O vereador do Bloco de Esquerda (BE) com assento na Câmara Municipal de Abrantes deu conta na reunião de executivo de terça-feira da sua preocupação com os atrasos dos CTT na entrega de correspondência no concelho. O presidente da autarquia, Manuel Jorge Valamatos (PS) disse que o problema não é exclusivo de Abrantes e que o descontentamento com a prestação de serviços é generalizado por todo o Médio Tejo, dando conta que será a própria Comunidade Intermunicipal a fazer chegar a quem de direito o seu protesto.
Na reunião de executivo de terça-feira, realizada por vídeo conferência, o vereador Armindo Silveira (BE) começou por dizer que, “mais uma vez, os atrasos nas entregas de correspondência sucedem-se um pouco por todo o país” e que “o concelho de Abrantes não foge à regra”, dando conta de atrasos de “uma semana, quinze dias e até um mês” e com “correspondência que chega já depois de vencer o prazo de pagamento”.
“Todos sabemos que a gestão privada dos CTT tem-se pautado, por inúmeros erros, falhas graves no cumprimento dos indicadores de serviço postal e desrespeito pelos direitos laborais, revelando-se altamente lesiva para o erário público, mas também para utentes e trabalhadores”, afirmou, tendo feito notar que, “depois de já em 2016, 2017 e 2018, os CTT terem falhado em alguns indicadores, em 2019, dos 24 objetivos de qualidade do serviço postal fixados pela ANACOM, a empresa privada não conseguiu cumprir nem um. As justificações avançadas publicamente pela administração dos CTT, desresponsabilizando-se por estes resultados, não podem ser, sequer, consideradas sérias”, disse o eleito bloquista.
Armindo Silveira questionou “quais as garantias que existem para a manutenção de um bom serviço”, lembrando que o contrato de serviço postal termina no final deste ano e criticando o “belo resultado da privatização dos CTT levada a cabo pelo governo PSD/CDS em 2013”.
“Neste contexto”, concluiu, “já nem se coloca a questão de solicitar ao executivo municipal que questione a Administração dos CTT pois o que é fundamental é saber se o Governo pondera a nacionalização dos CTT e, se não, se pretende vir a ter capacidade de decisão ao nível da gestão executiva da empresa”.
Manuel Jorge Valamatos acabaria mesmo por prestar algumas informações sobre o assunto, dando conta que esse foi um dos temas abordados na reunião desta semana em sede de Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIM Médio Tejo), e que agrega os 13 municípios da região.
“Não é um problema de Abrantes, não sendo [em Abrantes] tão grave como noutros municípios”, afirmou o presidente da autarquia, tendo dado conta que “a CIM Médio Tejo vai fazer um ofício aos CTT a dar conta do descontentamento dos 13 municípios e à própria ANACOM”, uma posição concertada por todos os municípios relativamente a um problema que se tem feito sentir de forma generalizada na região.
