O BE defendeu hoje a imediata redução de produção da fabricante de pasta de papel Celtejo, instalada em Vila Velha de Ródão, afirmando que a empresa é a principal poluidora do Tejo por incapacidade de processamento dos seus efluentes.

“Em defesa da qualidade da água do rio Tejo, o BE, através de um projeto de resolução, propôs que a Assembleia da República recomende ao Governo que este determine a imediata redução da produção da empresa Celtejo para um nível que não exceda a sua atual capacidade de produção”, disse hoje o deputado Carlos Matias, numa visita efetuada ao rio Tejo, na zona de Abrantes.

A visita seguiu-se a episódios de “poluição extrema” que se verificam no rio, segundo o partido.

“Frequentemente, de Rodão à Barquinha, passando por Mação, de Abrantes a Santarém, a água do rio Tejo apresenta-se escura, acastanhada, com enormes manchas de espuma branca a flutuar sobre o leito”, disse o deputado eleito por Santarém, notando que a jusante de Vila Velha de Ródão (concelho do distrito de Castelo Branco) quase desapareceu a fauna piscícola.

“Os lagostins, ganha-pão dos poucos pescadores que ainda resistem, já só aparecem a montante, para os lados de Espanha”, vincou.

O problema, sublinhou, está identificado e é reconhecido num recente relatório da Comissão de Acompanhamento sobre a Poluição do Rio Tejo.

O documento “propunha uma redução do caudal e da carga orgânica poluente nos efluentes setoriais e no efluente rejeitado no meio hídrico pela Celtejo, por recurso à ampliação ou substituição da atual estação de tratamento de águas residuais”.

A empresa e o Governo preveem “que a implementação desta medida esteja concluída em 2018″, situação que o BE criticou.

“Tal significará que, até 2018, mantendo-se os atuais volumes de produção da Celtejo e mantendo-se a reconhecida insuficiência da sua capacidade de processamento de efluentes gerados, continuarão a verificar-se descargas poluidoras no rio Tejo e isso nós não podemos aceitar”, frisou Carlos Matias.

O bloquista sublinhou que, em maior de 2016, o atual Governo emitiu uma licença à Celtejo para captação de água e lançamento de efluentes para o rio que “é três vezes superior àquela que estava autorizada antes”, acabando por “legalizar uma ilegalidade”.

“Como comprovadamente a Celtejo não tem capacidade para processar os efluentes da produção que tem, então que reduza a produção para o nível que é capaz de processar. Porque, sem isso, vamos continuar a assistir a episódios gravíssimos como aqueles que assistimos aqui no rio”, defendeu o deputado.

A Celtejo, fábrica de pasta de papel da Altri, tem garantido que cumpre os limites de descarga hídricos impostos pela licença ambiental, avançando já em 2016 que as análises demonstram a “correta atuação” da empresa.

Carlos Matias recordou a visita realizada este ano a Abrantes pelo ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, que “prometeu que tinha acabado a impunidade” sobre a poluição do Tejo.

O Movimento pelo Tejo – proTEJO anunciou entretanto a realização de uma manifestação de protesto contra a poluição do rio Tejo e seus afluentes no dia 04 de março, junto ao cais de Vila Velha de Ródão.

c/LUSA

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