Manuel Valamatos, vereador com o pelouro do Ambiente na CM Abrantes, disse que "é um atentado ambiental que a todos preocupa e indigna". Foto: mediotejo.net

Pescadores, ambientalistas e autarcas afirmaram hoje em Abrantes estarem “preocupados” e “indignados” com o manto de espuma que cobre as águas do Tejo desde quarta-feira naquele troço do rio, tendo o vereador do Ambiente da autarquia criticado o “atentado ambiental” que classificou de “preocupante” e “degradante”.

Em declarações aos jornalistas, Manuel Jorge Valamatos disse que a “poluição visual” conferida pelo manto de espuma branca e pelas águas negras que correm junto ao açude de Abrantes, permite “constatar mais um episódio degradante de poluição no Tejo”, com “problemas evidentes ao nível da qualidade e quantidade”.

Manuel Valamatos, vereador com o pelouro do Ambiente na CM Abrantes, disse que “é um atentado ambiental que a todos preocupa e indigna”. Foto: mediotejo.net

Segundo o autarca, a situação que é mais visível desde quarta-feira no Tejo, onde o manto de espuma quase não deixa ver a água, “um atentado ambiental que a todos preocupa e indigna”, sublinhou, tendo defendido que “importa tomar medidas urgentes para que estes cenários não se voltem a repetir”.

Na quarta-feira, um manto de espuma branca com cerca de meio metro cobriu o rio Tejo na zona de Abrantes, junto à queda de água do açude insuflável, num cenário que o ambientalista Arlindo Marques , do Movimento pelo Tejo – proTEJO -, classificou como “dantesco” e que hoje ainda permanecia à vista de todos.

“Ando nisto há mais de três anos [a registar e denunciar episódios de poluição no rio] e este é um cenário dantesco e nunca visto”, disse na quarta-feira o dirigente do proTEJO à Lusa, sublinhando que a “água castanha” e o “manto de espuma da morte”, que ainda hoje cobria uma extensa parte das águas, constituía “um dos piores cenários” jamais registados naquele troço do rio.

“Parece o cenário de um filme, tanta espuma que mal deixa ver a água”, disse o ambientalista conhecido na região Centro como o Guardião do Tejo, devido às horas que passa junto às margens do rio, de Vila Nova da Barquinha a Mação, a registar em fotos e vídeos os casos de poluição que encontra e que partilha nas redes sociais desde 2015.

“Este é o quarto dia em que isto está a acontecer, e ontem [quarta-feira] ainda estava pior, mas é só a jusante de Vila Velha de Rodão que isto acontece”, observou hoje, acrescentando que “a origem da poluição não está em Espanha”, mas nas fábricas instaladas naquela localidade do distrito de Castelo Branco.

Arlindo Marques, o ‘Guardião do Tejo’, diz que nunca viu um cenário ‘dantesco’ como este. Foto: mediotejo.net

“Ontem [quarta-feira] fui com os pescadores a montante de Vila Velha de Rodão e não há lá poluição, a água está transparente”, assegurou, tendo questionado o porquê de as entidades competentes não descobrirem a origem da poluição.

“Como é que não descobrem quem está a fazer isto?”, perguntou, tendo lembrado que o proTEJO já realizou diversas manifestações de protesto, queixas na Comissão Europeia e participações ao Ministério Público e que “nada se resolve”.

“Os pescadores estão a passar fome, estamos na época da lampreia e o peixe não chega aqui, e apelo ao Presidente da República e ao Primeiro Ministro para que ponham cobro a isto porque, por este caminho, qualquer dia não há vida no rio”, afirmou.

Revoltada com a poluição no rio Tejo e com os prejuízos financeiros estavam também os pescadores, tendo Maria dos Anjos Paiva, 61 anos, afirmado viver do Tejo desde pequena e que não encontra “nada para pescar, nem muge, nem tainha nem lampreias”.

“Desde há dois anos para cá, isto é uma miséria autêntica. Isto é a morte dos pescadores todos por este rio abaixo, é a morte do Tejo, e ninguém nos ajuda”, criticou.

Maria dos Anjos Paiva, 61 anos, pesca em Abrantes desde pequena e diz que não consegue encontrar “nada para pescar, nem muge, nem tainha nem lampreias”. Foto: mediotejo.net

C/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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