Foto: DR

A recomendação foi apresentada pelo deputado Luís Lourenço (CDU), que indicou que a proposta vai no sentido de fazer face ao aumento dos custos da energia elétrica que se têm feito sentir na fatura.

“A Câmara tem tido algum trabalho de instalar painéis fotovoltaicos, julgo que o novo centro escolar já prevê isso, mas a nossa proposta é que haja um aproveitamento dos fundos comunitários disponíveis para que se aumente a instalação de painéis fotovoltaicos e diminuir com isso a fatura energética e que possamos tornar Abrantes um concelho mais sustentável e mais amigo do ambiente”, disse.

Por seu turno, José Moreno (PSD), indicou que o PSD votaria a favor, considerando o tema “de extrema importância” e congratulando-se o PSD “com a preocupação que a CDU demonstra para com as contas da energia do município”.

Notou ainda assim que a proposta “peca por escassa”, entendendo que “deveria ser mais audaciosa e abrangente”. E foi mais longe, referindo que também a comunidade deveria ser incentivada a instalar painéis fotovoltaicos. “Deveríamos também incentivar as nossas populações a colocá-los”, afirmou.

Porém, reconheceu que “há um problema grave e complicado: as pessoas que decidirem meter painéis fotovoltaicos passam por um processo burocrático complicado”, disse, dando o exemplo da sua situação pessoal, referindo não ter conseguido terminar o processo sozinho, tendo concluído o mesmo através de uma linha de apoio.

Recomendou o social democrata que a autarquia fizesse uma campanha de esclarecimento e incentivo aos municípes para que coloquem painéis fotovoltaicos, mas simultaneamente dar alguns esclarecimentos e criação de um serviço de apoio ao munícipe nesta área.

Foto: Carl Attard/Pexels

Nesta senda, deixou um “desafio” ao executivo municipal, no sentido de a autarquia tentar algum “benefício” junto da Endesa, dado o investimento previsto na Central do Pego, nomeadamente se a empresa poderia “comparticipar os painéis que a Câmara tem que instalar” ou se não poderá reduzir a fatura do município “em 50 ou 75%”, pois “isso ia criar uma folga na fatura da Câmara para fazer outros investimento”, indagou.

Da bancada do PS, Bruno Tomás, presidente da UF Abrantes e Alferrarede, mostrou-se favorável à proposta concreta apresentada pela CDU e sugeriu que as comunidades energéticas estivessem na agenda da CM Abrantes, referindo que até a nível empresarial traria vantagens ao concelho.

Perante o tema, o autarca Manuel Jorge Valamatos deu os parabéns à CDU por trazer o assunto, reconhecendo que vai ao encontro da estratégia para o futuro no que toca às energias limpas.

Falou na Médiotejo21, Agência Regional de Energia e Ambiente do Médio Tejo e Pinhal Interior Sul, instalada em Abrantes, e que tem tido papel fundamental no apoio a estes processos individuais e junto das empresas para instalação dos painéis fotovoltaicos.

Manuel Jorge Valamatos referiu ter reunido com a Direção-Geral de Energia, disse “saber o que o país está a passar” e diz que é percetível que o que tem vindo a ser trabalhado no âmbito da Comunidade Intermunicipal sobre as comunidades de energia “é fundamental”.

“Queremos que nas zonas industriais e outras consigamos ter estruturas de energias renováveis capazes de alimentar comunidades, pode ser um mecanismo de atração de empresas enorme, porque pode significar ter energia de forma muito mais facilitada e mais barata”, sublinhou.

Central termoelétrica do Pego. Foto: mediotejo.net

Perante o desafio lançado pelo PSD, na pessoa do deputado José Moreno, referiu-se ao contrato de concessão da Endesa, indicando ter a autarquia conseguido garantir que 3% da energia total da produção vai ser dispensada para a Câmara Municipal, dando conta que o município não consegue gastar essa percentagem no final do ano e que tal representa muitos milhões de euros.

Já antes o presidente da Câmara tinha respondido a João Fernandes (PSD) sobre o ponto de situação do Fundo de Transição Justa para as empresas do Médio Tejo, que pretende fazer face ao impacto do encerramento da Central a carvão do Pego.

Admitiu ser um “tema de maior relevância e o que mais preocupa os abrantinos neste momento”.

Disse que “a Endesa está instalada em Abrantes, alugaram instalações e estão a desenvolver o seu trabalho”

“Já começaram a fazer contactos com todos os trabalhadores que estão em processo de formação e que queiram voltar à Central do Pego para este trabalho. Estão apostados na formação na área das energias renováveis e estão à procura de trabalhadores jovens para integrar processos”, informou, lembrando que “há um projeto vencedor de 600 milhões de euros para o concelho de Abrantes”.

“Seguramente, há dois anos atrás, eu não dormia por causa deste assunto porque havia 120 pessoas que iam ficar desempregadas. Neste momento não durmo porque as empresas não têm pessoas para lá trabalhar”, salientou.

Valamatos recordou que “há um processo a decorrer e a desenvolver-se para 240 megawatts, e estão lá 310 ainda disponíveis”, e que o objetivo é “colocar Abrantes como espaço central para as energias renováveis, apontaremos futuro por esse caminho também”.

Quanto ao Fundo de Transição Justa disse que existem nove intenções de candidatura, dando conta de reunião com a Direção-Geral de Energia e com a presidente da CCDR Centro. “Tudo aponta que o aviso para o Fundo de Transição Justa possa acontecer”, concluiu.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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