para reforçar hábitos de reciclagem com a distribuição gratuita de ecopontos domésticos a toda a população. O investimento pode ascender a cerca de 900 mil euros. A maioria PS aprovou a medida, com declaração de voto, e o ALTERNATIVAcom aduziu algumas sugestões, tendo Vasco Damas aproveitado para tecer novas críticas ao executivo liderado por Manuel Jorge Valamatos.

A proposta de deliberação apresentada pelo vereador Vítor Moura, e aprovada por unanimidade, assenta em dois pontos, com ações interligadas e complementares, sendo a primeira a atribuição gratuita de ecopontos a todos os agregados familiares e a segunda uma campanha de sensibilização e esclarecimento público sobre a separação de resíduos.

Em declarações ao mediotejo.net, após a reunião de executivo, o vereador do PSD não escondeu a sua satisfação pela aprovação da medida, tendo feito notar que “o PS tem alguma dificuldade em recusar” as propostas apresentadas pelo PSD, uma vez que, vincou, as mesmas “são objetivas, transparentes, e são justificadas sempre na sua essência.”

Vitor Moura, vereador do PSD na Câmara Municipal de Abrantes. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | VITOR MOURA, VEREADOR PSD CM ABRANTES:

“O PS depende da disposição com que vem em deixar que a oposição vingue nalguma coisa ou não. Quando não tem argumentos, que seria o caso de hoje, é obrigado, por assim dizer, a aprovar”, afirmou, declarando estar “satisfeito” pela aprovação unânime da proposta.

A proposta aprovada, no ponto um, defende a atribuição gratuita de um ecoponto doméstico a cada agregado familiar residente no concelho, como forma de facilitar e estimular cada abrantino a separar o lixo logo dentro de casa, garantindo dessa forma o seu encaminhamento por parte de todos para o ecoponto público, medida que poderá avançar em modelo experimental, ou fase piloto, numa zona rural e outra urbana, e cuja conclusão poderá estender-se por três anos.

No ponto dois, o PSD defendeu a realização de uma campanha de esclarecimento público, que esclareça não apenas como e onde separar, de acordo com o ecoponto comum, papel, cartão, plástico, metal e vidro, mas também os vários materiais sobrantes, dando como exemplo a cortiça, lâmpadas, cápsulas de café, molas de roupa, esfregonas, ímanes, entre outros.

Maioria socialista aprova medida e apresenta declaração de voto

A maioria socialista do executivo da Câmara de Abrantes aprovou a proposta do vereador do PSD, com Manuel Jorge Valamatos, presidente da autarquia, a justificar a posição do PS, com de declaração de voto.

“Como é do conhecimento público e estava versado no nosso programa eleitoral esta é uma preocupação dos eleitos pelo Partido Socialista e é continuamente nossa intenção: melhorar a rede de recolha seletiva de resíduos e de monos domésticos. No entanto, deve ficar bem claro que a responsabilidade da consciencialização e da recolha seletiva é da Valnor e não da Câmara Municipal ou dos Serviços Municipalizados de Abrantes”, notou Valamatos, tendo lembrado que, “não obstante a responsabilidade, tem sido prática ao longo dos anos ações de sensibilização para a importância da temática da reciclagem e da recolha seletiva de resíduos”.

“Só assim teremos um concelho e um planeta mais resiliente e ainda uma fatura ambiente, no que toca à recolha dos resíduos sólidos urbanos, menos onerosa para todos os munícipes, concluiu, antes de ler a declaração de voto e pressupostos sobre a proposta em discussão.

Manuel Jorge Valamatos (PS), presidente da Câmara Municipal de Abrantes, justificou o sentido de voto. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

Os eleitos pelo Partido Socialista votaram favoravelmente a proposta do vereador do PSD, com a seguinte declaração de voto e pressupostos, que transcrevemos:

“Se fizermos uma simples consulta ao mercado (foto anexa), percebemos que, para todo o concelho estamos a falar de um investimento de cerca de 880 mil € para a “atribuição gratuita de um ecoponto doméstico a cada agregado familiar”, disse Manuel Jorge Valamatos, tendo lembrado a quem compete a responsabilidade, numa lógica de investimento partilhado.

“Sendo uma competência da Valnor, os custos da implementação deste projeto devem ser partilhados, estando a Câmara Municipal e/ou os Serviços Municipalizados disponíveis para estudar a apresentação de candidaturas a fundos comunitários para implementação deste projeto piloto e, consoante os resultados, alargar o mesmo ao restante concelho”, afirmou o autarca.

Assim, defendeu o presidente da Câmara de Abrantes, a concretização do projeto “deve ficar condicionado à disponibilidade orçamental da Valnor para assumir componente nacional ou parte dela, visto que o Município disponibilizaria a componente de fundos comunitários” para a ação, “disponibilidade técnica da Valnor para disponibilização de dados de recolha antes, durante e depois da implementação do projeto piloto”, e “efetuar o projeto piloto numa localidade rural e num agregado/bairro urbano e não à escala da freguesia como proposto, por ser menos dispendioso, e mais fácil de controlar”.

Por outro lado, no ponto dois da proposta, para realização de uma “campanha de esclarecimento público que esclareça não apenas como e onde separar de acordo com o ecoponto comum, papel, cartão, plástico, metal e vidro, mas também os vários materiais sobrantes, como exemplo: cortiça, lâmpadas, cápsulas de café, molas da roupa, esfregonas, imanes”, entre outros, o PS votou favoravelmente no sentido do “reforço das campanhas de sensibilização”.

“Favoravelmente, ao reforço das campanhas de sensibilização, uma vez que é uma temática que temos vindo a apostar continuamente (como se pôde verificar nas imagens apresentadas) que fazem parte da estratégia de comunicação dos Serviços Municipalizados e que até alguns dos exemplos referidos na proposta apresentada já foram alvo de atenção quer nas redes sociais, quer na fatura ambiente”, concluiu.

ALTERNATIVAcom aprova proposta do PSD e deixa duras críticas ao executivo

Vasco Damas, vereador movimento ALTERNATIVAcom, aprovou a proposta do PSD, aduziu algumas sugestões para melhoria do documento, e criticou na reunião o executivo de maioria socialista, tendo falado de uma “realidade que se mostra mais sombria, mais promiscua, mais pérfida e muito mais assustadora”, e afirmado que o estatuto do Direito de Oposição não está a ser cumprido.

Vereador do ALTERNATIVAcom (à direita na imagem) criticou o executivo de maioria PS. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | VASCO DAMAS, VEREADOR ALTERNATIVAcom CM ABRANTES:

“Quando decidi contribuir com o meu tempo e o meu conhecimento para ajudar Abrantes a ser diferente, acreditando eu que essa diferença só podia ser para melhor, defini para mim mesmo uma linha que tenho como referência e que tenho tentado honrar. O grande desafio tem sido, desde esse primeiro momento, não me deixar contagiar pelo pior que me rodeia. Não tem sido fácil, mas como costumamos dizer, se fosse fácil não seria para nós. Mas o silencio dos bons será sempre cúmplice do mal que se faz, e esse, não pode, em nenhum momento, ser aceite como uma normalidade”, afirmou, falando da “cidade do medo”.

“Fez agora dois anos que escrevi um texto que intitulei “A cidade do medo”. Ao relê-lo, 25 meses depois, percebo que a minha ficção tem sido claramente atropelada por uma realidade que se mostra mais sombria, mais promiscua, mais pérfida e muito mais assustadora do que as minhas palavras de então deixavam sugerir. Desde logo porque ao longo deste tempo pude constatar as mudanças e as alterações comportamentais de algumas pessoas e de algumas instituições, situação natural explicada por Upton Sinclair na frase “é difícil que alguém compreenda algo, quando o seu salário depende de não o compreender” e, acima de tudo, porque senti na primeira pessoa a força maligna deste poder”, afirmou Damas.

“É precisamente por causa disto que achamos que o movimento ALTERNATIVAcom tem um papel insubstituível na democracia local e é precisamente por tudo isto que a nossa voz continuará a fazer questão de se fazer ouvir. Mesmo que o nosso nome seja maldito, que a nossa voz tente ser calada ou mesmo que a façam desaparecer dos órgãos de comunicação social… ela continuará a ser ouvida porque desistir não é opção e porque fica claro que Abrantes tem Alternativa”, declarou o eleito do ALTERNATIVAcom, tendo concluído com uma acusação de “fraude democrática” relativamente ao estatuto da oposição.

“O Estatuto do Direito de Oposição não está a ser realmente cumprido, apenas formalmente (e nem sempre), o que constitui uma “fraude democrática”, dando como exemplos as Grandes Opções do Plano “GOPs e Orçamento (consulta prévia), respostas aos pedidos de esclarecimento, etc”, tendo assegurado que, doravante, vai exigir o que é de direito.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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