A Câmara de Abrantes aprovou a atribuição de 22.500 euros a duas médicas de família, no âmbito do regulamento municipal de incentivo à fixação de profissionais de saúde, numa reunião em que também foi questionado o número de utentes sem médico de família.
Cada uma das médicas, que integram a futura Unidade de Saúde Familiar (USF) Plátanos, em Alferrarede, receberá um apoio de 11.250 euros anual, num investimento municipal global que o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos (PS), estimou representar cerca de 200 mil euros por ano.
O regulamento municipal atualmente em vigor foi aprovado pela Câmara em outubro de 2024 e pela Assembleia Municipal em fevereiro de 2025, tendo sido publicado em abril desse ano.
O incentivo é de 11.250 euros anuais por médico e aplica-se a profissionais de Medicina Geral e Familiar que exerçam funções nas USF abrangidas pelo regulamento e em determinadas UCSP do concelho.
O apoio tem caráter transitório e é atribuído durante o mandato eleitoral, sendo reavaliado no início do mandato seguinte. O atual regulamento substituiu o anterior, aprovado em 2019.
O autarca associou a política municipal de incentivos à evolução registada no acesso a cuidados de saúde primários no concelho, afirmando que o número de pessoas sem cuidados primários terá passado de cerca de 40% a 50%, há dois anos, para 0,5% atualmente, segundo dados da ULS do Médio Tejo.
A oposição questionou, contudo, o número apresentado e pediu uma resposta concreta sobre quantos utentes continuam sem médico de família.
A vereadora Ana Oliveira (PSD) considerou que a forma como o indicador dos 0,5% foi comunicado pode gerar confusão, enquanto Nuno Serra (Chega) afirmou que esse valor não corresponde à perceção que recolhe junto da população.
Na resposta, Manuel Jorge Valamatos defendeu os números atribuídos à ULS do Médio Tejo e destacou a existência de 17 médicos jovens em três unidades de saúde familiar: cinco em Alferrarede (na futura USF Plátanos), cinco na USF Beira Tejo e sete na USF D. Francisco de Almeida.
O presidente da Câmara considerou que a política municipal de incentivo à fixação tem contribuído para a atração de médicos para o território.
A atribuição dos 22.500 euros às duas médicas foi aprovada no âmbito do regulamento municipal criado para apoiar a fixação de profissionais de saúde no concelho.
