Foto: Hália Santos

Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Manuela Costa Ribeiro foi professora e trabalhou como jornalista. A escrita é um “hobbie” e foi convidada pela Biblioteca Municipal de Abrantes a apresentar algumas das suas obras na Escola Básica Maria Lucília Moita, para deleite das crianças de Alferrarede.

“Eu chamo-me Máxia. Sou uma pescada enfeitiçada…”

E a sala era inundada de risos e de gargalhadas das crianças que ouviam a história atentamente. Estavam sentadas no chão, nos pufes e nas cadeiras e sentia-se o seu interesse irrequieto pelas histórias que Manuela Costa Ribeiro contava. Cada vez que a autora desenrolava a ação das suas histórias, despertava nos alunos uma atenção cada vez maior, participando com comentários, opiniões e cantorias.

Naquela manhã primaveril, Manuela Costa Ribeiro prendia a atenção dos alunos do 1º ciclo na Escola Básica Maria Lucília Moita, em Alferrarede. A pequena biblioteca escolar era bem composta de livros infantis, espalhados organizadamente pelas várias estantes ao redor do espaço. Ao centro, havia mesas com computadores que estavam desligados. A escritora de contos infantis apresentava ali os seus livros coloridos de ilustrações e de episódios escritos, muitos deles, “com base na realidade”.

Através da iniciativa levada a cabo pela Biblioteca Municipal de Abrantes, Manuela Costa Ribeiro apresentou Rosa e os Feitiços do Mar, O Toiro Azul e O Cego do Maio e o Mar, três dos seus livros publicados. Normalmente, a escritora inspira-se em pessoas e acontecimentos reais que passaram pela sua vida para inventar os contos que escreve, “outros são completamente ficcionados”.

O livro Rosa e os Feitiços do Mar conta a história de uma menina que sofre uma meningite e deixa de ouvir. Através da “ficção” criada pela autora, Rosa vive um acontecimento mágico e conhece uma pescada que lhe dá a conhecer uma nova forma de comunicação através da leitura labial. O momento em que a autora imita a pescada a falar é um dos que arranca mais gargalhadas aos miúdos.

Este é um conto inspirado num episódio vivido pela escritora na sua infância, quando conheceu “uma pescadeira surda” que passava a sua casa para vender peixe, mas que “percebia tudo o que dizíamos quando falávamos com ela”. Explica: “É uma figura muito real que eu conheci de perto. Por isso, resolvi escrever e ficcionar uma história à volta dessa personagem que vem da minha infância e exerceu um fascínio muito grande em mim e nos meus irmãos.”

Durante uma hora, os alunos puderam conhecer o lado mais pessoal das histórias que ouviram ser contadas, assim como os processos criativos que inspiram a autora até as escrever. Manuela Costa Ribeiro foi também chamando a atenção para as ilustrações, ajudando os miúdos a perceber as opções que foram feitas. No final, muitos deles compraram os livros da autora e ofereceram um desenho feito com base numa das obras, devidamente assinado por todos.

Foto: Hália Santos

Cada vez que um escritor apresenta uma obra, o trabalho não se esgota naquele momento. Na sala de aula o trabalho continua, porque há muito por explorar. Mas, antes disso, os alunos ainda têm tempo para conversar sobre aquele momento.

“Foi interessante ter aqui uma autora, porque há pessoas que não têm essa possibilidade de ter uma autora ao pé de nós e de ter uma escola assim para vir uma autora cá”, afirma Maria Inês, de nove anos. O Toiro Azul foi sem dúvida o livro favorito das crianças. “Porque foi o mais interessante”, “porque conta mais coisas”, “é um estilo que eu gosto, porque é poético”, são algumas das opiniões de Francisco e Martim de oito anos, e de Ciprian, de nove.

No local esteve ainda presente a animadora da Biblioteca Municipal, Celeste Santos, que explica a razão de ser destas iniciativas: “As crianças são o desafio de amanhã.”

As apresentações dos livros normalmente acontecem na Biblioteca Municipal, até para que as crianças se habituem a frequentar o espaço. Mas, neste caso, foi na própria escola, que está sempre recetiva a iniciativas que complementem a formação dos seus alunos.

Independentemente do espaço, as apresentações de livros a crianças são sempre momentos muito vivos. “Por vezes, eles parecem que estão um bocadinho desatentos ou que estão um pouco faladores, mas a mensagem fica lá. As mensagens destas estórias verdadeiras, deste tipo de autores, ficam sempre lá e servem para a construção intelectual deles que, com estas atividades, vai ser muito boa, com certeza”, referiu.

*Por Rafael Grau e Joana Felício, alunos de Comunicação Social da ESTA

Fotos: Hália Costa Santos

 

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